Entre incentivos e críticas positivas, número de carros eléctricos não pára de aumentar

PorSara Almeida,6 abr 2024 7:54

Basta andar na rua para ver que há cada vez mais veículos eléctricos (VE) a circular e acreditam condutores e especialistas do ramo que, em breve, o número crescerá aceleradamente. Composto por ilhas pequenas, portanto, com distâncias curtas, e um clima “amigo” das baterias, Cabo Verde afigura-se como o terreno ideal para este tipo de veículos, e a transição para a mobilidade eléctrica prefigura-se como uma via de sentido único.

O que dizem os condutores?

Manuel Cardoso comprou o seu carro eléctrico em Setembro de 2023 e não poupa elogios à escolha feita. Dois factores o levaram a decidir-se por este tipo de veículo. O primeiro, de menor peso, reconhece, o querer contribuir para a diminuição dos gases de efeito de estufa (GEE), e portanto para melhorar o meio ambiente. O outro motivo, e o mais forte: a poupança financeira.

Poupa-se imenso, garante, no combustível e nas manutenções, que “são poucas ou inexistentes”. Ademais, usufruiu de um “desconto” imediato de 660 contos no preço final do carro, graças ao incentivo dado pelo ProMEC (de que já falaremos) através das concessionárias.

O carro, em si, “tem uma performance brutal” e a sua condução é simples. “Tem uma única mudança contínua. Funciona exactamente como uma acelera (scooter)”, mas com uma “potência enorme”. Além disso, tem uma particularidade: é silencioso. “Entras e não há qualquer tipo de barulho. É uma quebra de tensão gigantesca”, elogia.

Wallbox

Também o marido de Tairine Leal, quando decidiu comprar um carro para a sua esposa, depois de uma análise das características e de ver os catálogos disponíveis, optou por um eléctrico.

Mas antes disso, uma questão se colocava: como carregar/reabastecer? A solução encontrada, junto com a concessionária, foi, no seu caso, simples. Tairine e o marido têm uma empresa, na qual inclusive, usam painéis solares. Assim, a própria concessionária “ofereceu” e instalou na sua empresa uma wallbox (equipamento de uso doméstico que permite carregar o VE).

Começando a semana com a bateria cheia, se não sair para fora da Praia, Tairine só precisa recarregar na sexta-feira. Dá para cinco dias, portanto.

E o tempo que demora a carregar não a incomoda. Carrega geralmente no seu tempo de trabalho e demora, cerca 2h30 a carregar, para chegar dos 0 aos 100%, menos ainda se a bateria já tiver alguma carga.

E se carregar, como às vezes também o faz, no posto de carregamento rápido de Quebra Canela (que ainda é o único do género no país) é apenas 45 minutos.

O testemunho de Manuel é semelhante. O seu carro não tem, considera, muita autonomia. Dá “apenas” para 200 quilómetros reais, mas, para as voltas na cidade, chega e sobra.

Quanto ao tempo de carregamento, é igual a Tarinine: 45 minutos em Quebra Canela, cerca de 3h nos postos “normais”. Já em casa, é bastante diferente. “Se tiver 20% de bateria, demora 6 horas”, mas como carrega durante a noite, não se torna um incómodo.

Também Manuel, que mora num condomínio com garagem, instalou uma wallbox, oferecida pela concessionária para efectuar o carregamento. Essa wallbox foi ligada à sua instalação eléctrica caseira e ao seu contador e, com a energia de casa, carrega o seu carro.

“Acho que há um tabu gigante em relação aos carregamentos, porque na verdade aquilo só custa na primeira semana porque não estás habituado. Depois passa a ser parte da tua rotina.

Funciona como o smartphone”, compara Manuel.

Poupança

Hoje, Tairine congratula-se com a escolha do marido. “A minha experiência com o meu carro eléctrico é muito boa. Durante este primeiro ano de uso, não tenho nenhuma queixa”.

