Aldina Delgado, PCA da EHTCV - “Quem faz formação na área de hotelaria e turismo só não fica empregado se não tiver interesse”

PorSara Almeida,21 jun 2026 7:51

Em 15 anos de funcionamento, a Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV) formou mais de 12 mil profissionais e afirmou-se como referência nacional e internacional na qualificação de recursos humanos para o sector turístico. A procura é grande, a empregabilidade é alta, e os formados são disputados, também além-fronteiras. Em entrevista ao Expresso das Ilhas, a presidente do Conselho de Administração, Aldina Delgado, faz o balanço de uma escola que trabalha em estreita articulação com o sector privado, actualmente gratuita, e que tem como desafio massificar sem perder qualidade.

Quantos alunos a escola forma por ano?

Por ano, em média, a escola forma mais de 1.000 alunos: à volta de 1.300, 1.400 formados, na formação inicial e na formação contínua. A formação inicial destina-se aos jovens que procuram o primeiro emprego; a contínua, aos profissionais activos, que já estão a trabalhar. Há muitosque nunca fizeram formação, aprenderam fazendo - on the job -, e precisam de actualizar as suas competências.

O que é que tem mais procura, a inicial ou a contínua?

A inicial tem maior procura. Já a contínua, é mais uma actualização de competências. Temos trabalhado muito com os profissionais activos porque, com a institucionalização das carteiras profissionais, passou a ser uma exigência: só pode trabalhar neste sector quem tem carteira profissional. Aqueles que não têm formação têm que ser certificados. Foi nesse sentido que foi implementado também o processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC).

Quantos alunos já formou a escola desde o início?

Desde 2011 já formou mais de 12 mil jovens. A escola vai completar oficialmente 15 anos de funcionamento a 19 de Julho, mas a sua abertura foi a 19 de Março. Portanto, a escola já conta com 15 anos a formar profissionais para o sector do turismo e a contribuir para a empregabilidade dos jovens. Há um número crescente de procura, e nos últimos anos massificamos a formação, aumentamos o número de jovens, tentando aproveitar ao máximo a capacidade instalada da escola. Tem a ver com a própria sustentabilidade da EHTCV: é uma estrutura bastante pesada em termos de infra-estruturas físicas e equipamentos industriais. Então, em termos de custo-benefício, temos que aproveitar a capacidade máxima da escola. Para massificar a formação e dar cobertura a nível nacional, foi construída a residência de estudantes.

Fala-se de uma empregabilidade muito elevada. Como é calculada esta taxa?

Estamos com uma taxa de empregabilidade acima de 85%. A maioria dos nossos formandos ficam empregados no sítio onde fizeram o estágio. Até porque a demanda é muita e quem recebe o estagiário, tendo este um bom desempenho, tem todo o interesse em contratá-lo. A elevada taxa de empregabilidade tem também a ver com a qualidade da formação. A EHTCV tem todas as condições para dar uma formação de qualidade, com as competências realmente requeridas pelo sector privado, porque é uma formação em que cerca de 75% é prática. Temos todas as condições instaladas para formação prática: equipamentos industriais modernos e excelentes formadores internos. Quando saem da escola, os jovens já têm uma boa base técnica e competências para trabalhar a nível operacional. O estágio é apenas uma consolidação.

Então, a maior parte acaba por ficar no sítio onde faz o estágio curricular.

A maioria. Sabemos que o sector do turismo é o sector onde existe maior rotatividade de postos de trabalho. Mesmo que não fique no hotel ou no restaurante onde fez o estágio curricular, pode encontrar um outro onde queira trabalhar, onde o salário seja mais atractivo. Nós costumamos dizer que quem faz formação na área de Hotelaria, Restauração e Turismo em Cabo Verde só não fica empregado se não tiver interesse.

Mas fazem algum seguimento do que acontece com os ex-alunos?

