Os termómetros afectam o cérebro?

PorNuno Andrade Ferreira,20 ago 2020 12:10

1

Será que temos que ter cuidados com os termómetros de infravermelhos usados em locais públicos? E as máscaras estarão a causar o aparecimento de casos de doença dos legionários? Estas e outras e perguntas, para outras tantas respostas, na edição desta semana do Teste Rápido.

Termómetros

Circulam nas redes sociais vários posts que alegam que os termómetros de infravermelhos, agora muito comuns em locais públicos, como cais e aeroportos, têm a capacidade de provocar danos à saúde das pessoas, causando cancro ou afectando a glândula pineal, uma pequena glândula endócrina presente no cérebro dos vertebrados. 

image

Sobre a possibilidade de os termómetros causarem danos na glândula pineal, o neurocirurgião Paulo Honda, que é director de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), disse ao Lupa que a aferição feita pelo termómetro de infravermelhos é de superfície e, por isso, incapaz de atingir qualquer parte do sistema nervoso central.

Outra das questões suscitadas nas redes prende-se com a alegada emissão de radiação por parte destes termómetros. Sobre esta dúvida, o médico esclarece que a “luz emitida pelos termómetros digitais é ultravioleta, diferente de substâncias radioactivas e incapaz de causar dano cerebral”.

É #FAKE que termômetro digital infravermelho cause câncer e cegueira - Instituto Oncoguia

Circula nas redes sociais que os chamados termômetros de testa, de raio infravermelho, que vêm sendo usados para aferir a temperatura de frequentadores no comércio, fazem mal à saúde e à visão, podendo até a levar a casos de câncer e cegueira. É #FAKE.

Associated Press perguntou ao director de neurorradiologia da Johns Hopkins UniversityHaris Sair, se os termómetros de infravermelhos emitem ondas de algum tipo. O especialista esclarece que, na realidade, os infravermelhos se limitam a medir as ondas emitidas pelo nosso próprio organismo. Os aparelhos não emitem luz infravermelha.

O canal de YouTube de divulgação científica, Manual do Mundo, dedicou um episódio a este tema, no qual explica e testa estas questões.

NÃO TE CONTARAM tudo sobre TERMÔMETRO DE TESTA

CONHEÇA A NOSSA LOJA: https://lojadomanual.com.br O termômetro de testa tem se tornado cada vez mais popular em tempos de coronavírus. E também tem gerado mu...

Ao Polígrafo, site português de verificação de factos, João Júlio Cerqueira, médico e autor do projecto Scimed, explica que os termómetros são inofensivos para a saúde. O único 'risco' que se corre é que "a utilização em zonas não especificadas pode dar leituras incorrectas".

Legionella

Já deve ter ouvido falar sobre a Legionella ou a doença dos legionários. A bactéria Legionella está presente no meio aquático - rios, lagos, sistemas de água domésticos ou piscinas, para citar alguns exemplos. O contágio ocorre por inalação de gotículas de águas quente suspensas no ar. A doença dos legionários – causada pela Legionella – é responsável, na sua forma mais grave, por um tipo específico de pneumonia. Quem é infectado apresenta sintomas como dor de cabeça, tosse, falta de ar, dores musculares, febre alta, entre outros.

No Facebook, circulam publicações que associam a Legionella ao uso de máscaras. Essas publicações alegam que uma mulher, que pensava ter sido infectada com covid-19, estaria, afinal, com a doença do legionário, causada pelo uso da máscara.

image

O site de verificação de factos, Full Fact, verificou estas informações. Para o efeito, contactou a organização sem fins lucrativos, Legionella.org, que se dedica a alertar para os riscos da bactéria.

Fonte da associação garante que a doença dos legionários não pode ser contraída através do uso de máscaras. “A bactéria é transmitira ingerindo água ou partículas de água. A Legionella não se transmite de pessoa para pessoa e a bactéria não sobrevive em superfícies secas. A máscara não é uma fonte de transmissão”, asseguram os especialistas.

A confusão originada pelo post floresce a partir do facto de, como realçámos anteriormente, os sintomas da doença dos legionários se assemelharem muito aos sintomas típicos causados pela covid.

Legionella

Informação sobre Legionella

Esteja atento

Como temos constatado, ao longo das edições semanais do Teste Rápido, existem muitas informações a circular sobre o coronavírus e a covid-19, mas nem todas são fidedignas. Informações falsas, total ou parcialmente, ou informações que, sendo verdadeiras, foram retiradas do seu contexto, apresentando-se como manipuladas, são muito comuns na Internet.

Perceber de onde vem a informação é um passo fundamental para validar a sua veracidade. A fonte da informação é relevante. Alguém que 'tem um amigo, que tem um primo, que conhece uma pessoa que disse que', geralmente, deve merecer a nossa reserva.

Se a fonte está claramente identificada, então convém verificar se ela realmente existe e se, de facto, disso aquilo que lhe está a ser atribuído.

Confiar em órgãos de comunicação social de referência, com um histórico de credibilidade, é uma boa decisão. Como também é sensato confiar nas informações oficiais, veiculadas pelas autoridades de saúde.

Nos últimos anos, surgiram vários projectos jornalísticos dedicados, em exclusivo, à verificação de factos. A International Fact Checking Network (IFCN) reúne em rede os sites de fact checking existentes em diferentes partes do mundo. Neles é possível despistar muitas das informações que circulam e que nos parecem ‘demasiado boas para serem verdadeiras'.

Se algo não lhe parecer certo, é porque provavelmente alguma coisa está errada. Este alerta é válido para conteúdo, como para forma. Vale por isso ficar atento a montagens fotográficas ou vídeo, à replicação de sites e a outras técnicas que visam falsificar a forma como os conteúdos são apresentados.

Como explica o coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, o professor Ivar Hartmann, combater as fake news é ainda mais urgente em tempos de pandemia.

"É muito mais útil [perceber a] diferença entre aquela mensagem que se apresenta como uma notícia, sem no entanto a abordagem ter sido produzida segundo critérios e standards jornalísticos, e a mensagem que se apresenta como notícia e foi produzida segundo critérios e standards jornalísticos. Essa diferença é muito mais operacionalizavel, muito mais prática e permite resultados melhores, inclusive, evitando muitos falsos positivos, evitando que se censurem mensagens, opiniões e comentários que não configuram efectivamente algo nocivo para esse debate na sociedade", declara. 

FGV - Impactos do COVID-19 | Fake news em tempos de pandemia

Qual o impacto das fake news em tempos de pandemia, onde uma notícia falsa pode causar ainda mais danos quando se trata da vida de milhares de pessoas? Nesse...

Sobre o Teste Rápido

O Teste Rápido é um projecto da Rádio Morabeza e do Expresso das Ilhas. Todas as informações usadas neste programa estão disponíveis na Internet. Pode ouvir-nos na rádio (quinta-feira, depois das 11h00), recuperar-nos em formato podcast ou ler-nos aqui, no site do jornal.

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:Nuno Andrade Ferreira,20 ago 2020 12:10

Editado porSara Almeida  em  21 abr 2021 23:21

1

pub.
pub.
pub
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.