Sputnik é nome de vacina. Será segura?

PorNuno Andrade Ferreira,13 ago 2020 13:27

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Da Rússia chegou esta semana uma vacina com nome de satélite, mas a novidade levantou mais dúvidas que certezas. Os testes à covid servem para recolher o nosso DNA? E o que são sintomas atípicos?

Leu certamente a notícia de que a Rússia se tornou o primeiro país do mundo a registar uma vacina para o SARS-CoV-2. O anúncio foi feito pelo presidente do país, Vladimir Putin. Para atestar a segurança do fármaco, Putin disse que uma das suas filhas já foi inoculada.

Russia unveils coronavirus vaccine 'Sputnik V,' claiming breakthrough in global race before final testing complete

MOSCOW - Russian President Vladimir Putin claimed Tuesday that Russian scientists achieved a breakthrough in the global vaccine race, announcing that the country has become the first to approve an experimental coronavirus vaccine and that his own daughter has already taken a dose.

A Rússia espera colocar a vacina em circulação a 1 de Janeiro de 2021, recebendo esta o peculiar nome de Sputnik V, uma referência ao primeiro satélite orbital lançado pela então União Soviética.

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O chefe de Estado russo garante que a vacina não só é eficaz, como superou todas as fases de teste necessárias para certificar a sua segurança.

Profissionais de saúde, professores e outros grupos de risco serão os primeiros a receber a Sputnik V. A Rússia espera produzir milhares de doses da vacina, até ao final do ano, e milhões, a partir de Janeiro.

Mas esta história tem vários 'mas'. O primeiro é que a vacina ainda não concluiu a chamada fase 3, durante a qual são testados milhares de pacientes, avaliando a segurança e efectividade da vacina. Até agora, ela foi apenas testada em membros do exército, outros voluntários e os próprios cientistas que a desenvolveram.

A própria Organização Mundial de Saúde recebeu com cautela a notícia sobre o registo da vacina, alertando para a necessidade de serem cumpridos todos os procedimentos de pré-qualificação e revisão de dados.

A corrida por uma ou, idealmente, várias vacinas contra o novo coronavírus está ao rubro. Dado curioso é que a a vacina russa não estava entre as seis que apareciam sucessivamente como sendo as mais avançadas. Existem, neste momento, mais de 160 candidatas, em diferentes etapas de desenvolvimento. Algumas delas já revelaram resultados promissores e estão na última fase de testes.

No Gazeta do Povo é possível ir acompanhando a evolução dessas vacinas, num gráfico actualizado regularmente.

Vacina contra Covid-19: quando estará disponível no Brasil? | Infográficos | Gazeta do Povo

Monitor das vacinas contra a Covid-19 Situação atual das vacinas Atualizado em Fase pré-clínica Fase clínica Aprovada Fonte: Organização Mundial da Saúde. Publicado em: 06/08/2020. Texto e apuração: equipe Sempre Família. Design: Osvalter Urbinati e Guilherme Storck. Desenvolvimento: Gabriela Dal Toé e Gabriel Rosas.

A 11 de Agosto, a situação era a seguinte:

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As notícias mais recentes apontam que a vacina da Pfizer e BioNTech apresentou resultados positivos.

Também esta semana, o presidente dos Estados Unidos anunciou um acordo para a compra da vacina da Moderna, uma das que está mais avançada.

Do satélite à vacina: entenda o significado do nome Sputnik para a Rússia

Em meio a uma série de questionamentos, a Rússia anunciou nesta terça-feira (11) que o país registrou a primeira vacina contra a Covid-19 no mundo. O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Gamaleya de Moscou, foi batizado como Sputnik V, em alusão ao satélite soviético lançado em 1957 na órbita da Terra.

Testes

O diagnóstico do SARS-CoV-2 é feito através da realização de testes. Estes procedimentos são essenciais para a detenção de casos de infecção e implementação de políticas sanitárias de controlo da doença.

Desde o início da pandemia, muitas têm sido as notícias sobre os tipos de teste aplicados, a sua fiabilidade, e relevância. Por isso, esta semana, vamos perceber melhor quais as principais formas de diagnóstico do novo coronavírus, e o que distingue cada uma delas.

Existem dois grandes tipos de teste. Os testes PCR e os testes rápidos. A metodologia de aplicação e os resultados obtidos são muito diferentes.

Comecemos pelos testes RT-PCR. 

"Para detectar a presença do coronavírus, é feito um teste molecular. Ele procura sequências genéticas especificas do SARS-CoV-2. Com uma cotonete estéril é retirada uma amostra do nariz, do fundo da garganta ou do escarro do paciente. Num laboratório especializado, é feita a analise, usando uma técnica que amplia as partes de um genoma. O resultado sai em poucas horas e é positivo se dois genes específicos forem detectados", refere um vídeo sobre o tema, publicado pelo portal UOL.

