"Se na terra chove pouco, no mar temos várias saídas para este país" - Ulisses Correia e Silva

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,23 nov 2018 17:39

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Ulisses Correia e Silva
Ulisses Correia e Silva(Gabinete do Primeiro-Ministro)

O primeiro-ministro aponta a água, o mar e a energia como variáveis fundamentais para o reforço da capacidade de resiliência do país face aos choques e alterações climáticas. Ulisses Correia e Silva, que discursava hoje, no Mindelo, no encerramento da Ocean Week, entende que a estratégia passa também pela integração de redes de conhecimento, inovação e investigação, para ultrapassar as vulnerabilidades.

“Nós temos um triângulo que queremos que seja virtuoso. A água, o mar e a energia, e é fundamental para o aumento da nossa capacidade de resiliência. Por isso, também estamos a trabalhar numa agenda muito forte para o aumento significativo da nossa capacidade de resiliência e de adaptação, através de uma iniciativa que vai estar inscrita no OE 2019, que é a criação de um fundo nacional de emergência para fazer face a situações de emergência resultantes de catástrofes naturais, como a seca”, indica.

Segundo a ONU, a evolução do clima de Cabo Verde nos próximos 20 anos indica uma “provável redução” de precipitação anual, combinada com o “aumento da temperatura” de até 2,5º celsius. Situação que coloca “uma grande proporção da população rural em risco de segurança alimentar” e com “impacto na economia”.

O chefe do governo fala numa estratégia para a resiliência do sector agrário, assente na estratégia da água, articulada com a política de transição energética.

“Temos encarado este assunto de forma muito pragmática. Temos de fazer agricultura em Cabo Verde nas condições de Cabo Verde, um país que chove pouco, integrado numa zona de influência saheliana. E temos de ter capacidade de olhar para o mar, criar condições de dessanilização em condições de custos baixos, utilizar todas as fontes disponíveis para irrigação, apostar na política de transição energética, a investigação agrária, ordenamento agrícola e pecuário, tecnologias adequadas, novos métodos e modelos de produção”, refere.

Ulisses Correia e Silva aponta o desenvolvimento de competências científicas, técnicas e tecnológicas como crucial para esta equação, com base em estratégias e programas consistentes e de efeitos estruturantes

“E é para nós estratégico, desenvolver competências científicas, técnicas e tecnológicas, atrair investidores, desenvolver novos nichos de negócio, acrescentar valor industrial e logístico a produtos e serviços, criar oportunidades de emprego e empreendedorismo e integrar as comunidades nacionais, nomeadamente as pesqueiras, na cadeia de valor de economia marítima. Existe um leque grande de oportunidades que o mar nos oferece. Se na terra chove pouco, no mar temos várias saídas para este país, nos domínios de conhecimento, investigação, segurança alimentar e nutricional, da energia, actividades económicas e operações diversas, desde portuários, reparação naval industria pesqueira, turismo, transporte”, sublinha.

O chefe do governo presidiu à cerimónia de encerramento da 1ª edição da Ocean Week, que decorreu de 19 a 23 de Novembro, em São Vicente, sob o lema “ Cabo Verde 99% mar. Cuide do que é nosso”.

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,23 nov 2018 17:39

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  12 dez 2018 8:19

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