"Temos interesse em colaborar com o governo no investimento num novo hospital" - Grupo Trofa Saúde

PorAndre Amaral,17 jun 2022 12:10

José Vila Nova, fundador do grupo Trofa Saúde, um dos maiores operadores privados portugueses no sector da saúde, esteve no Cabo Verde Investment Forum onde apresentou o o projecto Hospital Vitória. Em conversa com o Expresso das Ilhas, José Vila Nova confirma que há contactos com o governo, mas nega que haja compromissos assumidos.

O governo de Cabo Verde anunciou há já algum tempo a construção de um novo hospital na Praia, através de uma parceria publico-privada. Estamos a falar do mesmo projecto?

Nós como operador reconhecido na área hospitalar privada temos o interesse em colaborar com o governo no investimento num novo hospital. E isso pode ser feito de várias formas. Com mais investimento público, com mais investimento privado, há várias formas, e isso ainda não está definido. Há aqui um espaço e uma necessidade, que toda a gente reconhece, de haver uma estrutura hospitalar capaz de garantir segurança às pessoas que vivem cá e que vêm cá de visita. Nós temos essa experiência em Portugal, começamos há 30 anos e já repetimos a experiência por 18 vezes e com grande sucesso. Temos essa capacidade e essa vontade e há também vontade do governo em que isso aconteça e que um operador privado também se possa associar a esse projecto. Temos todos as condições, inclusive para a formação de recursos humanos que são indispensáveis, porque não há massa crítica suficiente em Cabo Verde para garantir uma operação de alto nível. Nós temos as condições para formar, através dos nossos profissionais, essa massa crítica. O que posso dizer neste momento é que estamos a trabalhar em conjunto, a receptividade do governo foi elevada. Obviamente que não há compromissos de parte a parte, mas sim uma grande sintonia de vontades para que isso possa acontecer. Espero que sejamos nós o parceiro privado.

O grupo Trofa Saúde é um dos maiores operadores privados na área da saúde em Portugal. Que mais valias poderia trazer para Cabo Verde?

Antes de mais um modelo de gestão que permite maior produtividade e isso significa melhores preços. Esse é um aspecto essencial. Temos um modelo de negócios que permite grande produtividade e eficiência naquilo que se faz evitando o risco e o desperdício. Temos a capacidade de formar profissionais de saúde ou, pelo menos, de complementar na prática aquilo que são as bases que já existem cá: alunos universitários de todas as áreas que terão a oportunidade, em contexto real de trabalho, com os nossos profissionais, de daqui a 2,3 ou 4 anos eles próprios poderem fazer as coisas acontecer. Estes dois factores, capacidade de formação e aumento da produtividade, fazem com que seja possível que no mesmo edifício, com a concepção que foi feita pelo governo, seja possível fazer ainda mais e satisfazer as necessidades e inverter o que se está a passar actualmente, que é as pessoas irem procurar tratamento fora do país. Queremos que venham pessoas de fora procurar tratamento a Cabo Verde, dinamizando o turismo de saúde que é uma área extremamente interessante. Podemos mudar o ciclo das coisas, em vez de gastarmos dinheiro a mandar doentes para o exterior poderemos tratá-las cá, poupar esse dinheiro e atrair outros para cá. Mas para isso é necessário ter um sistema muito eficiente e só organizações com muita experiência e softwares muito desenvolvidos é que conseguem implementar isso em pouco tempo. Para nós o que há trinta anos era um sonho hoje é uma realidade. Aqui em Cabo Verde gostaríamos de ajudar a concretizar esse sonho.

Esse sonho tem um valor?

Não há almoços grátis, mas é esse o poder das parcerias. Quando fiz o primeiro hospital, há trinta anos, também gostava muito de dinheiro. Mas tinha um colega no conselho de administração que me disse uma coisa que eu nunca mais esqueci que foi: o dinheiro já está todo feito, nós não vamos inventar as notas. A única coisa que temos de ter é a capacidade e a criatividade de dizer [aos parceiros e investidores] que estão a fazer um bom investimento. E esse investimento tem de ser win-win: os clientes ficam satisfeitos, porque pagam menos e têm mais qualidade e resolvem o seu problema de saúde, os operadores têm a sua margem que permite fazer novos investimentos e continuar a crescer. Chama-se a isto criação de valor. Aqui, actualmente, se alguém quiser fazer um cateterismo ao coração não pode, mesmo que pague um milhão de dólares, porque não há. E depois quando uma pessoa tem dinheiro para pagar um serviço privado vai aliviar vagas no serviço público. Há uma sinergia muito grande em que o sector privado traz mais tecnologia, traz mais produtividade e investimentos. Nós fazemos o investimento e ajudamos, depois, a aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde garantindo àqueles que têm menos recursos a possibilidade de serem tratados. 

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Autoria:Andre Amaral,17 jun 2022 12:10

Editado porA Redacção  em  29 jun 2022 23:28

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