Hablando español

PorFrancisco Carapinha,6 dez 2020 9:18

Conforme aqui anunciei há algumas crónicas atrás, durante a semana passada, estive envolvido na 1.ª Olimpíada online para jogadores com deficiência, fazendo parte da equipa de arbitragem desta competição organizada pela FIDE (Federação Internacional de Xadrez).

Foram oito dias de intensa actividade xadrezista em que tive oportunidade de me estrear, numa competição internacional, a arbitrar online, uma forma diferente no xadrez, onde todos os intervenientes (jogadores e árbitros) podem participar a partir de suas casas, necessitando apenas de um computador com Webcam e ligação á internet.

Embora já o soubesse, após esta experiência pude confirmar as diferenças existentes entre arbitrar presencialmente e a arbitrar on-line.

Enquanto que no primeiro caso a grande preocupação do árbitro é que sejam cumpridas as regras do jogo do xadrez, no segundo caso, como as máquinas conseguem controlar grande parte dessas regras, não permitindo a sua infracção, a preocupação maior do árbitro, vira-se principalmente para as regras de fair-play, ou seja, evitar ou detectar ajudas externas ou outras formas que coloquem em causa a verdade desportiva.

Daí a obrigatoriedade da webcam, pois o árbitro on-line tem de visualizar todos os jogadores ao qual está encarregue, bem como ter o compartilhamento dos seus monitores para que, a qualquer momento, possa observar o que cada um está vendo no seu ecrã e possa verificar o que se está passando à sua volta.

Há necessidade de uma grande concentração por parte do árbitro, para que assim, possa observar tudo isto bem como eventuais expressões que possam indicar comportamentos menos correctos ou fraudulentos.

Esta Olimpíada foi dividida em duas etapas: a primeira, um torneio em Sistema Suíço de 7 rondas, que apurou 4 equipas ( Rússia 1, Ucrânia 3 e as equipas 1 e 3 da Polónia) para disputarem, em ronda dupla, a segunda etapa composta por uma meia final, apurando as duas melhores equipas (Rússia 1 e Polónia 1), para disputarem as finais, enquanto as outras duas competem pelo terceiro lugar.

Essa final iniciou-se hoje, pelo que só amanhã saberemos quem será o vencedor.

É de salientar que nesta grande competição mundial também participaram invisuais, sendo possível fazerem os seus lances on-line porque, para cada um deles, a FIDE designou um assistente que lhe registava os seus movimentos e lhe anunciava os do adversário.

A minha participação terminou com a primeira etapa, onde fui o árbitro dos jogadores das equipas 1 e 2 da Colômbia, da equipa da Argentina e do 2.º tabuleiro de Cuba, facto que me levou a adoptar, durante esta semana, o espanhol, como a minha língua oficial da Olimpíada.

Por questões profissionais tive de declinar o convite para a etapa seguinte, mas senti-me honrado em fazer parte da grande equipa de arbitragem desta Olimpíada, da qual também faziam parte, de entre outros, Laurent Freyd, o Chairman da Comissão de Árbitros da FIDE e responsável pela minha sala nesta competição e Jirina Prokopova, árbitro Chefe a Competição e membro da Comissão de Árbitros da FIDE.

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Como fui o árbitro destacado para arbitrar os jogadores da Argentina, na quinta-feira (dia da 6.ª ronda), com o consentimento do árbitro de Sala e da árbitro chefe, decidi que o minuto que antecedia o inicio das partidas desse dia, fosse passado em silêncio em sinal de homenagem à memória de Maradona.

Um gesto cumprido por todos e muito apreciado pelos argentinos.

No final da última ronda, senti-me mais cansado do que se estivesse a arbitrar presencialmente, mas com a satisfação e consciência do dever cumprido, honrando assim, mais uma vez, o desporto nacional. E, a comprová-lo, estão as palavras de apreço que recebi dos jogadores e dos capitães de equipa, compartilhando convosco as destes últimos:

Voy a llorar. Gracias a ti Francisco. Un gusto compartir con todos ustedes estos momentos. Un abrazo! Los llevo en el corazón. Estamos en contacto.” – Marta Mateus capitã da Colômbia 1;

Muchas gracias Francisco, tu atención fue genial con nosotros, lograste una sensación de tranquilidad muy buena, no todos lo logran” - Hector Fiori capitão da equipa da Argentina;

Francisco, un abrazo, espero que muy pronto vengas a Colombia, será muy agradable saludarlo personalmente.” – Campo Guzman capitão da equipa Colômbia 2.

Amanhã (dia 3 de Dezembro), saberemos quem foi a grande equipa vencedora desta Olimpíada, sendo a sua consagração, propositadamente, remetida para o “Dia Internacional das Pessoas com Deficiência”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 992 de 2 de Dezembro de 2020. 

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Autoria:Francisco Carapinha,6 dez 2020 9:18

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  12 mai 2021 23:21

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