Países estão fora do caminho para atingir metas de educação até 2030

PorExpresso das Ilhas, ONU News,10 jul 2019 8:28

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável enfatiza a necessidade de “não deixar ninguém para trás”.
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável enfatiza a necessidade de “não deixar ninguém para trás”.Foto: UnicefEthiopia/2018/Mersha

​A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) alerta que os países não vão atingir as metas educacionais da Agenda 2030, o ODS número 4, sem importantes progressos ao longo da próxima década.

As projecções da agência foram feitas antes do Fórum Político de Alto Nível da ONU, em Nova Iorque, que examina o processo para alcançar os ODS. Os dados mostram que, enquanto todas as crianças deveriam estar na escola, uma em cada seis crianças de seis aos 17 anos será excluída do sistema educacional até 2030.

A UNESCO também indica que 40% das crianças do mundo não conseguirão concluir o ensino secundário nesse período. A percentagem deve chegar a 50% na África Subsariana, onde a proporção de professores capacitados tem caído desde 2000.

As novas projecções, “atingindo compromissos: os países estão no caminho para alcançar o ODS 4?” foram produzidas pelo Instituto de Estatísticas da UNESCO e pelo Relatório de Monitorização da Educação Global.

Para a agência, os números são preocupantes, considerando que o ODS 4 prevê um aprendizado efectivo, não apenas a presença na escola.

Considerando as actuais tendências, as taxas de aprendizagem devem estagnar nos países de rendimento médio e cair em quase um terço nos países africanos francófonos até 2030.

Além disso, sem uma rápida aceleração, 20% dos jovens e 30% dos adultos em países de rendimento baixo não conseguirão ler até 2030. Para esse período foi definida a eliminação do analfabetismo no mundo.

UnicefEtiópia/2018/Mersha
UnicefEtiópia/2018/Mersha

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável enfatiza a necessidade de “não deixar ninguém para trás”. No entanto, apenas 4% dos 20% mais pobres concluíram o ensino médio nos países menos desenvolvidos, em comparação com 36% dos mais ricos. A diferença é ainda maior em países de rendimento baixo e médio.

Em 2015, o Relatório de Monitorização da Educação Global da UNESCO identificou um défice de 39 mil milhões de dólares para atingir o ODS 4, mas a ajuda para a educação estagnou desde 2010.

A directora do Instituto de Estatísticas da UNESCO, Silvia Montoya, destaca que “os países precisam de mais e melhores dados para implementar políticas e fazer o máximo possível com cada dólar gasto em educação.”

"Os dados são necessários, não um luxo, para todos os países (...) actualmente, menos da metade das nações são capazes de fornecer os dados necessários para monitorizar o progresso rumo ao objectivo global de educação.”

Uma publicação complementar do Relatório de Monitorização da Educação Global analisa políticas que as nações afirmam ter adoptado desde 2015 para atingir as metas nesse sector, destacando a necessidade de alinhar os planos nacionais de educação ao ODS 4.

O director do relatório, Manos Antoninis, disse que “os países interpretaram o significado das metas do objectivo global de educação de maneiras muito diferentes” e que “isso parece correto”, já que estes partem de pontos diferentes.

Antoninis apontou que mesmo assim, “eles não se podem desviar muito das promessas feitas em 2015.” Para ele, “se os países ajustarem os seus planos aos seus compromissos agora, estes podem voltar aos trilhos rumo a 2030.”

O relatório mostra que muitos países priorizaram a equidade e a inclusão desde 2015, para cumprir suas obrigações.

UnicefEthiopia/2018/Mersha
UnicefEthiopia/2018/Mersha

Entre os exemplos estão os vales escolares emitidos para estudantes indígenas na Bolívia, as taxas de ensino que foram abolidas para os mais pobres no Vietname, as transferências monetárias condicionais dadas para crianças refugiadas na Turquia e crianças com deficiências intelectuais graves na África do Sul.

A aprendizagem também tem sido priorizada, com um terço dos países a introduzir avaliações para analisar as tendências ao longo do tempo. Um em cada quatro países usa os resultados da aprendizagem para reformar os seus currículos.

As sinergias mais fracas entre os planos dos países e seus compromissos de educação são vistas na falta de colaboração inter-sectorial, que normalmente só pode ser encontrada em tentativas de vincular a educação na primeira infância e a assistência médica e, mais tarde, a educação e o mercado de trabalho.

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Autoria:Expresso das Ilhas, ONU News,10 jul 2019 8:28

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  21 jul 2019 18:19

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