Muito comuns em Cabo Verde, os testes rápidos também são usados nas estratégias de vigilância epidemiológica.

"Para identificar se um individuo foi infectado recentemente pelo novo coronavírus é feito um teste serológico. Uma amostra de sangue é retirada, para procurar por anticorpos produzidos pelo sistema imunológico (...) São procurados dois tipos de anticorpos, IGM produzidos no inicio da infecção, e IGG, que aparecem mais tarde. Se o paciente apresenta os dois quer dizer que ainda está infectado, se aparecer apenas o IGG, o paciente está em recuperação ou completamente recuperado. Isso significa que ele tem certa imunidade ao vírus, mas não se sabe qual a duração dessa imunidade. Os resultados desses testes saem em poucos minutos", acrescenta o vídeo do portal brasileiro. 

COMO DETECTAR SE UMA PESSOA TEM OU NÃO O CORONAVÍRUS

Veja quais são os dois tipos de teste para detectar a presença do vírus que causa a covid-19. #CORONAVÍRUS #COVID-19 #TESTE #PANDEMIA -----------------------...

Percebe-se que estamos perante testes diferentes, com âmbitos, resultados e objectivos distintos. Os testes RT-PCR são considerados eficazes no diagnóstico do coronavírus. Os testes rápidos cumprem propósitos fundamentalmente serológicos e só secundariamente servem para detectar uma infecção activa.

Apesar de alguma desinformação em sentido contrário, os testes PCR são seguros.

Eventuais riscos sobre a sua aplicação têm sido escrutinados e desmentidos por portais de verificação de factos. Boatos sobre um alegado esquema para recolher o ADN da população já foram amplamente desmontados. Também foi desmentido o rumor de que a zaragatoa (a tal cotonete), ao ser introduzida nas vias respiratórias, chegaria ao cérebro

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O pior que acontece ao submeter-se a um teste PCR é sentir um certo desconforto, mas sem dor.

No caso de Cabo Verde, os testes PCR são executados pelas autoridades de saúde. As amostras são processadas nos laboratórios de virologia do Instituto Nacional de Saúde Pública.

Sintomas atípicos

Tosse, febre, mal-estar geral contam-se entre os sintomas mais comuns de quem é infectado com o novo coronavírus. Sabemos também que a infecção tem uma alta taxa de assintomáticos, ou seja, pessoas que estão infectadas mas não desenvolvem sintomas.

Vemos a circular, contudo, notícias sobre outro tipo de sintomatologia, associada à covid-19 e que foge daquilo que nos tem sido apresentado como os "sintomas frequentes". Como é que isto é possível?

Comecemos por recordar um spot do Instituto Nacional de Saúde Pública sobre os sintomas habituais da doença:

À medida que vamos sabendo mais sobre a covid e à medida que mais e mais pessoas vão relatando outro tipo de reacções à doença, surgem relatos de outro tipo de manifestações que fogem àquilo que é considerado padrão. A professora Viviane Souza Alves, de Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais, enumera alguns dos chamados sintomas atípicos.

"Existem vários relatos de sintomas atípicos da covid-19 e esses sintomas podem, sim, estar isolados. Tem sido bastante comum as pessoas apresentarem perda de paladar ou perda de olfacto como único sintoma da covid. Além desses, sintomas como dores de cabeça, diarreia, sintomas na pele, como urticária, são sintomas bastante comuns e que podem, sim, aparecer isoladamente", refere.

Existem sintomas atípicos da Covid-19? Um infectado pode ter somente um dos sintomas?

A professora Viviane Souza Alves, de Departamento de Microbiologia da UFMG, responde: existem sintomas atípicos da Covid-19? Um infectado pode ter somente um...

A palavra atípica é suficiente para responder à nossa pergunta. Segundo o dicionário Priberam, atípico é algo que não tem as características consideradas normais ou mais comuns.

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Portanto, um sintoma atípico, é isso mesmo, um sintoma incomum. O facto de alguns casos de infecção registaram uma sintomatologia diferente daquela que é considerada 'típica', não significa que esta seja uma manifestação frequente da doença.

Importa ainda lembra que os sintomas citados, podem indicar a presença de outra patologia, que não a covid-19. Por esse motivo, o mais sensato é confirmar em quem sabe: o pessoal de saúde e as autoridades sanitárias.

Sobre o Teste Rápido

O Teste Rápido é um projecto da Rádio Morabeza e do Expresso das Ilhas. Todas as informações usadas neste programa estão disponíveis na Internet. Pode ouvir-nos na rádio (quinta-feira, depois das 11h00), recuperar-nos em formato podcast ou ler-nos aqui, no site do jornal.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,13 ago 2020 13:27

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  4 dez 2020 23:21

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