Como será a cultura depois da pandemia

PorDulcina Mendes,27 jun 2020 8:47

Apesar de o Governo ter anunciado uma data para a abertura dos eventos culturais, ainda há algumas interrogações. Não se sabe como é que o mercado vai reagir e se as pessoas vão voltar a reunir nos eventos culturais.

O Governo anunciou no dia 29 de Maio, que os eventos culturais serão retomados no dia 31 de Outubro e que a organização dos eventos devem cumprir as normas de condições de segurança sanitária e procedimentos específicos como obrigatoriedade da utilização das máscaras, prática do distanciamento físico em locais públicos, a higienização regular dos espaços e das mãos.

As livrarias já abriram as portas para que os seus clientes possam voltar a ter os seus livros à disposição. Alguns bares e restaurantes já retomaram as actuações ao vivo.

Já os artistas têm que esperar até final de Outubro para voltar aos palcos com os seus trabalhos, apesar de que durante a quarentena realizaram shows live nas redes sociais para animar as pessoas nessa fase difícil que o mundo estamos a enfrentar.

E o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas levou a cabo o programa “EnPalco100Artistas”, como forma de ajudar os artistas e criadores a auferirem de um rendimento mínimo, com o pagamento de um cachê por performances on-line.

Encontro com agentes culturais

Para saber dos problemas e preocupação dos agentes e produtores culturais, o Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, teve um encontro no dia 2 deste mês com a classe. Esse encontro que aconteceu via videoconferência.

Ulisses Correia e Silva disse, depois do encontro que não há uma visão muito clara mais para frente, porque quase todas as actividades dependem do contexto externo.

O Primeiro-ministro avisou que está em curso um pacote de medidas para a formalização de sectores de actividade e que este sector estará também incluído para melhorar o quadro de formalização e da protecção, questões que têm a ver com licenciamento, com protecção e sistema de organização do mercado.

O chefe do Executivo disse que vão ter que trabalhar o plano de desconfinamento das actividades relacionadas com espectáculos e com festivais e definir regras mais específicas e na altura própria podem trabalhar em conjunto. “Ver como é que se pode distinguir espectáculo em sala e espectáculos como festivais que juntam muito mais pessoas, onde é muito mais difícil controlar o distanciamento”.

Para a comemoração dos 45 anos da independência do país, no dia 5 de Julho próximo, Ulisses Correia e Silva disse que a data não passará em branco. “É algo que está a ser estudado, para além da cerimónia que tem que ser feita na Assembleia Nacional, terá presença limitada, alguma actividade cultural tem que existir, trabalhamos para vermos qual será o formato de uma participação não presencial onde os artistas possam actuar em várias ilha de Cabo Verde e também na diáspora”.

Já para o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, este encontro com agentes culturais serviu para o relançamento do sector da cultura e da produção cultural das indústrias criativas, vocacionadas para a produção de expectáculos, para produção musical e para produção de eventos a nível nacional.

Segundo Abraão Vicente essa crise chegou depois de a Morna ter sido classificada Património Cultural Imaterial da Humanidade em Novembro, e “tivemos pouco tempo para estruturar, desenvolver e tirar todo o proveito dessa classificação, pelo facto de já em Fevereiro termos sido confrontados com esta pandemia que ainda continua”.

Associação de Produtores de Eventos de Cabo Verde

Para já, os produtores musicais anteciparam a formalização da Associação de Produtores de Eventos de Cabo Verde (APECV). Uma associação que irá defender a classe e negociar com o Governo.

Esta associação foi apresenta no dia 11 deste mês, na cidade da Praia, e tem como presidente Mário Bettencourt e vice-presidente Josina Fortes. Mário Bettencourt disse durante a cerimónia da apresentação que a criação desta associação é um sonho antigo que se tornou realidade no sentido de juntar os produtores do sector no país, para que possam de forma única e conjunta trabalhar em prol da cultura e da produção de eventos em Cabo Verde.

“A pandemia acelerou este propósito e veio pôr a nu várias questões que temos vindo a debater ao longo dos anos. Por causa disso, toda essa urgência e dinâmica que empregamos na criação e efectivação da Associação de Produtores de Eventos de Cabo Verde”, considerou Bettencourt.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 969 de 24 de Junho de 2020. 

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Autoria:Dulcina Mendes,27 jun 2020 8:47

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  18 set 2020 23:21

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