Novo Ano Lectivo : As regras para o regresso às aulas

PorAndre Amaral,12 set 2020 8:37

As aulas estão aí à porta. Num novo normal, as escolas públicas começam as aulas a 1 de Outubro, mas no sector educativo privado existem escolas onde, para a semana, as actividades lectivas têm início. Alterações vão afectar ambos os sistemas de ensino.

“As crianças e as suas famílias em todo o mundo foram expostas aos impactos directos da pandemia do coronavírus (COVID-19) e correm o grande risco de serem abandonados à sua sorte se os governos não tomarem medidas para os proteger”, defende o Banco Mundial numa altura em que as aulas vão recomeçar em vários países do mundo.

As medidas para limitar a propagação do vírus obrigaram a alterações no quotidiano de todos. Desde as famílias na sua globalidade mas, especificamente das crianças.

Com a evolução da pandemia, a maioria dos governos viu-se obrigado a suspender ou até mesmo fechar as escolas como forma de combater a propagação do vírus, alterando drasticamente as dinâmicas dos agregados familiares.

Um estudo elaborado pelo Banco Mundial vem agora defender que estas mudanças podem “ter um impacto no desenvolvimento cognitivo e sócio-emocional das crianças. Ao mesmo tempo, muitos pais e prestadores de cuidados estão sob pressão adicional para trabalharem a partir de casa, para continuarem a trabalhar fora de casa apesar dos riscos de saúde, ou perderam os seus empregos devido à pandemia”.

Aponta o estudo que as crescentes exigências aos pais “no sentido de prestarem cuidados e apoio à aprendizagem a partir de casa, juntamente com a incerteza económica e o isolamento, aumentaram os níveis de stress e o risco de violência em casa”. Além disso, factores de saúde e económicos são apontados como outros factores que podem condicionar a capacidade das famílias “para satisfazer as necessidades básicas das crianças, incluindo a sua nutrição e saúde, e mesmo outras necessidades psicossociais, tais como a educação e o desenvolvimento social. Além disso, como a incapacidade de acesso à educação, saúde e serviços sociais continua, as crianças, particularmente as que vivem em condições frágeis e pobres, correm o risco de não desenvolverem todo o seu potencial”.

Como se prepara o na lectivo em Cabo Verde

As escolas privadas, à semelhança das públicas, estão a atravessar momentos de incerteza.

Duas das escolas ouvidas pelo Expresso das Ilhas, a Escola Portuguesa de Cabo Verde e o Colégio Português, já têm datas definidas para o início das actividades lectivas e entre 14 e 17 de Setembro os alunos regressam às aulas.

No caso da Escola Portuguesa de Cabo Verde (EPCV) o regresso vai ser feito em duas fases.

As aulas, à excepção do pré-escolar e do primeiro ano, começam a 17 mas no formato em que terminaram no ano passado, ou seja, os alunos a partir do segundo ano assistem às aulas a partir de casa numa plataforma online.

Já os alunos da pré-primária e do primeiro ano iniciam as aulas apenas a 1 de Outubro, altura em que têm início, também, as aulas presenciais.

No caso desta escola o plano traçado pela direcção – e que obedece a indicações do Ministério da Educação de Portugal – as turmas serão dividas em duas partes, sendo que, de forma alternada, as aulas presenciais serão dadas às segundas, quartas e sextas-feiras para uma parte e às terças e quintas-feiras para a outra. Nos dias em que não tenham aulas presenciais os alunos assistem às aulas pela internet.

Segundo orientações enviadas pela direcção da EPCV aos encarregados de educação a utilização de máscaras de protecção será obrigatória para os alunos a partir do 5º ano de escolaridade, no entanto “a escola adquiriu em Portugal máscaras sociais 2R3S devidamente certificadas, que serão distribuídas aos alunos (duas por aluno) a partir do 1.º ano de escolaridade. As máscaras são laváveis, devem ser lavadas após três dias completos de utilização, a protecção das mesmas é garantida para 30 lavagens. Estas máscaras só devem ser utilizadas na escola”.

No Colégio Português as regras vão ser semelhantes.

Mafalda Guerra, Directora Pedagógica daquela instituição privada de ensino aponta para o uso obrigatório de máscaras para acesso e permanência no Colégio, pelo pessoal docente e não docente, pelos alunos a partir do 2º ciclo do ensino básico, pelos encarregados de educação, e ainda por todos os elementos externos e por todos os visitantes.

Diferente será o funcionamento das aulas quando comparado com a EPCV.

A directora Pedagógica do Colégio Português explicou que o objectivo é tentar um funcionamento o mais normal possível de cada turma.

“As turmas tentarão funcionar dentro da normalidade, uma vez que o Colégio tem um máximo de 18 alunos por turma. Facilitando assim a manutenção do horário normal e não havendo necessidade de um desdobramento de turmas”.

Recreios, Educação Física e preocupações dos pais

Com os casos de COVID-19 a não darem sinais de abrandamento na Praia, alguns pais têm questionado se a abertura do ano lectivo deve acontecer já por temerem que as escolas se transformem em focos de infecção.

Suzana Maximiano, directora da EPCV, assegura que tudo está a ser tratado para que as aulas decorram na maior segurança possível.