E a poupança? Compensa assim tanto usar os eléctricos? Ambos os condutores dizem que sim.

E vão inclusive além dos números “oficiais”, que apontam 30% de redução dos custos.

Manuel chegava a gastar mais de 30 contos por mês em gasolina. Agora, olhando a sua conta de luz, vê uma diferença de apenas mais sete contos em relação à anteriormente paga. E nos

outros postos, o consumo não chega aos 1500 escudos, por carregamento, acrescenta.

Também Tairine destaca a poupança. Embora seja difícil fazer as contas com o carregador, essencialmente a energia solar, da empresa, às vezes carrega o seu carro nos postos públicos e vê bem a diferença, quando comparado com os depósitos de gasolina. E nunca gastou mais de 1400 escudos para “encher a bateria”.

O que diz o ProMEC?

Desde Junho de 2022, houve 228 pedidos de subsídio à compra de Veículos Eléctricos (VEs), 121 dos quais já cedidos. Esta é apenas uma das vertentes do Projecto Promoção da Mobilidade Eléctrica em Cabo Verde (ProMEC), que tem como principal objectivo aumentar significativamente a quota de VEs em Cabo Verde. A pouco mais de um ano do fim do projecto, o coordenador, Leo Pagnac, faz um ponto de situação e explica as vantagens da mobilidade eléctrica.

É visível que há cada vez mais carros eléctricos nas estradas de Cabo Verde e uma crescente discussão em torno dos mesmos. Uma constatação, com que Leo Pagnac, coordenador do ProMEC, se congratula e que vem mostrar, em ampla medida, que o ProMEC terá tido um papel neste cenário.

O “salto”, na verdade, terá começado a ser dado há relativamente pouco tempo. Com início em Junho de 2020, e muito trabalho de planeamento, foi, a partir de 2022 que o ProMEC entrou, verdadeiramente na face visível da sua implementação, ou seja, a disponibilização dos fundos “para os subsídios e co-financiamentos para aquisição de VE”.

Com isso, qualquer pessoa que se dirija a uma concessionária, passou a contar com um desconto de cerca de 600 contos, um forte incentivo, portanto, que, aliado a outros apoios do Estado de Cabo Verde, tornam a transição para os VE muito apelativa, em termos de compra.

600 VEs

Até ao passado mês de Março, a ProMEC recebeu 228 pedidos de co-financiamento, dos quais foram financiados 121 VEs, que já “rodam no país”. Os restantes 107, explica o coordenador, encontram-se no que é chamado um período de inércia, ou seja, pendentes. “Há uma inércia entre o momento em que uma pessoa pede um VE em uma concessionária e que o VE chega no país”, explica.

Mas a inércia está a diminuir. Há uns tempos “as concessionárias, que não estavam acostumadas a importar veículos eléctricos, não tinham stock”. Agora, Algumas já o têm.

Apesar do ProMEC ainda nem estar a meio da meta final – que é apoiar a aquisição de 600 carros eléctricos de uso particular– também aqui se assiste um grande aceleração dos pedidos, o que deixa antever o cumprimento do objectivo, até Maio de 2025.

Neste momento, em Cabo Verde, e embora quase todas as novas compras passem pelo projecto, a frota financiada pela ProMEC representa cerca de 85% do total de VEs no país.

Ora, fazendo contas o número total de VEs ainda estará aquém dos 300…

600 contos

O processo para usufruto do incentivo financeiro, “o coração do projecto”, é o seguinte: o cliente escolhe o VE que quer comprar na concessionária, esta encomenda a viatura e é feito o pedido. O carro chega, é feito o registo, que é enviado para o ProMEC, o incentivo é liberado e isso reflecte-se imediatamente no valor pago pelo cliente.

“Se preço do veículo for 25.000 euros, recebe um desconto de 5.500 euros, se for um individual. Ou seja, vai pagar 19.500, em vez de 25.000 euros”, explica Pagnac.

