Responsável do Hospital Agostinho Neto considera denúncias do SNETS de “infundadas”

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,9 jan 2020 15:34

O presidente do conselho de administração do Hospital Agostinho Neto considerou hoje “infundadas” as denúncias do SNETS quanto à situação laboral de alguns funcionários e aos "problemas" do bloco operatório.

Júlio Andrade fez essas considerações em declarações à Inforpress, quando convidado a comentar as denúncias do presidente do Sindicato Nacional dos Enfermeiros e Técnicos da Saúde (SNETS) na manhã de hoje, na Cidade da Praia.

“Como é possível que na administração pública uma instituição demita um funcionário sem haver um processo? Isso deve ser ficção do sindicato”, disse, afirmando, por outro lado, que a gestão dos médicos, enfermeiros e técnicos, é feita pela Direcção-geral do Planeamento Orçamento e Gestão do Ministério da Saúde.

Conforme Júlio Andrade, na administração pública não se pode ter funcionários em regime de contrato, pois as admissões são feitas por concurso.

Quanto ao horário de trabalho, em que o sindicato afirma que os funcionários do Hospital da Praia são obrigados a trabalhar uma hora a mais por dia, cinco horas a mais por semana e 20 a 22 horas a mais por mês, Júlio Andrade informou que o horário da função pública é estabelecido na legislação, pelo que nada pode ser inventado.

“O sindicato já apresentou queixa no tribunal e não obteve resposta positiva. Que continue a resolver o problema na justiça. Todos os direitos estão contemplados na legislação”, acentuou.

Em relação ao bloco operatório, acrescentou que o hospital da Praia tem “mais de 20 especialidades e centenas de equipamentos”, pelo que é normal que haja avaria de equipamentos.

Nesses casos, explicou, existe uma equipa de manutenção que se ocupa desse trabalho, e, caso não consiga consertar, a instituição terá de procurar financiamento para comparar outro equipamento.

“O bloco operatório tem sete salas cirúrgicas e, neste momento, dois equipamentos estão avariados. Estamos a falar de equipamentos que custam cerca de quatro mil contos e que não se conseguem comprar de um dia para outro”, disse.

Sobre o impacto da falta de equipamentos nas cirurgias realizadas diariamente, Júlio Andrade realça a necessidade de se enveredar por turnos de trabalho para que as diferentes especialidades possam operar os seus doentes, sem forçar um aumento da lista de espera.

O responsável afirmou ainda que o hospital da Praia está em negociação com os cirurgiões e pessoal do bloco operatório para que se opere por turnos de trabalho, e avançou que tal medida vai ser introduzida no regulamento interno do hospital.

Isso porque, salientou, não é possível que um hospital com mais de 20 especialidades e mais de 50 cirurgiões ter salas suficientes para trabalhar apenas das 8:00 às 16:00.

“É preciso haver mudanças para que possamos rentabilizar as estruturas, permitir cirurgias mais intensivas e melhor gestão”, concluiu.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,9 jan 2020 15:34

Editado porSara Almeida  em  3 jun 2020 23:20

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