José Maria Neves falava à imprensa após visitar a Praia dos Achados, em Santa Luzia, que enfrenta uma grave crise ambiental devido à acumulação de toneladas de lixo marinho, principalmente plástico proveniente de mais de 20 países, o que condiciona a nidificação e coloca em perigo a biodiversidade marinha.
Segundo José Maria Neves, que voltou a Santa Luzia 22 anos depois de ter visitado a ilha, em 2004, na qualidade de primeiro-ministro, Cabo Verde deve pensar no mar como um recurso estratégico para o futuro.
Por isso, considerou que o país tem de fazer uma gestão sustentável dos recursos marinhos e preservar o mar, particularmente através de “um forte combate” ao lixo marinho e ao plástico que chega a todas as ilhas, proveniente de várias partes do mundo.
“Estou aqui também enquanto Patrono da Década do Oceano e a ideia é, no quadro da preparação da Conferência Internacional da Boa Vista, debater esta questão e fazer com que entre na agenda pública e haja formulação de políticas públicas orientadas para esta matéria”, afirmou José Maria Neves.
O Presidente da República manifestou a intenção de mobilizar os parceiros internacionais para “a grande causa”, que é o conhecimento dos recursos marinhos e a gestão sustentável desses recursos.
“Enquanto ‘Champion’ para a Preservação do Património Natural e Cultural de África, vamos apresentar essa questão à União Africana e também aos países da região, sensibilizando-os para esta problemática do lixo marinho e para a necessidade de preservarmos o mar”, assegurou, prometendo ainda enviar uma mensagem aos líderes dos países ribeirinhos sobre o impacto do plástico, especialmente o proveniente das indústrias pesqueiras.
No entanto, segundo José Maria Neves, o primeiro passo para defender esta causa é realizar uma reunião, no quadro da preparação da Conferência Internacional da Boa Vista, subordinada ao tema Economia Azul, com todos os parceiros, organizações não governamentais, autoridades nacionais e locais, cidadãos e armadores das pescas.
A ideia é encontrar formas de recolha do plástico na ilha de Santa Luzia, fazer a reciclagem do material reciclável e transportar o não reciclável para aterros sanitários.
Outro passo, projectou, é também considerar essas questões no quadro da Comissão das Pescas da região da África Ocidental e igualmente no âmbito das negociações dos acordos de pesca, designadamente com a União Europeia.
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