Ulisses Correia e Silva lembra que Cabo Verde “sofre fortemente os efeitos das alterações climáticas”

PorAndre Amaral,8 nov 2021 8:28

Primeiro-ministro discursou na passada terça-feira na cimeira do ambiente que decorre em Glasgow, na Escócia, e lembrou as fragilidades dos pequenos Estados insulares no que respeita às alterações climáticas.

Na cimeira de chefes de Estado e de Governo que decorre na cidade escocesa de Glasgow, Ulisses Correia e Silva apontou, no discurso feito ontem, que Cabo Verde defende “cortes ambiciosos nas emissões para evitar o aumento da temperatura média global para além de 1.5ºC até ao final do século; Políticas públicas, investimentos e empoderamento tecnológico para a adaptação às alterações climáticas, transição justa e aumento de resiliência; a concretização do financiamento climático e criação de condições para a sua exequibilidade e acesso e a consideração das vulnerabilidades e especificidades dos pequenos Estados Insulares (SIDS na sigla em inglês) nos critérios de financiamento climático”.

Segundo Ulisses Correia e Silva, Cabo Verde compromete-se, para alcançar o objectivo de evitar a subida das temperaturas em 1,5ºC até final do século, a “reduzir as emissões em 38% ate 2030 e atingir a neutralidade carbónica em 2050. Partindo dos actuais 20%, pretendemos em 2030, ter mais de 50% de penetração de energias renováveis, acompanhado do aumento da eficiência energética”.

Cabo Verde, lembrou o primeiro-ministro na sua comunicação, “foi o primeiro país africano a aderir à Aliança para Descarbonização dos Transportes. Até 2030 devemos substituir 25% da nossa frota de veículos térmicos por veículos eléctricos e atingir 100% em 2050”.

A agricultura tem sido um dos sectores mais afectados pelas alterações climáticas. Cabo Verde tem, ao longo dos últimos anos, atravessado uma das piores secas com quebras significativas na produção agrícola. Dessa forma, referiu Ulisses Correia e Silva no seu discurso, para viabilizar a agricultura “estamos a investir forte na dessalinização da água salobra e do mar, reutilização segura de águas residuais tratadas, massificação da rega gota-a-gota” em associação à utilização de energias renováveis.

“Estes são os esforços de um pequeno estado insular que tem uma contribuição insignificante na carbonização da economia, mas que sofre fortemente os efeitos das alterações climáticas”, apontou. “Todos os SIDS sofrem do mesmo e estão fortemente ameaçados pelas alterações climáticas. Os desafios das mudanças climáticas exigem compromissos colectivos e acção. Exigem muito mais do grupo restrito de países do G20 que podem fazer diferença com eficácia”.

“É preciso erradicar a pobreza extrema que afecta milhões de pessoas no mundo, porque ela não facilita a massificação de práticas e atitudes a favor do clima e a favor do ambiente”, alertou ainda o primeiro-ministro.

A última esperança

A COP26 é “a última esperança” de conseguir limitar o aquecimento global a 1,5ºC, a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, disse no domingo o seu presidente Alok Sharma na abertura da conferência em Glasgow, na Escócia.

A 26.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) vai decorrer até 12 de Novembro.

Durante a pandemia de covid-19, “as alterações climáticas não fizeram férias. Todas as luzes estão vermelhas no painel de avaliação do clima”, adiantou, pedindo mais ambição no primeiro dia da conferência considerada como crucial para o futuro da humanidade.

“Se agirmos agora e em conjunto, podemos proteger o nosso precioso planeta”, disse ainda.

A responsável pelo clima da ONU, Patricia Espinosa, declarou, por seu turno, que “a Humanidade enfrenta escolhas difíceis, mas claras”.

“Podemos escolher reconhecer que continuar com as coisas como estão não vale o preço devastador que temos que pagar e fazer a transição necessária ou aceitar participar na nossa extinção”, disse.

O Acordo de Paris, alcançado em 2015 durante a COP21, visa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa para limitar o aquecimento abaixo dos 2ºC em relação à era pré-industrial, se possível abaixo dos +1,5ºC. Mas com a tendência actual, os especialistas sobre o clima da ONU (GIEC) alertaram para o risco de se atingir 1,5ºC por volta de 2030 e os compromissos climáticos dos Estados levam a um aquecimento catastrófico de 2,7ºC.

Com mais 1ºC, a repetição das catástrofes já está em andamento, desde enormes incêndios na Califórnia ou na Sibéria a temperaturas elevadas no Canadá, passando por inundações destruidoras na China ou no oeste da Europa.

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Os NDC de Cabo Verde

Segundo o Nationally Determined Contribution (NDC) de Cabo Verde, adoptado em 2015 e actualizado em 2021, Cabo Verde pretende obter um “substancial benefício de mitigação - na ordem de 180.000 toneladas de CO2 para 242.000 toneladas de CO2 anualmente até 2030 - bem como um impacto de adaptação duradouro em termos de segurança alimentar, hídrica e energética para o país e maior resiliência nas comunidades. A longo prazo, espera-se que os impactos direccionados à Adaptação também tenham efeitos na segurança alimentar, segurança hídrica, segurança energética e resiliência dos sectores económicos e sociais.

*Com Lusa

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1040 de 3 de Novembro de 2021. 

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Autoria:Andre Amaral,8 nov 2021 8:28

Editado porAndre Amaral  em  6 dez 2021 23:20

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