A juventude africana é um grande activo para o continente - Cristina Duarte

PorOnu News,6 out 2020 8:10

Conselheira do secretário-geral da ONU para a África crê em decisões políticas apropriadas para gerir “grande capital humano da região”. Grupo corresponde a 65% da população africana.

A nova conselheira do secretário-geral das Nações Unidas para África, Cristina Duarte, disse acreditar na força da juventude como um grande activo para o continente.

A também subsecretária-geral diz que é preciso tirar partido da força dos jovens especialmente as mulheres africanas jovens. Para ela, os decisores públicos têm que traçar as políticas apropriadas para gerir este grande capital humano da região.

“Nós temos um grande activo. O facto de África ser um continente jovem não pode ser visto como um problema. Tem que ser visto como um grande ativo. Quem dera aos outros continentes terem nossa Juventude. Quem lhes dera. Portanto, se é um activo e não é um problema, então nós devemos perguntar a nós próprios: Mas será que é que os tem faltado, do ponto de vista das públicas, para tirar partido deste grande activo que é a juventude africana, particularmente as mulheres africanas jovens.” 

A União Africana estima de os jovens sejam 65% da população em África. Cristina Duarte afirma que é necessário transformar o perfil demográfico africano, e adoptar as novas tecnologias de forma sistemática para todos, de forma massiva.

“Nós temos que entender do ponto de vista das políticas públicas que transformar o perfil demográfico africano num grande activo que produz valor, temos que fazer da adoção das novas tecnologias o ar que respiramos. Não pode ser uma solução para uma pequena comunidade onde fazemos barulho e levámos a televisão, não. Tem que ser massivamente.”

A nova chefe do Escritório da África comparou as vantagens da tecnologia com o sol que cobre todo o continente africano, ajudando a gerar energia.

Equilíbrio

“É exactamente a mesma mentalidade que nós temos que ter em relação a novas tecnologias. Aproveitá-las massivamente. Mas temos que dizer ao mundo para que isto acontece que há questões que têm que ser debatidas com equilíbrio, justiça e equilíbrio de poderes. As barreiras à propriedade intelectual têm que entrar na agenda da liderança global como solução dos actuais problemas".

Ao se referir à propriedade intelectual e os déficits deste recurso na África, ela afirmou que as restrições de registo na área afectam o continente.  

Para Cristina Duarte, o capital humano é o centro das políticas públicas. E o dia em que isso for priorizado, será possível resolver questões incluindo o fluxo ilícito de capitais e os problemas das tecnologias.

A ex-ministra das Finanças de Cabo Verde elogiou a criatividade dos jovens africanos. Segundo ela, os jovens por causa de tantos desafios acabam pensando em soluções como energias renováveis.

Ela lembrou que a covid-19 demonstrou a necessidade de ser avançar em soluções tecnológicas como motores do desenvolvimento.

Comunidade lusófona

Ao falar sobre sua experiência com outras nações lusófonas, a cabo-verdiana afirmou que se sente parte dos países africanos lusófonos. Sobre o líder da independência Amílcar Cabral, contou ter muito orgulho do legado de Cabral que liderou uma geração com visão não só de independência, mas de ideias e conceitos muito semelhantes a de outros membros da comunidade lusófona.

A subsecretária-geral disse esperar cooperar com todos os países de língua portuguesa e os demais durante o mandato dela como conselheira para África do secretário-geral António Guterres.

Cristina Duarte finalizou dizendo que o processo de busca e resposta para as crises enfrentadas pelo mundo atual passa por uma discussão aberta do papel do multilateralismo. 

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Autoria:Onu News,6 out 2020 8:10

Editado porSara Almeida  em  8 mai 2021 23:21

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