​Mindelo terá busto em homenagem a Luís Loff de Vasconcelos – Primeiro-ministro

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,26 jan 2020 10:44

Um busto em homenagem a Luís Loff de Vasconcelos, falecido a 19 de Março de 1923, será erguido na ilha de São Vicente. Informação avançada ao início da noite deste sábado, 25, em Mindelo, pelo Primeiro-ministro.

Ulisses Correia e Silva presidiu à cerimónia em homenagem daquele que foi político, jornalista, ensaísta e que se destacou como homem da cultura e de negócios.

“Esta é uma homenagem que começa hoje mas vai ter continuidade. Há um compromisso de, em conjunto com a Câmara Municipal, erigirmos um busto a Luís Loff de Vasconcelos aqui em Mindelo”, assegura.

A ideia foi lançada, mas segundo informações recolhidas pela Rádio Morabeza junto da assessoria de imprensa do Primeiro-ministro, ainda não há mais informações, sendo que o projecto será alvo de concertação entre o executivo, a Câmara Municipal de São Vicente e o Grupo Ímpar.

A vida e obra do advogado e periodista, Luís Loff de Vasconcelos foram apresentadas pelo historiador Manuel Brito-Semedo. Na sua exposição, o professor recordou que o homenageado foi director e proprietário da “Revista de Cabo Verde” (São Vicente, 1899), director de “A Opinião” (São Vicente, 1902-1903) e proprietário de “O Independente” (praia, 1912-1913). Publicou Memorial dos habitantes da ilha de São Vicente de Cabo Verde (1900); Perdição da Pátria (1900); O Extermínio de Cabo Verde: pavorosas revelações (1903), entre outros, incluindo a elaboração de uma colecção de mornas, ainda inédita.

Nessa época, segundo Brito-Semedo, as elites urbanas, letradas e educadas de acordo com os padrões europeus, pugnavam, de forma generalizada pela causa africana, reivindicando a formação de africanos educados e não de nativos europeizados, a igualdade de condições no emprego e na partilha de bens sociais, a melhoria económica e social das populações africanas e a equidade de representação em órgãos de governo e da administração colonial. É isso que veio a designar Nativismo e motivo de debate na imprensa periódica nas duas décadas do século XX”.

“Em Cabo Verde, a emergência desse sentimento veio a ser o resultado do efeito da convergência de determinadas condições endógenas e exógenas que se foram instalando e desenvolvendo ao longo de várias décadas”, realça.

De acordo com o historiador, a primeira e mais ampla condição endógena foi a falta de interesse e abandono secular de Portugal.

“Só a pobreza das ilhas explica o pouco interesse de Portugal. Desde muito cedo as populações transplantadas para o arquipélago tinham ficado entregues a si próprias, resolvendo por si problemas de vária ordem: de comércio, de cultivo da terra, de defesa contra a pirataria, de fixação e de criação de núcleos populacionais no interior das ilhas”, realça.

A situação terá gerado graves ressentimentos e muitos agravos contra a Metrópole. Em 1900, Luís Loff de Vasconcelos fez um balanço negro da administração de Cabo Verde, criticando as leis que se decretavam para a província, nomeadamente sem escolas, sem indústria e com crises alimentares.

“É neste ambiente social e político que Luís Loff de Vasconcelos, considerado o ideológico da geração 90 e mentor de Eugénio Tavares e José Lopes, se agiganta como patriota e um dos homens que mais batalhou para o processo da sua terra, tendo, inclusive, defendendo a necessidade de haver dois governadores, um para o Sotavento e outro para o Barlavento”, aponta.

Referências que levam o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, a acreditar que Luís Loff de Vasconcelos deixou princípios de descentralização.

“Eu acho que por outras palavras ele queria nos dizer que só assim poderiam se desenvolver”, entende.

Em representação da família discursou o neto Augusto Vasconcelos Lopes. Refere que em livros de poesia, em jornalismo, em direito, na política e no comércio Luís Loff de Vasconcelos denunciou “os horrores” da seca que assolava as ilhas e imprimia a população, de forma impiedosa, grandes sofrimentos e carências.

“Chegou a perguntar frontalmente ao governo da Metrópole: Onde está, afinal, a vossa sensibilidade e o dever de acudir o povo que consideram vosso? Luís Loff muito parenteou pela dignidade dos cabo-verdianos”, realça.

Luís Loff de Vasconcelos é filho de pai português, um advogado que foi colocado no Maio como administrador. O homenageado nasceu naquela ilha em 1860, mas acabou por ir para a Brava. Mudou-se para São Vicente em 1897, de onde produziu grande parte da sua obra. Faleceu a 19 de Março de 1923.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,26 jan 2020 10:44

Editado porFretson Rocha  em  19 out 2020 23:21

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