A EHTCV faz um seguimento dos formandos até à conclusão do estágio curricular. Recebemos os relatórios de estágio, que são feitos pelos tutores que acompanham os estagiários, e, após a conclusão, recebem o certificado de qualificação profissional. Fazemos um primeiro acompanhamento para saber se ficaram no local onde fizeram o estágio. Depois disso, a mobilidade é grande e já não temos esse acompanhamento. Mas temos uma base de dados onde constam todos os formados, com os respectivos contactos, e muitas vezes, quando recebemos demanda do sector privado - nas três áreas: hotelaria, restauração e turismo -, tentamos contactá-los, fazendo assim a ponte em termos de intermediação laboral.

Somos um destino turístico, mas também já começamos a ser um exportador de mão de obra qualificada nesta área. Como vê a saída de profissionais aqui formados?

A mobilidade profissional internacional é algo normal, desde que seja feita de forma legal e regularizada, com contrato, direitos e protecção social garantidos. E Cabo Verde é e sempre foi um país de emigração.Dito isto, um estudo do Observatório do Mercado do Trabalho (OMT) sobre o impacto da formação profissional, em todos os sectores, indica que apenas 28% dos jovens que receberam formação têm a ambição de sair de Cabo Verde. Estou a falar não só do sector do turismo, mas também dos outros.

Um estudo da AfroSondagem apontava que mais de metade (64%) dos cabo-verdianos queriam emigrar...

Penso que isso depende do universo inquirido. O estudo da OMT incide especificamente sobre jovens que fizeram formação profissional.

Da parte da EHTCV, têm algum dado desagregado? Quantos estudaram aqui querem sair?

Nós temos só os dados gerais.

Mas têm noção de quantos dos vossos estudantes já foram para fora?

Não temos porque, conforme disse, nós fazemos o acompanhamento até à fase da conclusão do curso. Depois, não, até porque não faz parte da nossa atribuição.

O sector privado tem vindo a queixar-se da falta de mão de obra. O que é que notam nessas conversas?

Sentimos que o sector privado, principalmente na Ilha do Sal, perdeu pessoal - pessoas que saíram para abraçar novos desafios. É uma situação desafiante para a Escola de Hotelaria. Massificamos a formação, aumentamos o número de jovens a fazer formação inicial e formamos de forma contínua para poder dar resposta à grande demanda do sector privado.

E como encara o facto de tantos profissionais aqui formados serem contratados no estrangeiro?

Para a EHTCV é um grande orgulho quando sentimos que os jovens que fazem formação aqui podem trabalhar em qualquer país da Europa. Estão em pé de igualdade com qualquer outro profissional em termos de competências adquiridas. Porquê? Porque a escola foi concebida segundo padrões internacionais de qualidade. Comparando com alguns países, esta escola pode estar até com um nível superior. Temos um modelo pedagógico de implementação dos cursos em que a componente prática se aproxima muito daquilo que depois o jovem formado vai encontrar no contexto real de trabalho. Em particular nos cursos de restauração - cozinha, restauração e bebidas, padaria e pastelaria -, a formação é feita de forma muito integrada. Temos um restaurante pedagógico aberto ao público. Ou seja, os formandos são treinados de forma que já estão em contacto com o cliente externo que vão encontrar no contexto real de trabalho.

Disse que o sector privado, por vezes, contacta directamente a escola, à procura de profissionais. E pedidos de recrutamento do estrangeiro?

Formamos para Cabo Verde e para o mundo, mas toda a formação que fazemos é também para dar resposta à demanda a nível nacional. A prioridade é o mercado nacional. No passado, a escola já teve algumas parcerias internacionais com unidades hoteleiras que receberam estagiários. Jovens que fizeram formação aqui foram fazer os estágios lá e acabaram por ficar. E já tivemos também situações de intercâmbio de estagiários com outras escolas. Mas, quanto às demandas de recrutamento, recebemos, mas há já algum tempo que entendemos que a EHTCV é um centro de formação. Não temos essa função de intermediação laboral alargada, até porque existe uma outra instituição - o IEFP - que faz a intermediação laboral, não só nacional como internacional e tem um projecto de mobilidade. É melhor que cada instituição actue de acordo com as suas atribuições.

