As declarações foram feitas à margem de uma marcha de sensibilização realizada na Cidade da Praia, no âmbito do Dia Internacional da Criança, assinalado sob o lema “Criança fora da rua - mais do que um direito, uma responsabilidade de todos”.
Segundo Zaida Freitas, o fenómeno continua a constituir um desafio para as autoridades, sobretudo nas ilhas turísticas de Santiago, Boa Vista e São Vicente, onde se concentram os casos mais preocupantes.
“A viver mesmo na rua, os dados do ano passado apontavam para 11 crianças nesta situação. Uma única criança a viver na rua já é motivo de grande preocupação”, afirmou, sublinhando que a rua exerce forte atração sobre algumas crianças e adolescentes.
Zaida Freitas explicou que, muitas vezes, estas crianças desenvolvem uma perceção errada de liberdade, associada ao acesso facilitado a dinheiro e bens materiais, o que acarreta riscos e perigos significativos.
A responsável do ICCA sublinhou que o combate a este fenómeno exige um compromisso reforçado das instituições e parceiros, com enfoque na prevenção.
Defendeu ainda que a resposta deve começar na família, onde, segundo referiu, se registam frequentemente situações de violência, abandono, consumo de álcool e drogas, bem como ausência de ambientes seguros.
“A marcha é também uma forma de consciencialização, porque estamos a falar de uma situação que começa sobretudo na família”, referiu.
A presidente do ICCA apelou a uma intervenção mais assertiva junto das famílias em situação de vulnerabilidade, com reforço do acompanhamento social e encaminhamento para os serviços de apoio.
A iniciativa reuniu dezenas de crianças e pretendeu sensibilizar a população para a proteção dos direitos da infância e a prevenção de situações de exclusão social.
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