“Entendemos a preocupação dos pais”, diz em entrevista por email, “mas as nossas crianças e alunos sentem a falta da escola dos colegas e dos professores. Este convívio é essencial para o seu desenvolvimento psicológico e social”. “Não podemos ficar eternamente confinados a aguardar que a pandemia acabe. Temos de tentar regressar à normalidade”.

“O calendário e as regras que definimos na EPCV pretendem minimizar, ao máximo, os riscos de contágio e facilitar o regresso à escola, tentando incutir alguma confiança nos pais e encarregados de educação”.

A responsável pedagógica do Colégio Português também defende a abertura do ano escolar, que no caso daquela instituição acontece já na próxima segunda-feira. “Sim. É possível implementar estas medidas de segurança no imediato pelo que não vimos qualquer vantagem em continuar a atrasar o início normal das aulas. Também consideramos que os/as alunos/as já se encontram muito tempo em casa precisando. O Colégio Português, sempre reagiu a tempo e em segurança a todos os momentos da Pandemia. Presencialmente ou Telematicamente, temos todas as condições para cumprir com os Planos de Estudos dos alunos”.

Com o regresso às aulas já definido outras preocupações do pais e encarregados de educação prendem-se com situações específicas e que podem ser períodos de maior risco como é o caso das aulas de educação física e os períodos de recreio.

Naquelas situações, assegura Suzana Maximiano, também foram tomadas medidas preventivas. Por exemplo, nas aulas de educação física serão privilegiados sempre “os exercícios individuais, mantendo o distanciamento social de pelo menos 2 metros” excluindo-se, por isso, desportos em que possa haver um maior contacto físico como é o caso do futebol, andebol ou basquetebol.

Situação idêntica vai ser vivida no Colégio Português.

Mafalda Guerra, por sua vez, refere que as “aulas de Educação Física, nesta primeira fase serão teóricas e a parte prática será implementada logo que a situação da pandemia estabilize, privilegiando as modalidades desportivas que não têm contato físico tais como atletismo e ginástica”.

E no público como vai ser?

As escolas públicas, por seu lado, vão ter regras um pouco diferentes.

Segundo as orientações transmitidas, esta terça-feira, pelo Ministério da Educação os alunos do ensino público, do 1º ao 4º ano, terão períodos lectivos de duas horas diárias divididos em aulas de 25 minutos que serão depois complementadas pelas tele-aulas no programa “Aprender e Estudar em Casa”.

Entre cada aula, acrescenta o Ministério da Educação, haverá um intervalo de cinco minutos “sem que os alunos transitem de sala”.

Dentro da sala de aula o distanciamento entre os alunos será garantido pelo posicionamento das carteiras a 1,5 metros de distância umas das outras em todas as direcções.

As turmas serão divididas em dois grupos e vão ter no máximo 22 alunos.

Já no Segundo Ciclo do Ensino Básico (5º ao 8º ano) e no Secundário (9º ao 12º) as aulas presenciais não serão diárias mas sim alternadas. Ou seja, metade dos alunos – igualmente com um número máximo de 22 alunos – terá aulas às segundas, quartas e sextas-feiras enquanto a outra metade terá aulas às terças, quintas-feiras e sábados.

Também aqui haverá complementaridade entre as aulas presenciais e o programa televisivo Aprender e Estudar em Casa.

Nestes dois ciclos de ensino o Ministério da Educação definiu que as aulas terão a duração de 25 minutos por cada disciplina seguidas de um intervalo de cinco minutos sem que os alunos saiam das salas de aulas nesse período.

Já as aulas que requeiram prática laboratorial como é o caso das disciplinas de Física, Química ou Biologia “serão reduzidas para 2/3”, anunciou o Ministério da Educação. A concluir, numa referência ao ensino técnico, o ministério aponta que as aulas práticas serão presenciais.

Com o início das aulas a aproximar-se, aumenta o risco de surgimento de novos casos. Artur Correia reconhece essa possibilidade mas defende que “as escolas têm de abrir”.

“Participamos numa reunião com o ministério da Saúde para a planificação do novo ano lectivo. Já sabemos que a nível internacional tem havido polémica em relação ao início das aulas neste contexto de COVID, também em Cabo Verde representa um risco grande mas temos de preparar todas as medidas preventivas e protectoras para garantir a segurança sanitária nas aulas”.

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TV Educativa complementa salas de aula

A criação da TV Educativa, como já foi anteriormente anunciado, é uma decisão que vem no seguimento da experiência já realizada no ano lectivo passado (2019/2020), após suspensão das aulas do terceiro trimestre com a implementação de tele-aulas por forma a “assegurar o acesso ao ensino” em época de pandemia.

“A suspensão de aulas, para conter o avanço do novo coronavírus, levou escolas e professores a se adaptarem e encontrarem formas de manter os alunos activos em tempos de pandemia”, lê-se no diploma publicado esta terça-feira no Boletim Oficial.

A programação da TV Educativa irá, entretanto, além das tele-aulas. De acordo com a resolução serão também emitidos “programas infantis e juvenis e outros formatos de entretenimento para jovens, desporto juvenil, noticiários na óptica de uma visão jovem dos acontecimentos nacionais e internacionais, concursos, sobretudo entre estabelecimentos escolares, documentários e programas com forte pendor formativo na área da cidadania”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 980 de 9 de Setembro de 2020. 

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Autoria:Andre Amaral,12 set 2020 8:37

Editado porSheilla Ribeiro  em  20 set 2020 13:19

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