TACV: “Não é através da pressão política que as melhores decisões se tomam”

PorExpresso das Ilhas,14 dez 2018 18:07

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Fernando Elísio
Fernando Elísio

O governo reagiu, esta sexta-feira, aos protestos, políticos e da sociedade civil, à suspensão dos voos da Cabo Verde Airlines/TACV para o aeroporto Cesária Évora. De recordar que este domingo está agendada uma manifestação para exigir a reposição das linhas internacionais directas da companhia nacional. Ao mesmo tempo, o executivo considera que, mais do que se centrar numa companhia, o essencial é “unificar o mercado nacional e ligar com o mundo”.

“Qualquer decisão sobre rotas internacionais a partir de qualquer das ilhas que dispõem de aeroporto internacional deve ser devidamente fundamentada e tomada pela gestão da empresa com base na sustentabilidade financeira e comercial”, referiu o ministro Elísio Freire, porta-voz deste comunicado.

Ademais, “não é através da pressão política que as melhores decisões se tomam, nomeadamente num sector sensível como os transportes aéreos, numa empresa a sair do estado de coma e num país que precisa de reduzir o risco soberano e aumentar a confiança junto do mercado, das instituições financeiras e dos parceiros de desenvolvimento”, acrescentou o ministro dos Assuntos Parlamentares, da Presidência do Conselho de Ministros e Ministro do Desporto.

No comunicado à imprensa (sem direito a perguntas), que começa por reconhecer o direito às manifestações, sendo que o governo as encara “com grande naturalidade” e como “um ganho da democracia”, são elencadas várias medidas e iniciativas no sentido de promover o desenvolvimento da ilha de São Vicente.

Entre elas, o governo destaca, entre outros, investimentos em curso e programados como o Campus do Mar ou o terminal de Cruzeiros, bem como o engajamento do executivo “na atracção de investimentos privados” e “na facilitação do acesso de investidores nacionais a financiamento de grandes projectos, nomeadamente no sector do turismo”. Uma aposta que, acredita tem reconhecidos bons resultados.

O essencial e o acessório

Na senda do desenvolvimento, a “conectividade e os transportes são uma prioridade absoluta”.

“Mais do que a focalização numa companhia, o fundamental é assegurar que as ilhas possam ter ligações marítimas e aéreas regulares, seguras e acessíveis para unificar o mercado nacional e ligar com o mundo. Impõe-se, pois, separar o essencial do acessório”, sublinhou o ministro.

O comunicado serviu ainda para relembrar, mais uma vez, o estado calamitoso em que o actual governo encontrou a TACV; a falta de coragem do governo anterior para resolver a situação, bem como a opção tomada de reestruturar a empresa para a privatizar e a aposta no hub do sal para viabilizar comercialmente a companhia. Opções, portanto, para resolver “o estado lastimável a que a empresa chegou e que foi “resultado “da politização de decisões de gestão”.

Contra a suspensão

A suspensão de ligações internacionais directas para São Vicente, por parte da companhia nacional, bem como a reacção do do primeiro-ministro, que isentou o governo de qualquer responsabilidade nesta matéria, têm vindo a marcar a actualidade.

Durante a sessão parlamentar desta semana, o PAICV acusou o governo de descurar a coesão territorial do país e de deixar a mobilidade dos cidadãos à mercê da dinâmica do mercado.

Antes, já o Presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, se posicionara, em particular contra as declarações de Ulisses Correia e Silva, lembrando que a TACV é uma empresa do Estado e que como tal o serviço público deve ser garantido. Além disso, questionou a alegada falta de rentabilidade das linhas, tendo em conta que para outras companhias (a TAP), essa rota se mostra viável.

Entretanto, o movimento da sociedade civil, Sokols 2017 marcou, para este domingo, a “Marcha de indignação de Soncente”, para exigir a reposição das ligações directas da TACV de e para São Vicente.

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Autoria:Expresso das Ilhas,14 dez 2018 18:07

Editado porSara Almeida  em  22 mai 2019 23:23

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