O valor do apoio é atribuído por categoria do VE – sendo que o cliente usufrui ainda, à margem do projecto, de várias isenções e “descontos” nos impostos por parte do governo (IVA, ICE,

importação…)

No entanto, nem todos são elegíveis: veículos de luxo, acima dos 55 mil euros, não são co-financiados pelo ProMEC.

Via concessionárias

O apoio do ProMEC, como referido, é atribuído directamente via concessionária.

De três que aderiram no início do projecto, já se passou para seis, ou seja praticamente todas, “A ideia é de constituir uma rede nacional de concessionários que vendem VE”, conta o coordenador.

Assim, não são subsidiados veículos que sejam comprados directamente no exterior.

E há uma razão por trás disso. “Quem vai dar garantia ao veículo, nacionalmente? Ninguém”.

Por isso, o primeiro passo foi “ identificar concessionários que estavam interessados, mostrar-lhes os ganhos e benefícios de participar no nosso programa e ‘forçá-los’ a oferecerem três anos de garantia para veículo e cinco anos para bateria”, explica. Ou seja, com isto, há a garantia de manutenção do veículo, bem como o conforto em investir nessa tecnologia.

Actualmente haverá cerca de 14 marcas de VEs a serem comercializadas no país, o que no entender de Leo Pagnac representa já uma boa oferta.

Ovo e Galinha

Para fazer a transição , há que garantir que tudo o mais, a montante e jusante, também funcione. Assim, desde Junho passado está a ser montada uma rede nacional de postos de carregamento públicos, através da concessionária, a empresa Trações Elétricas de Cabo Verde (TECV), que foi encarregue de implementar 40 postos.

Serão suficientes? “Acho que o Cabo Verde, com esse quadro de proporção de postos de carregamentos e frota de veículos eléctricos presente, é um país que tem uma das proporção mais altas do mundo. Ou seja, há muitos postos de carregamentos para VE”, analisa Leo Pagnac. Isto porque, como lembra, os proprietários de VE podem também carregar “na tomada de casa”.

Inclusive, a ProMEC dá um subsídio, de cerca de 800 euros (88 contos), para as wallbox, segundo Pagnac, (embora, como vimos, as concessionárias as costumem oferecer). Estas wallbox, costumam custar entre 1000 a 1200 euros (110 a 130 contos).

Outros VE

Temos falado de carros particulares, pois nível dos transportes públicos, estão previstos outros tipos de incentivo. Por exemplo, para um táxi o subsídio pode ir até 8000 euros (880 contos).

Um valor bastante superior, uma vez que é uma prioridade ajudar a comunidade de táxis a fazer essa transição da sua frota, já que eles rodam cerca de 10 vezes mais do que um individual diariamente. Então, o impacto em termos de redução de emissões de CO2 é muito alto”, justifica.

Quanto aos transportes urbanos colectivos, haverá um co-financiamento para testar a nova tecnologia na frota. Nesse sentido, o ProMEC está a fechar acordos de financiamento com a Transcor (Mindelo) e SolAtlântico (Praia), para depois lançar um concurso e escolher o fornecedor do autocarros eléctricos.

“A dificuldade aqui é de atrair fornecedores. Somos um mercado pequeno e no quadro de um projecto piloto, sofremos uma deficiente atractividade. Mas, com certeza, vamos ter esses autocarros, pelo menos, no início do ano que vem”. Estavam inicialmente previstos dois autocarros para cada cidade, no âmbito deste projecto piloto a implementar pelo ProMEC, mas, devido à inflação dos preços, será apenas um por cidade.

Os veículos marítimos não estão contemplados pelo ProMEC.

Outros eixos

Entretanto, uma outra componente do ProMEC é a Monitorização e relatório das emissões de gases de efeitos de estufa (GEE) relacionadas com o transporte rodoviário. “É um dos grandes eixos do nosso trabalho, porque estamos aqui para, justamente, limitar as emissões de CO2, através da tecnologia dos veículos eléctricos”, refere.