No seu entender, o que ainda falta no sector turístico para manter cá os formados?

Penso que o sector privado deve valorizar mais o profissional. Temos jovens que fizeram uma boa formação, são competentes, são capazes de prestar um serviço de qualidade. São muito importantes para o sector, porque contribuem para a qualificação da oferta turística do país. São um grande activo para as empresas. Então, deveriam ser mais valorizados: ter um salário compatível com as suas funções, protecção social garantida, progressão de carreira, boas condições de trabalho. Se a pessoa tiver isso, pensará duas vezes antes de sair do seu país. Uma outra coisa importante que o sector privado deve fazer - e que nós já estamos a fazer com parceria deles -, é a actualização permanente das competências. Cada empresa deve sempre ter em conta, no seu plano de actividades anuais, a actualização de competências dos profissionais, independentemente do sector. E neste sector torna-se muito premente, tendo em conta que é um sector em constante evolução.

Como é a vossa relação com as entidades que operam no turismo?

Trabalhamos em estreita articulação com o sector privado. Não poderia ser diferente: é o sector privado que complementa a formação que é dada na EHTCV. Temos a formação em escola, onde ministramos todos os módulos transversais e os módulos de competências técnicas, mas o estágio curricular é que complementa a formação. E os nossos programas formativos não são estáticos. De acordo com a dinâmica e evolução do mercado de trabalho, incluindo a evolução tecnológica, vamos actualizando os nossos programas formativos, sempre em estreita articulação com o sector privado. Ou seja, a Escola de Hotelaria não existe sem o sector privado, e vice-versa - o sector privado não consegue prestar um serviço de qualidade sem pessoas qualificadas para prestar esse serviço, que faz a diferença para qualquer país como destino turístico.

Disse que os currículos são flexíveis. Como são adaptados às novas exigências?

O Sistema Nacional de Qualificações define o perfil de competências de saída e o programa formativo, mas cada entidade formadora vai adaptando de acordo com a realidade de cada sector. Não podemos reduzir o conteúdo do programa formativo indicativo, mas podemos acrescentar.Então, vamos sempre acrescentando módulos transversais. Vamos actualizando em articulação com o sector privado, identificando que outras competências faltam ao profissional. Por exemplo, o sector privado aponta sempre a necessidade de reforço de competências linguísticas. São módulos que administramos aqui na escola, mas, dependendo da realidade de cada ilha, pode haver necessidade de competências linguísticas outras, como o alemão. Outro exemplo, os jovens do curso de Gestão e Alojamento Hoteleiro têm que sair com competências tecnológicas em termos de domínio dos softwares de reservas hoteleiras. Há um conjunto de inovações que têm que dominar. Fazemos sempre a actualização também da formação contínua, que exige ainda maior actualização. São formações de curta duração, de acordo com as necessidades de cada profissional e de acordo com a ilha onde o profissional está a actuar. Por exemplo, neste momento pensamos que os guias turísticos de São Vicente necessitam de uma formação na componente de guia de cruzeiros. Chamamos-lhe formação de especialização. No Sal estamos a pensar numa actualização de competências como guia de mergulho. Ou seja, há um conjunto de especializações para os profissionais de acordo com a ilha onde exercem a sua profissão.

A escola está sediada na Praia. Como garantem que a formação chegue a todos?

Temos o polo do Sal, uma estrutura pequena, onde fazemos formação na área de restauração. Fazemos também formação contínua, e é onde realizamos mais acções no âmbito RVCC. Temos também descentralizado a nossa formação para a ilha de São Vicente. Não é um polo, trabalhamos com o sector privado. Por exemplo, neste momento, temos dois cursos - Cozinha e Restaurante e Bar - a decorrer num restaurante, que nos aluga o espaço para ministrar a formação. E na Praia temos a residência de estudantes, inaugurada em 2015, que surgiu para dar uma resposta à estrutura de formação profissional a nível nacional. Recebemos formandos de Santo Antão à Brava.

