​Fome atinge mais de 820 milhões de pessoas no mundo

PorExpresso das Ilhas, ONU News,16 jul 2019 8:08

Após décadas de declínio constante, a tendência da fome no mundo, que é medida pela prevalência da desnutrição, foi revertida em 2015. Nos últimos três anos, as taxas permaneceram praticamente inalteradas num nível ligeiramente abaixo de 11%.

No entanto, o número de pessoas atingidas pela fome aumentou lentamente. Como resultado, mais de 820 milhões de pessoas no mundo ainda passavam fome em 2018, ressaltando o imenso desafio de atingir a meta do Fome Zero até 2030.

Os dados constam no relatório o Estado da Insegurança Alimentar e Nutricional no Mundo em 2019, lançado esta segunda-feira por cinco agências da ONU.

Em entrevista à ONU News de Roma, a especialista em segurança alimentar e nutrição da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Anne Kepple, explicou que este ano o relatório também introduziu um segundo indicador para fazer o monitoramento da fome e o acesso aos alimentos no contexto da agência 2030.

“Esse indicador analisa a prevalência da insegurança alimentar moderada ou grave, baseada na escala de experiência de insegurança alimentar. Esse indicador vai além da fome e fornece uma estimativa do número de pessoas sem acesso estável a alimentos nutritivos e suficientes durante todo o ano. Quando consideramos o número de pessoas com insegurança alimentar severa, ou seja, as pessoas que passam fome, junto com as pessoas com insegurança alimentar moderada, a FAO estima que o número chegue a 2 mil milhões de pessoas no mundo”.

De acordo com o relatório, a situação é mais preocupante em África. A região tem as maiores taxas de fome do mundo e apresenta índices que continuam crescendo lentamente, mas constantemente em quase todas as sub-regiões.

Na África Oriental, em particular, cerca de um terço da população, 30,8%, está subnutrida. Além do clima e do conflito, a desaceleração e a retracção da economia estão a impulsionar o crescimento.

Desde 2011, quase metade dos países onde a fome crescente ocorreu devido a desacelerações económicas ou estagnação foram na África.

O estudo aponta também que o maior número de pessoas subnutridas, mais de 500 milhões, vive na Ásia, principalmente nos países do sul da Ásia.

Juntos, África e Ásia têm a maior parcela de todas as formas de desnutrição, sendo responsáveis por mais de nove entre 10 crianças com atraso no crescimento e mais de nove entre 10 crianças com debilitação em todo o mundo.

Menores com debilitação são aqueles que sofrem de desnutrição aguda, marcados pelo fato de estarem abaixo do peso para sua altura.

No sul da Ásia e na África Subsaariana, uma em cada três crianças é raquítica.

Kepple destacou que países como Angola e Moçambique apresentaram melhorias nos índices.

“Nos últimos 12 anos, vamos dizer, a prevalência da subalimentação em Angola caiu pela metade, de 55% para 25% da população e em Moçambique também, a prevalência da subalimentação caiu nesse mesmo período, de 37% para 28%. Ou seja, em ambos os países a tendência é positiva, porém, a situação continua preocupante. Em Cabo Verde e no Brasil a situação é melhor. Em Cabo Verde, a fome atingiu 13% da população e menos de 2,5% da população no Brasil.”

O relatório também traz este ano um alerta sobre o sobrepeso e a obesidade, que continuam a aumentar em todas as regiões, particularmente entre crianças em idade escolar e adultos. Em 2018, a estimativa é de que 40 milhões de crianças menores de cinco anos estavam acima do peso.

Levando em consideração os dados apontados pelo estudo, Kepple acredita que os desafios são grandes, mas que o alcance da Fome Zero até 2030 não é impossível.

“De facto, precisamos redobrar as forças no combate à fome, mas é possível, sim. Não que seja simples em face aos desafios colocados pelas mudanças climáticas, os conflitos no mundo e os desequilíbrios de poder e as desigualdades. Mas é preciso elucidar e resolver as causas básicas da fome. São necessárias políticas e transformações estruturais pró-pobre, que protejam e empoderem as populações menos abastecidas e mais vulneráveis.

Para Kepple, é preciso reconhecer que “todos beneficiam de uma sociedade sem fome, todos prosperam”.

O lançamento do relatório foi feito pela FAO, a Organização Mundial da Saúde, OMS, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Mundial de Alimentação (PMA) e o Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária (OCHA). 

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Autoria:Expresso das Ilhas, ONU News,16 jul 2019 8:08

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  4 dez 2019 23:22

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