O director nacional da Saúde, Jorge Noel Barreto, anunciou esta segunda-feira que até ao fim do ano os idosos e pessoas portadoras de doenças crónicas vão beneficiar da terceira dose da vacina contra a COVID-19.
“Já estamos a equacionar essa possibilidade, estamos a organizar e, oportunamente, daremos informações sobre como será feita mais esta operação, que será dose de reforço a pessoas com 60 ou mais anos de idade”, revelou o infecciologista Jorge Noel Barreto, acrescentando que serão igualmente contemplados indivíduos com doenças crónicas, como hipertensão arterial, diabetes e doenças cardiovasculares.
Instado sobre as medidas adoptadas nas fronteiras nacionais, tendo em conta a nova eclosão de COVID-19, nomeadamente na Europa, Jorge Noel informou que o pessoal dos aeroportos e portos tem indicações de como deve agir.
“Estamos atentos, a acompanhar a situação [de novas vagas da COVID-19]”, assegurou aquele responsável.
24 Dias sem óbitos
“Há 24 dias que não temos óbitos por causa da COVID-19. Hoje, não temos pessoas internadas por causa da doença. Todos os dias vamos tendo mais evidências de que a vacina é uma das melhores ferramentas para evitar o descontrolo da situação”, considerou voltando a apelar à adesão à vacinação.
Durante a conferência semanal sobre a situação epidemiológica, Jorge Barreto informou que até ontem, foram utilizadas 539.908 doses de vacinas.
As 539.908 doses representam 75,5% das 715.150 doses recebidas pelo país através diversos mecanismos, o que de acordo com o DNS, indica uma boa capacidade de absorção das vacinas recebidas.
Em termos de primeira dose o país conta com 82% de pessoas adultas inoculadas. 18 Concelhos já atingiram ou ultrapassaram 70% de adultos com uma primeira dose.
Entretanto, Santa Catarina de Santiago, Picos e Tarrafal de Santiago têm ainda taxa de cobertura de primeira dose inferior a 70%, assim como Boa Vista que precisa ter uma revisão em relação à população residente.
Para alcançar a meta dos 85% da população adulta com uma primeira dose, é preciso vacinar 11.239 pessoas. Em termos de vacinação completa, 63,8% da população adulta está inoculada.
“Acreditamos que havendo vacinas disponíveis, postos de vacinação disponíveis, tendo aplicado mais de meio milhão de vacinas contra a COVID-19, e não tendo acontecido nenhuma catástrofe, entendemos que não há motivo para as pessoas não serem vacinadas”, pontuou.
Pfizer permite a outras farmacêuticas o fabrico do seu medicamento antiviral
A Pfizer anunciou esta terça-feira que chegou a acordo com um grupo apoiado pelas Nações Unidas para permitir que outros fabricantes produzam o seu medicamento experimental contra a COVID-19 e o disponibilizem em 95 países.
Em comunicado, a farmacêutica norte-americana explica que vai conceder ao Medicines Patent Pool, criado pela Unitaid e apoiado pela Organização das Nações Unidas, uma licença que permitirá que empresas de medicamentos genéricos produzam o antiviral desenvolvido pela Pfizer para utilização em 95 países, abrangendo cerca de 53% da população mundial.
Segundo o porta-voz da Unitaid, Hervé Verhoosen, o acordo inclui todos os países de rendimento médio-baixo e médio-alto da África Subsaariana, bem como países de rendimento médio-alto que alcançaram esse estatuto nos últimos cinco anos.
De fora ficaram alguns países como a Argentina, China, Malásia e Tailândia. O Brasil, por exemplo, pode ter acesso a uma licença para produzir o paxlovid para exportação, mas não poderá produzi-lo para distribuir no próprio país.
Os termos do acordo preveem que a Pfizer não receba ‘royalties’ das vendas em países pobres e que abdique dos royalties sobre as vendas de todos os países abrangidos pelo acordo, enquanto a pandemia for uma emergência de saúde pública.
A Pfizer já tinha anunciado que o seu medicamento antiviral contra a covid-19 é eficaz na redução de hospitalizações ou mortes em quase 90%, entre pessoas com infecções leves ou moderadas pelo SARS-CoV-2.
Na altura, a farmacêutica considerou os resultados preliminares dos ensaios clínicos tão promissores que iria pedir à agência norte-americana dos medicamentos (FDA) uma autorização de emergência.
Europa volta com as medidas anticovid
Nas últimas semanas, a situação epidemiológica agravou-se no continente europeu que registou um aumento de novos casos, principalmente entre a população não vacinada. Segundo a agência Reuters, a Europa responde por mais da metade da média mundial de infecções da semana passada.
Por exemplo, a Alemanha registou no passado domingo, 14, mais 33 mil novos casos de coronavírus e ultrapassou a marca de 5 milhões de incidências desde o início da pandemia. Na Áustria, desde segunda-feira, 15, que as pessoas não vacinadas ou que não contraíram recentemente a COVID-19 obedecem a um confinamento.
Já a Holanda voltou ao lockdown parcial neste sábado, 13. O governo deu ordem para que os restaurantes e lojas fechem cedo e também proibiu que eventos desportivos sejam abertos ao público.
*Com Inforpress
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1042 de 17 de Novembro de 2021.