AME 2022 entre dificuldades e esperança

PorDulcina Mendes,8 jun 2022 13:03

Tudo a postos a 8ª edição do Atlantic Music Expo, que acontece de 10 a 15 deste mês, sendo 10 e 11 no Mindelo e 13 a 15 na Praia. A garantia foi dada pelo director geral do Atlantic Music Expo, Augusto Veiga (Gugas), numa entrevista ao Expresso das Ilhas.

O AME acontece pela primeira vez acontece na ilha de São Vicente, na cidade do Mindelo, para depois rumar para a cidade da Praia para mais três dias de muita movimentação à volta da música.

Os dias do evento foram encurtados, segundo Gugas Veiga por motivos financeiros, “tivemos que encurtar os dias de evento, quer em Mindelo quer na Praia. O evento começa no dia 10, em São Vicente, e termina no dia 15, na Praia”.

Gugas Veiga garantiu que se está a ultimar os preparativos para se poder iniciar as actividades, embora com muitas dificuldades. O evento arranca, à semelhança dos anos anteriores, com conferências e workshops, one on one meetings, showcases, daycases e feira de stands, sendo que este último acontece somente na Praia.

Gugas Veiga confessa que esta edição do AME é a mais difícil que está a organizar, sobretudo por motivos financeiros, “pois perdemos muitos financiamentos e também porque tivemos pouco tempo para organizar o evento, a partir do momento em que recebemos luz verde do Governo para avançar, devido à situação de saúde pública”.

O director geral do Atlantic Music Expo explicou que, por motivos financeiros, a feira de stands só acontece na Praia, mas que no próximo ano esperam fazer melhor e ter mais dias de eventos, caso conseguirem financiamento e maior engajamento por parte das empresas de São Vicente e nacionais.

“Na feira contaremos com a participação das câmaras municipais, pessoas ligadas à área da música e artesanato. Este ano não será possível fazer isso em São Vicente dado que perdemos quase seis mil contos de financiamento e termos um défice muito grande”, explica.

Em relação aos artistas seleccionados para o evento, frisou que a partir desta quarta-feira, 8, vão começar a recebê-los, bem assim os jornalistas e profissionais da área de música. “Temos jornalistas e profissionais da área de música de vários países africanos, brasileiros, europeus e dos Estados Unidos da América”.

Gugas Veiga explica que faz todo o sentido realizar esta edição mesmo numa situação extremamente adversa, tanto financeiramente como a nível social.

“Achamos que devemos realizá-la porque é uma forma de dar sinal à sociedade e mostrar que esta área também precisa sobreviver, pois foi uma das áreas mais afectadas durante a pandemia. E é necessário darmos um sinal de que realmente temos que começar a fazer este tipo de eventos porque gera rendimento dentro da economia local, promove os nossos artistas e faz com que consigam contratos, tanto internamente como a nível internacional”, salienta.

“É extremamente importante retomarmos esse tipo de actividades para podermos valorizar cada vez mais a nossa música e a nossa cultura. É realmente importante mostrar às pessoas que podemos fazer esse evento para que no próximo ano possamos ter mais investimento, tanto público como privado”, assegura .

Tendo em conta o aumento de número de casos no país, Gugas Veiga afirmou que vão tentar implementar todas as medidas de segurança que vierem a ser indicadas por parte das autoridades de saúde como forma de minimizar qualquer possibilidade transmissão por parte do público, "sabendo que não é muito fácil, mas vamos fazer os possíveis para sensibilizar as pessoas para esta situação e de modo a praticar o distanciamento e estarem mais seguros no nosso evento".

Expectativa

Conforme disse, o AME deste ano terá uma qualidade musical muito boa. “É um evento feito com muitas dificuldades e com pouco tempo para a sua realização pelo que estamos a contar ter muitas dificuldades, mas a nossa expectativa é de fazer o melhor que pudermos com a colaboração de todos, para dar alegria à população de Cabo Verde, principalmente para as ilhas de Santiago e São Vicente”.

“Esperamos levar alguma alegria musical para a vida dessas pessoas, ao mesmo tempo que procuramos valorizar os nossos artistas e aqueles que foram seleccionados a nível internacional para estarem no nosso país, de modo a conseguirem fazer bons negócios e projectarem as suas carreiras artísticas a partir do AME”, sublinha.

Por outro lado, confessou que nunca teve tanta dificuldade na realização de um evento como este, “estamos a trabalhar numa situação mesmo difícil. Por isso, gostaria de agradecer ao Governo, às câmaras municipais que estão a colaborar e às empresas que continuam e reforçaram a sua ligação ao evento”.


Artistas seleccionados

Para a cidade de Mindelo, a nível internacional estará no palco artistas como Ayom (Brasil), Selma Uamusse (Moçambique), Vox Sambou (Haiti), Wale Ojo and The Milagros (Nigéria), Yelé (Burkina Faso), Fanie Fayar (Congo), Clington Experience (Angola), Marco Oliveira (Portugal), Karyna Gomes (Guiné- Bissau) e DJ Mimi (Bélgica).

E a nível nacional haverá actuação de Anísio, Arisandro, Ceuzany, Dieg, Mamadou Sulabanku, Cordas do Sol, Fattú Djakité, Jennifer Solidad, Natche, Acácia Maior, Fábio Ramos, DJ The Funkman, Dj Rudy Soares e DJ Fat Boy.

Na cidade da Praia estarão artistas internacionais como Serge Ananou (Benin), Kanazoé Orkestra (Burkina Faso), Gren Semé (França), King Abid (Tunísia/Canadá), Aurus (Ilha de Reunião), Bruno Capinan (Brasil), Morena Leraba (Lesotho), El Tabla (Ilhas Maurícias), Jessica Bongos (Nigéria) e Socos Duo (Espanha).

A nível nacional estarão os artistas Mário Marta, Bob Mascarenhas, Marinu, Adé da Costa, Trakinuz, Os Tubarões, Scuru Fitchadu, Sandra Horta, Rodji e Pret & Bronk.

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Autoria:Dulcina Mendes,8 jun 2022 13:03

Editado porA Redacção  em  23 fev 2023 23:27

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