De acordo com o relatório de estabilidade financeira de 2019, libertado hoje pelo banco central cabo-verdiano, 10,4% do crédito concedido estava em incumprimento no final do ano, no valor nominal de 1,6 mil milhões de escudos, uma descida de 1,8% face a 2018 e distante do pico de 14,2% em 2016.
O crédito com imparidades nos bancos recuou 2,1%, para 10,8% do total, com um valor nominal de 1,8 mil milhões de escudos, mas 15,5% do total ainda é considerado de “risco”, ascendendo nesse caso a 1,1 mil milhões de escudos.
“A evolução global dos indicadores confirma uma tendência de redução que se vem observando desde 2017, traduzindo-se na melhoria significativa e contínua da qualidade da carteira dos bancos”, reconhece o BCV, no relatório de 2019.
O sistema financeiro cabo-verdiano conta com sete bancos que operam com clientes residentes e quatro que trabalham exclusivamente com não residentes, considerados ‘offshore’, regime que termina no final deste ano, conforme legislação aprovada em Fevereiro no parlamento de Cabo Verde.
O relatório do BCV acrescenta que a redução dos níveis de incumprimento “está relacionada com a adopção de medidas”, nomeadamente a “recuperação de créditos por via de colaterais”, com processo de dação como forma de pagamento.
“A melhoria da qualidade da carteira de crédito continuou a merecer por parte das instituições bancárias uma atenção muito especial, materializada numa política prudente de avaliação de riscos e concessão de empréstimos e numa dinâmica de recuperação muito activa de créditos improdutivos”, lê-se ainda no relatório do banco central.
Descreve igualmente que, além de “esforços conjugados” de recuperação de créditos de risco, “uma conjuntura macroeconómica interna e externa favorável em 2019, induziu a uma significativa melhoria na qualidade da carteira de crédito”.
“Com os rácios de crédito em incumprimento e de crédito com imparidade a registarem reduções substanciais face ao ano anterior, atingindo os níveis mais baixos dos últimos cinco anos”, refere ainda.
Globalmente, o relatório do BCV refere que os resultados do agregado bancário apresentaram “uma excepcional performance em 2019”, justificada pela “diminuição extraordinária de custos com o pessoal, do aumento da margem financeira e redução das imparidades”.
Em 2019, os resultados líquidos dos bancos, antes de impostos, atingiram os 3,6 mil milhões de escudos, um aumento de 425,9% no espaço de um ano.
A margem financeira registou um incremento de 14% face a 2018, para 8,3 mil milhões de escudos, justificada “pela diminuição dos juros e custos equiparados, aliado ao aumento dos juros e proveitos equiparados”.
O BCV destaca igualmente que o produto bancário somou em 2019 “um aumento extraordinário” de 1,1 mil milhões de escudos, equivalente a um aumento de 12%, “devido fundamentalmente ao comportamento da margem financeira”.