Um outro eixo destacado é a formação. No início do ano já decorreu uma formação para bombeiros e Protecção Civil, para os capacitar em “intervenção em caso de acidente com VE e desmistificar os medos e o desconhecimento sobre esse assunto”.

Ademais, a nível de formação profissional, o projecto está a trabalhar com o CERMI e o IEFP, para formação dos mecânicos e técnicos que fazem a instalação dos postos de carregamento.

As concessionárias que trabalham com o ProMEC têm já de ter mecânicos certificados na manutenção dos VE, bem como as empresas que instalam os postos de carregamento devem ter essa certificação. Mas “no futuro, vamos precisar de mais mão de obra nesse ramo”, garante Pagnac. “É um sector que está a crescer bastante e é preciso dotar o país da mão-de-obra, com conhecimento certo para poder atender os requisitos dos mercados”.

Quadro ideal

Voltando às baterias dos VE (que correspondem a 60 a 70% do preço da viatura). Uma das razões que faz de Cabo Verde um bom local para o uso de VE é o seu clima “amigo” das baterias.

Isto porque, como explica Leo Pagnac, as baterias dos VE não reagem bem a grande variações de temperatura, nem ao frio. “Ou seja, duas coisas que não existem aqui. Então, isso com certeza cria condições para ter uma vida útil das baterias mais longa” (oito a dez anos, em média).

Além disso, ao contrário de outras partes do mundo, as distâncias em Cabo Verde são curtas.

Uma pessoa, em média, roda em Cabo Verde cerca de 15 a 20 km por dia, expõe o coordenador do ProMeC. Mesmo Praia-Tarrafal, ida e volta, são cerca de 160 km. Distância que qualquer bateria, hoje, aguenta e ainda “sobra”.

“Cabo Verde é um quadro ideal para o veículo eléctrico, porque não se põe a questão da autonomia. Nos Estados Unidos, por exemplo, você pode andar quatro mil quilómetros entre duas cidades, e nesse caso precisa de uma infra-estrutura que o permite, mas não em Cabo Verde”, conclui.

ProMEC

	O ProMEC é promovido pelo Governo de Cabo Verde e implementado pela Agência Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ) em colaboração com o Ministério de Indústria, Comércio e Energia. Conta com financiamento no valor de cerca 793,9 milhões de Escudos (cerca de 7,2 milhões de euros) atribuído pelo Mitigation Action Facility, um fundo climático alimentado por vários financiadores, que identifica projectos inovadores a nível mundial para limitar as emissões de CO2. O projecto tem uma duraçãoprevista de 5 anos, com início em Junho de 2020 e término em Maio de 2025.

O que diz a TECV?

A Trações Elétricas de Cabo Verde (TECV), constituída pela Águas de Ponta Preta (APP) para desenvolver as actividades da mobilidade eléctrica, detém a concessão dos postos de recarga públicos para VE em todo o país. O número previsto no contrato é de 40 postos, até Junho de 2024. A poucos meses da data limite, pouco mais de metade dos postos estão em funcionamento, mas o coordenador da TECV, Randi Graça, acredita que tudo correrá como planeado, pois, também aqui, os processos estão a acelerar.

Para Randi Graça o aparente “boom” a que se assiste em termos de VE não é surpresa. Pelo contrário. “Achamos que poderia estar um pouco mais acelerado”. Assim, na sua opinião o “boom” ainda está para vir – e acredita que irá acontecer - e o número de VE em Cabo Verde, de momento, ainda não é satisfatório.

Contas feitas de cabeça, para a TECV ter alguma rentabilidade inicial nesta concessão – de duração de 7 anos, com possibilidade de renovação - , seria preciso estarem no mercado à  volta de 600 a 700 VE, e todos eles carregarem na infra-estrutura pública. Nem a meio vamos…

“Mas este valor vai aumentando com o tempo, à medida que também vamos aumentando o número de carregadores na via pública”, diz confiante.

