​Redução da captura leva APESC a pedir plano de mitigação

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,28 out 2019 12:41

João Lima e Suzano Vicente
João Lima e Suzano Vicente(Rádio Morabeza)

A Associação dos Armadores de Pesca (APESC) pede ao Governo a adopção, com urgência, de um plano de mitigação para o sector. Em causa, a baixa captura registada este ano, com uma redução de 72% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em conferência de imprensa, hoje, em São Vicente, o presidente da APESC, denunciou uma situação crítica, com os operadores a não conseguirem assumir as suas responsabilidades. João Lima diz que, neste momento, o total da descarga no Complexo de Pesca ronda os 1.394 quilos de pescado. No ano passado, neste mesmo período, foram descarregadas 4.977 toneladas.

“Temos uma quebra de 72%, que é muita. Não há captura, não há negócio, não estamos a conseguir assumir as nossas responsabilidades com os fornecedores e com os bancos. Por isso, estamos aqui a pedir este plano de mitigação. É mais um grito de alerta, e agora vamos aguardar com muita expectativa a resposta do Governo, na pessoa do senhor Primeiro-Ministro e da sua equipa, para sentarmos à mesa e fazermos um plano de mitigação para o mau ano de pesca em Cabo Verde”, diz.

A APESC recorda que os armadores nacionais não têm capacidade para irem pescar na vasta Zona Económica Exclusiva e enfrentam o problema de colocação de Dispositivos de Concentração de Peixe (DCP) dentro da ZEE de Cabo Verde, o que está a afugentar os cardumes que entravam nos bancos de pesca e nas zonas de captura para pesca artesanal, “que é um sector que está a sofrer neste país”. Para além das alterações climáticas, João Lima diz que a fraca captura deve-se a factores de ordem concorrencial.

“A concorrência directa aos armadores nacionais, todo o mundo sabe que é os acordos que o Estado de Cabo Verde assina com os países. Nós entendemos que qualquer Governo em Cabo Verde pode assinar acordos porque estamos num mundo globalizado, mas tem que precaver a situação dos armadores nacionais da pesca artesanal e da sociedade civil. Com os barquinhos de 14 a 25 metros que nós temos, não temos capacidade de ir pescar na nossa Zona Económica Exclusiva, na sua globalidade. É por isso que estamos a pedir também a embarcação para a cooperativa nacional que criámos”, refere.

No sentido de ajudar a mitigar a situação, a associação sugere uma série de medidas, nomeadamente isentar os armadores nacionais do pagamento de licenças para o ano económico de 2020, a uniformização do subsídio de gelo para todos os complexos de pesca, assim como uma reavaliação das tarifas praticadas no Complexo de Pesca de Cova de Inglesa.

“Apoiar com uma planificação que nós já temos para aquisição, num futuro muito próximo, de um navio industrial para a cooperativa que nós criamos, que possa operar na nossa Zona Económica Exclusiva, e também que o Governo, o mais breve possível, faça o favor de fazer a implementação do Campos do Mar porque o sector das pescas está com graves problemas na área da formação”, aponta.

A APESC propõe igualmente uma reavaliação técnica e criteriosa do chamado período de defeso da cavala preta, por considerar extenso o intervalo de 15 de Julho a 15 de Setembro. As sugestões já estão na posse do Governo há cerca de uma semana, de quem a APESC espera uma resposta favorável.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,28 out 2019 12:41

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  18 nov 2019 17:19

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