Pagam uma mensalidade?

Neste momento, temos financiamento. Candidatamo-nos e recebemos financiamento para a formação, para o alojamento e a alimentação. É um pacote tudo incluído, tudo gratuito. Há algum tempo, tínhamos 80% de financiamento. Para os jovens inscritos no Cadastro Social Único dos grupos 1 e 2, era totalmente gratuito. Os dos grupos 3 e 4, pagavam 20% do custo da formação. Nestes últimos dois anos, a formação já é 100% gratuita para os jovens dos grupos 1 ao 4.

E quem não está no Cadastro Social?

Neste momento, a formação na escola é 100% gratuita, para todos. Incentivamos os jovens a recorrer ao cadastro, porque senão fica difícil de os enquadrarmos. Mas neste momento, mesmo que o jovem não tenha cadastro - pelo menos na EHTCV-, não criamos dificuldades: o jovem beneficia também da formação em iguais circunstâncias.

Como a escola é financiada?

Temos financiamento da formação profissional através do Fundo de Promoção do Emprego e Formação. Como disse, recebemos 100% do financiamento da formação. Uma parte desse financiamento cobre os custos de funcionamento e também prestamos serviços de eventos, de catering, de coffee break, jantares, etc. Essa prestação de serviço não é essencialmente comercial – é uma prestação de serviço como complemento da formação -, mas serve também para a arrecadação de receitas.

A sustentabilidade da escola está garantida?

Em 2023, foi feito um estudo de viabilidade económica e financeira da escola, que identificou o gap financeiro. Tendo em conta o papel da EHTCV como serviço público, na formação de jovens, a escola passou a receber uma indemnização compensatória pelos custos de funcionamento.

Entretanto, há também uma dimensão internacional. Recebem alunos estrangeiros?

Sim, recebemos. A escola tem também feito uma grande aposta na internacionalização da sua marca, tendo em conta que é uma grande escola de referência nacional e internacional. Já trabalhámos com formandos da Guiné-Bissau e de São Tomé e Príncipe, que terminaram em 2025 no âmbito de um projecto de cooperação triangular financiado pelo Luxemburgo. A ideia é que tenha continuidade anual. São dois países com grande potencial de desenvolvimento turístico, mas que não dispõem de uma escola de hotelaria e turismo. Há perspectivas de alargamento à CEDEAO, até porque a ideia do Governo é posicionar Cabo Verde como um hub training, ou seja, como um grande centro de formação profissional, tendo em conta os investimentos feitos. Estamos a falar da EHTCV, mas podemos também falar do CERMI, que é um grande centro de energias renováveis e manutenção industrial. Uma referência na área, que já trabalha com alguns países da CEDEAO. Ou do IEFP que já tem alguns centros especializados e que podem também integrar este hub training.

Já em jeito de balanço, qual o ponto de situação da EHTCV, 15 anos depois? E o que se espera que seja a continuidade desta escola?

Durante estes 15 anos, a escola tem feito um excelente trabalho, até porque é a única escola que realmente tem vocação para qualificar recursos humanos para o sector do turismo nos três domínios: hotelaria, restauração e turismo. Falamos mais dos cursos de Cozinha, Restauração e Bebidas, Padaria e Pastelaria, mas também formamos em Gestão e Alojamento Hoteleiro. Os jovens que saem com duas valências para trabalhar no hotel: podem trabalhar na recepção, como também na governança. Formamos também Guias de Turismo, Recepção Hoteleira, e Serviços de Andares e Lavandaria. Temos também apostado muito na certificação dos profissionais activos.Temos tido o desafio da valorização e promoção da gastronomia cabo-verdiana. Há um módulo no curso de Cozinha que é a Gastronomia Nacional, mas a ideia é reforçá-lo. Em 2025, a escola participou na Primeira Semana Internacional da Gastronomia. E continuamos com o desafio da massificação da formação profissional e da diversificação da oferta formativa, de acordo com a evolução do mercado de trabalho. É um grande desafio, porque temos que pensar na quantidade, mas também manter a qualidade. Para tentar dar essa resposta, nós elaborámos um plano de actividades para 2026 com uma meta bastante ambiciosa: 3.072 beneficiários. Em 2025, tivemos um total de 2.329.