E com mais carros, a expectativa é, também, que se consiga “descer a tarifa de electricidade nos próximos tempos e ter essa rentabilidade”.

Expectativas à parte, o grande foco agora é concluir, em três meses, a instalação dos quase 20 postos que ainda faltam.

Desafios

Quarenta postos. Este foi o número estabelecido no contrato de concessão, que contempla também os locais onde serão instalados.

O trabalho tem sido feito, mas com alguns desafios entre os quais se destaca “o tempo de processamento que leva cada instituição para atribuir as licenças”.

Conforme explica Randi Graça, a empresa demora apenas 3, 4 dias para instalar um posto de recarga.

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“Mas, para ter o posto de recarga instalado, precisamos de autorizações. Como tratamos de instalações em via pública, precisamos de ter autorizações das câmaras municipais e também de ter os projectos aprovados, por exemplo, na Electra. Então, como cada instituição leva o seu tempo, este acúmulo de tempo acaba por” tornar o processo mais desafiante, especifica.

Apesar dos desafios, Randi Graça está confiante do cumprimento do prazo.

“Os processos estão a avançar, alguns já estão mais desbloqueados, e com a divulgação que tem sido feita desde que iniciamos as primeiras instalações, em Outubro do ano passado, acredito que os municípios já estão mais por dentro do projecto”, e todos os gabinetes da Electra conhecem o projecto e a TECV. Assim sendo, a receptividade é maior, e isso fomenta a rapidez.

“Ultrapassando a fase de licenciamentos, a instalação é bem rápida, por isso, sim, estamos convictos de que em três meses conseguimos terminar tudo”, resume.

Carregando

Entre os postos já instalados, um se salienta (como aliás, já referido): o de Quebra Canela, único posto de recarga rápida do país. Quer isto dizer que este possui “mangueiras para recarga rápida, em que um carro com uma bateria média de 30 kWh consegue ir do 0 aos 100% em, mais ou menos, 40 minutos”, explica. Quanto maior a bateria do VE, mais tempo demorará. E a potência que o carro consegue receber também dita o tempo de recarga.

Mesmo assim, comparando com os outros postos de recarga, semi-rápidos, a diferença é grande. Estes, que constituem o resto da rede, demoram em média 3 horas.

Uma outra questão técnica que se coloca quando se fala em recarregamento, são os carregadores. A TECV, por imposição da concessão, usa o padrão europeu. Ora muitos carros vêm de países que usam modelos diferentes. No entanto, Randi Graça, não considera isto um problema uma vez que o adaptador pode ser facilmente comprado via internet, por menos de 5 mil escudos.

Inclusive, e isto é o que considera que deveria ser feito, “cada concessionária que está a vender os carros e se está a vender com um padrão diferente da infra-estrutura pública, deveria já contemplar o adaptador”.

Energias verdes

Neste momento, o quilowatt nos postos da TECV custa 48,44 escudos e em casa, custa 41,53.

Em comum? A energia vem da empresa pública – Electra.

Na verdade, o timing de um ano para instalar dos postos não permitiu ainda avançar para a alimentação através de energias renováveis, mas a ideia é que, terminada essa fase de instalação e, portanto, satisfeito o primeiro objectivo, passar para as energias alternativas.

“A seguir, numa segunda fase, vamos contemplar as zonas de maior intensidade de consumo, com coberturas fotovoltaicas, para ter um mix de energia entregue aos veículos”, garante Randi Graça.

No Sal, aliás, o processo está mais avançado, uma vez que há postos de recarga instalados em edifícios com instalações fotovoltaicas.

“A TECV tem carregadores na sede da Águas Ponta Preta, que são livres para utilização pública.

A energia, em certas horas do dia, é 100% renovável, limpa, porque contamos com uma instalação fotovoltaica de cerca de 1,3 a 1,4 megawatt-hora”.

