Luís Filipe Tavares desvaloriza críticas à contratação de professores cabo-verdianos por Angola

PorChissana Magalhães,9 fev 2018 14:06

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Luís Filipe Tavares e João Lourenço
Luís Filipe Tavares e João LourençoMpD

De regresso da visita de três dias a Angola, o Ministro Luís Filipe Tavares desvalorizou hoje (09) a reacção do sindicato angolano dos professores ao acordo em negociação entre Angola e Cabo Verde para envio de professores cabo-verdianos àquele país lusófono.

Ainda em Luanda, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de Cabo Verde anunciou que estava sobre a mesa a possibilidade de envio de professores cabo-verdianos para leccionar em escolas secundárias e universidades angolanas, facto que provocou a reacção do Sindicato dos Professores de Ensino Superior daquele país.

Segundo o online VOA, o líder daquele sindicato angolano classificou de “absurda” a possibilidade de recurso a professores estrangeiros para o ensino de Língua Portuguesa, tendo em conta que, alegadamente, o governo angolano tem suspensa a contratação de professores e a promoção dos que já integram o sistema de ensino por falta de recursos financeiros.

Aquele jornal diz ainda que o sindicalista "lamenta que o Governo tome medidas do género sem ouvir os sindicatos e alerta que, a concretizar-se, a contratação de professores estrangeiros para o ensino secundário pode vir a gerar convulsões sociais no país".

Em entrevista ao Expresso das Ilhas, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades começou por declarar que não comentava a política interna angolana. Entretanto, diz-se pouco preocupado com a reacção negativa por parte dos professores angolanos já que “as relações institucionais são excelentes”.

“O interesse foi manifestado pelo governo angolano. Cabo Verde já enviou no passado vários professores, e nós temos nas universidades cabo-verdianas professores angolanos. Haverá mecanismos para podermos fazer isso tranquilamente”, avaliou.

Sobre a manifestação de apoio a Angola em caso de uma candidatura deste país ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, no quadro das reformas em curso naquela organização internacional, Luis Filipe Tavares reitera este apoio “total e incondicional” e que Cabo Verde poderá ainda trabalhar “para mobilizar outros apoios”. “Seria um facto histórico, e muito importante para África, para a lusofonia”.

Em conferência de imprensa realizada hoje, no Palácio das Comunidades, Luis Filipe Tavares apresentou o balanço da viagem que tinha três objectivos específicos, o primeiro dos quais o convite ao presidente João Lourenço - a pedido do presidente Jorge Carlos Fonseca - para uma visita de estado a Cabo Verde. Isto para além da já anunciada visita para participação na Cimeira da CPLP, que Praia irá acolher em Julho deste ano.

Convite aceite, a visita do chefe de Estado angolano deverá acontecer ainda este ano, após a cimeira da CPLP, estando a data ainda por acertar.

Ulisses deve levar empresários a Angola

Outro propósito da visita do chefe da diplomacia cabo-verdiana-se prende-se com a preparação da deslocação de Ulisses Correia e Silva a Angola. O primeiro-ministro escolheu este país para a sua primeira viagem a um país africano enquanto chefe do governo.

Prevista para Abril, a visita é encarada por Luís Filipe Tavares como “simbólica, mas muito importante tendo em conta as relações económicas e empresariais que se quer fomentar entre os dois países”.

De resto, o chefe do executivo deverá vir a incluir na sua comitiva uma delegação empresarial, já que a visita irá contemplar uma componente económica e empresarial, estando-se a analisar como será composta tal delegação.

“Durante o encontro, serão assinados alguns acordos e serão vistas as melhores formas de os implementar”, adiantou ainda o chefe da diplomacia, acrescentando que “há vários dossiers sobre a mesa, nomeadamente cooperação na área da educação, do ensino, para a formação de quadros jovens para o ensino geral e envio de quadros cabo-verdianos para Angola”, referiu.

Outro assunto que deverá estar sobre a mesa é a mútua isenção de vistos entre os dois países. Conforme o ministro, o acordo existe desde 1997 e Cabo Verde já cumpre, querendo agora que se inicie o processo na direcção inversa.

Em Luanda, Luís Filipe Tavares também se avistou com a comunidade cabo-verdiana residente e quadros ali estabelecidos. Do encontro saiu a informação de que mais de 1500 elementos da comunidade careciam de cartão de residência pelo que, com o apoio do governo angolano, o ministro cabo-verdiano espera ter até ao final desde mês a situação resolvida e estes cidadãos devidamente legalizados.

Ainda como resultado desta visita, Cabo Verde deverá com a sua experiência apoiar Angola no processo de descentralização que aquele país irá iniciar e que culminará com a realização de eleições municipais que poderão vir a acontecer em 2020.

Para além do Desporto e dos Transportes Marítimos, também os transportes aéreos é uma área de cooperação a explorar, começando pela retoma das ligações áreas entre as duas capitais, com os dois governos a manifestarem interesse em começar a trabalhar brevemente nesse sentido.

O responsável dos Negócios Estrangeiros conclui ainda da sua viagem o sentimento de uma “grande relação de confiança das autoridades angolanas” e ainda uma “cumplicidade muito forte, em matérias relativas à política africana”. 

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Autoria:Chissana Magalhães,9 fev 2018 14:06

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  14 nov 2018 3:23

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