Morrer de e morrer com COVID-19

PorAndre Amaral,21 jun 2020 9:36

Autoridades de saúde mostram-se confiantes na contenção da evolução da doença no país. No entanto, há uma nova morte a lamentar e o país contabiliza quase 800 casos de infecção.

Cabo Verde registou, esta semana, mais um óbito relacionado com a COVID-19. Um homem de 41 anos, natural de São Domingos e que sofria de outros problemas de saúde acabou por falecer esta segunda-feira, anunciou o Director Nacional de Saúde, Artur Correia em conferência de imprensa.

Com este óbito, sobe para sete o número de mortes relacionadas com a doença em todo o país.

No entanto, há uma questão que se levanta. Quantas pessoas morreram de COVID-19 e quantas morreram com COVID-19?

O Director Nacional de Saúde remeteu para o futuro uma análise aos dados.

“Essa é uma questão não só de Cabo Verde, mas temos de enfrentar essa situação”, disse Artur Correia, que explicou que este “não é um problema novo”. “Temos essa experiência com a SIDA em que muitas vezes as pessoas não morrem por SIDA mas sim por outras causas e há uma tendência natural, em termos estatísticos, de se classificar como um óbito de SIDA”.

No entanto, prosseguiu, “há uma coisa que se chama auditoria aos óbitos. No final da epidemia vamos fazer uma auditoria a todos os óbitos e vamos classificar cada tipo de óbito. Mas é um problema que se enfrenta sempre nas epidemias”, concluiu.

Balanço

Fazendo um balanço desde que a COVID-19 entrou no país, Artur Correia garantiu que tudo está a ser feito “para que o nosso sistema de saúde consiga corresponder, tenha uma resposta positiva e não se sufoque com uma avalanche de casos”.

“Penso que, até este momento temos conseguido suster o avanço desenfreado da COVID-19 no país”, reforçou.

Como exemplo, Artur Correia usou a ilha da Boa Vista que está “mais ou menos controlada, não há casos autóctones há várias semanas”. “No interior de Santiago estamos a enfrentar a epidemia não só no concelho da Praia, mas também temos um foco em Santa Cruz”.

Nas restantes ilhas, “mais a sul temos o Fogo sem nenhum caso, temos a Brava sem nenhum caso e a ilha do Maio sem nenhum caso”. Já no norte do país, “São Vicente com os três casos inicialmente relatados e com casos importados a partir do Sal, Santo Antão sem casos autóctones mas com casos importados do Sal e em São Nicolau não temos casos de transmissão local mas já tivemos dois casos importados do Sal”, ilha, aliás, que concentra “outro foco importante” da doença.

Depois de quase três meses, o Director Nacional de Saúde defende que o Serviço Nacional de Saúde “juntamente com as forças de segurança, a protecção civil e a sociedade civil no seu todo” têm realizado “um esforço que tem valido a pena e temos de facto conseguido suster o avanço da epidemia”.

Transferência da ONU

Esta terça-feira, a ONU anunciou a transferência de mais de 10 milhões de escudos para Cabo Verde. O valor foi doado no quadro da cooperação da ONU com o país, para apoiar as autoridades nacionais nas respostas à pandemia da COVID-19.

Em comunicado, as Nações Unidas referem que os fundos, ora doados, no valor total de 10,158,900 CVE (dez milhões, cento e cinquenta e oito mil e novecentos escudos cabo-verdianos), visam contribuir para garantir essencialmente a continuidade de serviços prestados aos idosos e pessoas isoladas por alguma vulnerabilidade, através dos centros de dia, bem como no processo de reabertura dos jardins-de-infância, assegurando a criação de condições de segurança sanitária e higienização que a situação sanitária exige de momento e em consonância com as orientações emanadas pelo Governo.

“Esta doação vem, assim, contribuir para a implementação de parte das respostas previstas no documento medidas de protecção das famílias mais pobres e dos trabalhadores do sector informal e do REMPE, particularmente na medida 4 que diz respeito à Protecção social dos idosos dos Centros de Dia”, lê-se.

Números

Com os novos casos diagnosticados esta terça-feira, o país contabiliza 782 casos acumulados de COVID-19, 397 com infecção activa, 354 recuperados e sete óbitos.

Na conferência de imprensa desta terça-feira, Artur Correia explicou que “temos 411 casos activos e 361 doentes recuperados a nível nacional”.

Já no que respeita ao tempo de reprodução do vírus no tempo “o chamado Rt que, nos últimos dias tem andado à volta de 1 e abaixo disso há dois ou três dias”.

*com Fretson Rocha

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 968 de 17 de Junho de 2020. 

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Autoria:Andre Amaral,21 jun 2020 9:36

Editado porAndre Amaral  em  2 dez 2020 23:21

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