Também no posto instalado no Hotel Odjo d’água – “o primeiro posto de recarga instalado na via pública e para utilização pública no país, em Junho de 2023” – permite o recurso a renováveis , uma vez que o hotel “tem uma instalação fotovoltaica de cerca de 70, 80 quilowatts em painéis solares”.

Em relação às outras ilhas, o processo de transição energética também já está a ser preparado.

“Como há modelos pre-feitos e modulares de coberturas fotovoltaicas, temos deixado as instalações eléctricas dos carregadores minimamente preparadas para receber mais equipamentos orientados para a produção fotovoltaica”, explica o engenheiro.

E assim, será possível fazer os VE cumprirem, um pouco mais, a sua vocação: diminuir as emissões de GEE…

O aplicativo – Guia Prático

Para carregar num posto público, o primeiro passo a fazer é fazer o download do aplicativo TECV. O QR Code que todos os carregadores instalados têm encaminha para a página, descarrega-se o aplicativo e instala-se.

Depois o utilizador cria a sua conta, e a partir daí, tem acesso a um mapa em tempo real, onde poderá ver todos os pontos de recarga que temos na ilha e no país.

Se o ícone do carregador estiver a verde é sinal que o posto está disponível; se estiver a azul é porque está ocupado; vermelho significa que o posto está em manutenção e cinzento é para “sem comunicação” (ou seja, não há comunicação disponível com o posto de carregamento, o que pode impedir o uso).

Quanto ao pagamento, há “um sistema de pagamento online, em parceria com a empresa SISP, onde o usuário precisa carregar saldo na sua carteira virtual do aplicativo”. Depois usa o saldo para o carregamento.

Entretanto, para empresas existe um regime de pós-pagamento, em que é disponibilizado um chip. No final do mês é emitida a factura e enviada às empresas para pagamento.

Os contra e as dúvidas

Isto não é uma publireportagem, mas todos os entrevistados, implicados no “negócio” ou simples proprietários, assim o fazem parecer. Manuel Cardoso, como referido, está muito contente com o seu carro eléctrico, e os seus amigos, que garante estarem todos a migrar para a mobilidade eléctrica também estão “satisfeitos”. Também os amigos de Tairine que já usam veículos eléctricos, próprios, das empresas ou do Estado, estão de acordo. “A experiência é boa e estão a gostar até porque estão a poupar no combustível e não têm tido problema nenhum com o carro”, observa. Mas, como em tudo, há questões menos boas a assinalar. A começar pelo..carregamento. Tanto Tairine como Manuel têm locais onde podem carregar o seu carroconfortavelmente. Mas e quem não tem? Manuel admite que, “o conforto do carro eléctrico depende em 100% de teres um carregador em casa”. “Se não tiveres, e a mim aconteceu-me no início, tens que deixar o carro a carregar nos postos e ficas privado de utilizar o carro” durante parte da manhã ou da tarde. “Portanto, teres o carregador em casa é a parte importante dessa coisa. Mesmo importante”, admite. Outra questão, quase paradoxal é que os VE, que vêm reduzir as emissões de GEE, por enquanto, usam energia que é (ainda) maioritariamente produzida por combustíveis fósseis. A ideia é que progressivamente haja cada vez mais postos alimentados por energias renováveis (já existem alguns, nomeadamente nas empresas privadas) e, ademais há o compromisso do governo de atingir 30% da produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis até 2025. Uma outra questão, é a questão das baterias e da pegada ecológica deixada pelas mesmas. Não sendo este o tema desta peça, o certo é que a pegada é comum a todas as baterias, estas e as convencionais, pelo que, não, quando falamos em VE, não estamos a falar em nada 100% “Verde”, mas em mitigar pegadas. 

Reportagem realizada no âmbito do programa Terra África, da CFI – Agência Francesa de Desenvolvimento dos Media.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1166 de 3 de Abril de 2024.

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Autoria:Sara Almeida,6 abr 2024 7:54

Editado porSara Almeida  em  22 jun 2024 23:28

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