Arlindo do Rosário, que falava à imprensa, após uma visita efectuada ao Serviço de Saúde Reprodutiva/Planeamento Familiar do Centro de Saúde da Achada de Santo António, no âmbito da celebração do Dia Mundial da População, assinalado no dia 11, adiantou que a isenção das taxas moderadoras neste serviço tem perspectivado melhorias ao acesso, às pessoas mais vulneráveis e ao serviço de saúde sexual e reprodutiva.
“Os indicadores mostram que a política do governo está no caminho certo na cobertura do pré-natal e uso de métodos contraceptivos modernos. Enfim, todos os indicadores da saúde reprodutiva em Cabo Verde estão em alta e mostram melhorias ao longo dos anos”, destacou.
O governante que considera que a educação tem um “papel fundamental” para a melhoria e procura dos serviços de saúde sexual e reprodutiva, justificou essa afirmação com o facto de a instrução trazer consigo a literacia, o empoderamento e a capacidade de decisão.
Arlindo do Rosário que se referiu sobre a necessidade de se pensar em políticas voltadas para o fomento ao emprego para população activa, reconheceu a existência de desafios face ao envelhecimento da população que podem vir a pesar nas doenças crónicas transmissíveis e não transmissíveis.
O director nacional do Plano, Gilson Pina, que realçou os dados estatísticos sobre a população, evidenciou, no seu discurso, o comportamento do rácio da dependência, alegando que isto “nos motiva a preocupar ou senão a nos alertar para os passos futuros”.
“Esta situação coloca desafios acrescidos para o país nos próximos anos já que devemos continuar a criar condições para reter a população e desenvolver o capital humano, que, no nosso caso, é considerado como o principal recurso dinamizador do processo de desenvolvimento e acelerador dos ODS”, disse, sublinhado, por outro lado, que tal situação deve levar o país a repensar o planeamento estratégico no que tange às políticas sobre a população.
Feito isso, defendeu ser de “extrema importância” a implementação de políticas económicas e sociais sincronizadas em prol do crescimento da produtividade, da qualidade do capital humano, da performance do sistema de saúde e da sustentabilidade dos regimes de protecção social, tendo em atenção o crescimento cada vez menor do Rácio de Suporte Económico, que testemunha o facto de o país estar a perder o seu potencial de dividendos demográficos.
“Assim sendo, é urgente a implementação de políticas para aproveitar convenientemente o actual ‘bónus demográfico’ e preparar-se para reduzir o ‘ônus demográfico’ que teremos mais à frente”, encorajou.
O representante do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), Steven Ursino, ao ler a mensagem da directora da FNUAP, Natália Kanem, reiterou o “orgulho” do escritório em ser parceiro de Cabo Verde nas diferentes etapas do processo de desenvolvimento e em saber que contribuiu para os resultados alcançados em matéria de saúde sexual e reprodutiva.
“Esses resultados permitem a cada mulher e homem, jovem e adolescente, viverem a sua vida sexual e reprodutiva baseada em direitos que lhes possibilitam fazer escolhas sobre quando e como constituir a sua família”, observou.
Na sua mensagem alusiva à data, Natália Kanem afirmou que o que leva a existência de uma sociedade saudável e produtiva é quando as mulheres podem fazer escolhas informadas sobre sua saúde sexual e reprodutiva e quando têm acesso a serviços para apoiar as suas escolhas.
“A mulher que tem controlo sobre seu corpo ganha não só em termos de autonomia, mas também com avanços em saúde e educação, renda e segurança. Ela tem mais chances de prosperar, assim como sua família”, finalizou.
O Dia Mundial da População se assinalou este ano sob o tema “Direitos e escolhas são a resposta: quer seja explosão demográfica (baby boom) ou diminuição, a solução está em priorizar a saúde reprodutiva e os direitos de todas as pessoas” tendo a UNFPA chamado a atenção pela consciencialização das necessidades de saúde sexual e reprodutiva das pessoas e para as necessidades e vulnerabilidades de mulheres e meninas em meio à pandemia global.