Não disse que por ano tinham 1.400 alunos?

Não, eu estava a falar da nossa média anual [de formados]. A contabilização anual inclui diferentes ciclos de formação, uma vez que as acções começam habitualmente em Setembro e se prolongam para o ano seguinte. De uma forma geral, o número de beneficiários que passaram pela escola [em 2025] é 2.329 entre formação inicial, formação contínua e Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, ou seja, os profissionais activos que certificámos. Na certificação de activos, demos um salto significativo: 522 RVCC em 2025, contra 244 em 2024. Para 2026, a meta é 3.072 beneficiários: 819 na formação inicial, 1.553 na contínua e 700 no RVCC - 500 no Sal e 200 em Santiago.

Então, nos próximos 15 anos, a EHTCV vai consolidar o que já tem e adaptar-se aos novos desafios.

Sim, até porque a escola tem que tentar sempre antecipar as necessidades de competências, muito embora isso não seja só da nossa responsabilidade. Nós identificamos porque fazemos um trabalho de grande proximidade com o sector privado, mas há outras instituições que podem fazer esta antecipação, por exemplo, através de uma pesquisa e de uma projecção a cinco anos. Mas, diria, nos próximos anos: diversificação da oferta formativa, acompanhamento da inovação tecnológica e digitalização interna. A digitalização dos nossos procedimentos é importante para a escola. Estamos a implementar o Sistema de Gestão de Formação (SGF), uma plataforma que gere todo o ciclo - da inscrição à certificação - e que vai eliminar o papel. Já utilizamos esta plataforma, por exemplo, para as inscrições: qualquer jovem pode entrar e fazer a inscrição no curso. A ideia é também reduzir o tempo de resposta, ter celeridade em todos os procedimentos. E não podemos pensar só naquilo que fazemos para os jovens e para a formação no sector. Também temos que pensar para dentro, a própria instituição. O Governo implementou o PCCS em 2023. Agora, em 2026 vamos implementar o sistema de gestão de desempenho, que é uma ferramenta fundamental para a gestão e liderança dos recursos humanos, não só na promoção e progressão dos profissionais, mas também para o crescimento profissional e para a motivação dos próprios profissionais. Mas o nosso maior desafio é sempre a ocupação máxima da escola. É fundamental para a sustentabilidade da escola.

Há a percepção generalizada de que a qualidade do atendimento - nos hotéis, nos restaurantes, nos cafés - tem vindo a melhorar. Que papel acha que a escola tem nessa melhoria?A qualidade melhorou bastante, graças à escola. E nem estou a dizer isto porque estou aqui - eu só vim em 2022. Por exemplo, no Sal, nos hotéis onde temos o maior número de formados - mais de 50% dos nossos jovens faz o estágio curricular na Ilha do Sal - , vê-se a postura. Nestes últimos anos, porém, muitos que já tinham muita experiência acabaram por sair de Cabo Verde. É claro que quando uma unidade hoteleira perde um número significativo de colaboradores experientes, nota-se uma quebra na qualidade. Na ilha do Sal melhoraram bastante os salários, porque começaram a ver que as pessoas iam embora. Há mais qualidade, e começa a ser valorizada.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1281 de 17 de Junho de 2026.

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Autoria:Sara Almeida,21 jun 2026 7:51

Editado porSara Almeida  em  21 jun 2026 10:19

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