Massad Boulos inicia a visita na quinta-feira, passando pela RDCongo, Quénia, Ruanda e Uganda com o intuito de "promover esforços a favor de uma paz duradoura" no país congolês, salientou o Departamento de Estado dos EUA em comunicado.
Para além dos encontros previstos com os chefes de Estado, o conselheiro para África também se vai encontrar com líderes empresariais para promover o investimento do setor privado norte-americano na região.
Boulos, um empresário nascido no Líbano e sogro da filha do Presidente dos EUA, Donald Trump, é também conselheiro para o Médio Oriente.
O conflito no leste da RDCongo agravou-se no final de janeiro, quando o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) tomou Goma, capital da província de Kivu do Norte, e Bukavu, capital da província vizinha de Kivu do Sul, ambas fronteiriças com o Ruanda e ricas em minerais como o ouro e o coltan, essenciais para a indústria tecnológica e para o fabrico de telemóveis.
O M23 é apoiado pelo Ruanda, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e países como os EUA, a Alemanha e a França.
Desde a escalada do conflito, cerca de 1.2 milhões de pessoas foram deslocadas nestas províncias orientais, de acordo com o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC).
Além disso, os combates que eclodiram em Goma e nos arredores causaram a morte de mais de 8.500 pessoas em janeiro, afirmou o ministro da Saúde Pública congolês, Samuel Roger Kamba, no final de fevereiro.
A atividade armada do M23, um grupo constituído principalmente por tutsis vítimas do genocídio ruandês de 1994, recomeçou no Kivu do Norte em Novembro de 2021 com ataques contra o exército congolês e, desde então, tem avançado em várias frentes, fazendo temer uma possível guerra regional.
O M23 está a preservar as suas conquistas territoriais dos últimos meses, numa ofensiva que levou a RDCongo a acusar diretamente o Ruanda de enviar tropas para o seu território para apoiar as operações do M23, no meio de apelos regionais falhados para um cessar-fogo e um processo de paz.
As autoridades ruandesas acusam o Governo da RDCongo de reprimir os tutsis congoleses, uma minoria no leste do país, com o apoio de grupos armados.
A crise devastadora no leste do país continua sem solução à vista, após o Presidente angolano, João Lourenço, ter anunciado o fim do seu papel de mediador no conflito, depois de se ter declarado incapaz de aproximar as duas partes.
Desde 1998, o leste da RDCongo está mergulhado num conflito alimentado por milícias rebeldes e pelo exército, apesar da presença da missão de manutenção da paz da ONU (Monusco).