A decisão foi confirmada hoje pela representante do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Roberson, numa entrevista à Inforpress, a propósito, via whatsapp.
Segundo a mesma fonte, trata-se de uma medida temporária, e baseia-se na preocupação da administração Trump de que novos residentes possam tornar-se um “encargo público” para o sistema de assistência social americano.
“Sim. Os países que farão parte dessa pausa da emissão de vistos de imigrante foram seleccionados porque os seus cidadãos apresentam um risco elevado de utilizar benefícios públicos uma vez que estejam aqui nos Estados Unidos. São mais de 70 países, incluindo Cabo Verde, mas o critério comum é isso: a probabilidade de utilizar serviços públicos”, explicou.
Nisto, Amanda Roberson, para quem o visto americano é um “privilégio e não um direito”, lembrou que uma das qualificações para um visto americano de imigrante é ser autossuficiente e não depender de benefícios públicos.
Reiterou que os países foram seleccionados para integrar a lista de suspensão de vistos com base em análises que apontam uma “probabilidade elevada” de seus cidadãos utilizarem benefícios públicos após a chegada aos Estados Unidos.
“Isso é o único critério que foi parte da decisão”, afirmou Amanda, sublinhando que a autossuficiência é uma qualificação “essencial” para a imigração legal, e que a suspensão possui um alvo específico e não deve ser confundida com uma proibição total de entrada no país.
O Departamento de Estado informou que até o momento não existe uma data para o fim da restrição, que a retomada dependerá do aprimoramento dos procedimentos internos de verificação e que as embaixadas e consulados locais são as únicas fontes oficiais para actualizações sobre casos individuais.
A mesma fonte explicou que quem já tem entrevista agendada pode comparecer e processar os documentos, mas o visto não será emitido até que a suspensão seja levantada.
Por outro lado, esclareceu, as viagens de curto prazo, vistos de não-imigrante, turismo, negócios, estudos, intercâmbio, não são afectados, pelo que continuam os trâmites normais de solicitação e concessão.
“As pessoas que querem visitar os Estados Unidos para algum propósito de turismo ainda podem solicitar e receber o visto caso se qualificarem. Também as que estão a solicitar o visto de imigrante podem continuar com esse processo. Podem entrar em contacto com a Embaixada, preparar os documentos necessários, inclusive agendar a entrevista… só que não vão poder receber o visto até que essa pausa seja levantada”, acautelou.
A medida surge no marco do primeiro ano da administração Trump, que, segundo a porta-voz, foca na estratégia “America First” (EUA em primeiro lugar).
“Para o Presidente Trump, a prioridade é colocar os EUA em primeiro lugar, é fazer os EUA mais seguros, mais fortes e mais prósperos. Como parte dessa estratégia, estamos fazendo cumprir as nossas leis de imigração”, observou, referindo que mais de 2,6 milhões de imigrantes ilegais foram deportados dos Estados Unidos, mas também por saídas voluntárias.
Paralelamente às restrições migratórias, Amanda Roberson realçou, por outro lado, que os EUA buscam fortalecer a “diplomacia comercial” com a África, incluindo Cabo Verde, visando parcerias no sector privado e crescimento económico.
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