Residência criativa chama a São Vicente os tambores das ilhas

PorNuno Andrade Ferreira,20 nov 2019 6:11

​A quarta edição da Feira do Artesanato e Design de Cabo (URDI) só começa na próxima semana, a 27 de Novembro, mas o Mindelo já se prepara para o evento. No CNAD, a residência artística “Tambor d’Ilha” serve de antecâmara à programação principal.

Coordenada por Eneida Lombe Tavares, que viajou de Portugal, a residência junta no Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD) tamboreiros de vários pontos do país, num momento de partilha de técnicas e saberes em torno de um instrumento musical icónico, sujeito a muitas interpretações.

De São Vicente, José Miranda e Bartolomeu Reis. De Santo Antão, Sebastião Monteiro. Do Fogo, Vladimiro Dias. Da Brava, Adalberto Graça. Artesãos que, em conjunto com a designer convidada, ao longo de duas semanas, exploram as práticas e tradições da produção de tambores.

“Durante a primeira semana que cá estive, falei com muitas pessoas ligadas à cultura e percebi que este tambor é um veículo de uma coisa muito maior. Tudo a partir de um simples instrumento. Todas essas referências, eu tinha que as saber para estar dentro do contexto. Depois, a partir do momento em que os tamboreiros chegaram, a coisa tornou-se mais palpável, mais material”, explica Eneida Tavares.

“Tambor d’Ilha” começou a 11 de Novembro e prolonga-se até à próxima sexta-feira, alinhada com o mote da URDI 2019, “Música – Poéticas visuais”. O trabalho desenvolvido dará lugar a uma exposição, patente ao público durante a feira, na qual será possível perceber de que forma diferentes geografias e diferentes técnicas produzem diferentes instrumentos.

“Vamos ter todas as peças que constituem o tambor, apresentadas de forma individual. Depois, teremos os tambores construídos e o esqueleto todo montado. Também criei uma espécie de glossário”, detalha a coordenadora da residência criativa.

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Eneida Lombe Tavares vive e trabalha nas Caldas da Rainha, em Portugal. Frequentou o mestrado de Design de Produto, na Escola Superior de Artes e Design, do Instituto Politécnico de Leiria, com o projecto "Raiz", no qual cruzou as suas raízes cabo-verdianas e o contexto português, onde nasceu e cresceu.

“Estamos aqui a falar de relações entre pessoas. Têm sido duas semanas muito intensas que nunca poderiam ser só para trabalhar e produzir. Antes do trabalho, da produção, está a empatia que tu crias com as pessoas e a confiança que vais ganhando”, revela.

De 27 de Novembro a 1 de Dezembro, a quarta edição da URDI reunirá em São Vicente a comunidade artística e o público em torno das poéticas visuais cabo-verdianas. Exposições, conversas, concurso de design, oficinas, salão de design, concertos e ateliers compõem, a par da venda de produtos artesanais, na Praça Nova, o programa da iniciativa, organizada pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do CNAD.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,20 nov 2019 6:11

Editado porSara Almeida  em  30 mai 2020 23:20

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