Taxa de penetração de energias renováveis vai ultrapassar os 30% em 2025

PorAndré Amaral,3 mar 2024 17:21

Cabo Verde tem à disposição um investimento de 240 milhões de euros para canalizar para a transição energética e para a Economia Azul. O primeiro grande projecto a ser apresentado foi o Santiago Pumped Storage. Além desse projecto o governo quer apostar na automação e digitalização das redes de transporte e distribuição de energia, na substituição massiva dos contadores analógicos para contadores inteligentes entre outros projectos. Rito Évora, Director Nacional da Indústria, Comércio e Energia, explica ao Expresso das Ilhas as ambições do governo no que toca à implementação de energias renováveis e à transição no país e garante que em 2025 o país vai conseguir ultrapassar a meta estabelecida de 30% de taxa de penetração de energias renováveis.

A Global Gateway disponibilizou mais de 240 milhões de euros para investimentos em Cabo Verde. 60 milhões de euros desse valor vão ser canalizados para o Projecto Santiago Pumped Storage. Que outros projectos vão ser financiados com o restante dinheiro que foi disponibilizado?

Efectivamente, como foi anunciado Cabo Verde celebrou com o BEI no âmbito da iniciativa do Global Gateway o financiamento de um pacote neste montante contemplando duas componentes: um dedicado à transição energética e outro direccionado para economia azul. No caso da Transição Energética o montante é de 120 milhões de Euros, incluindo ainda um donativo adicional da União Europeia de 25 milhões de Euros totalizando um pacote de 145 milhões de Euros. Para além da implementação do projecto do “Pumped Storage”, contamos fazer avanços significativos no domínio da automação e digitalização das redes de transporte e distribuição de energia com recursos do pacote financeiro acordado, nomeadamente através do reforço da rede de alta tensão de Santiago incluindo o fecho do anel na região norte, a implementação de projectos previstos no roteiro para as redes inteligentes, como a extensão do controlo do centro nacional de despacho para todas as ilhas e a substituição massiva dos contadores analógicos para contadores inteligentes.

O governo tinha anunciado recentemente que iria dar início à instalação de painéis solares em edifícios públicos, como é o caso dos hospitais centrais, por forma a reduzir o consumo de combustíveis fósseis na produção de electricidade. Como está a implementação desse projecto?

Todos os hospitais centrais e regionais já foram beneficiados com instalações de microprodução no âmbito do projecto SIDdoc financiado pelo Banco Mundial em 2017/2018. No projecto agora em execução estão abrangidos a instalação de microprodução em 32 centros de saúde e centros comunitários. O concurso para a selecção da empresa executora foi concluído agora em Fevereiro com previsão de arranque das obras já em finais de Março. O projecto irá instalar uma potência adicional de 630 kWp (quilowatt-pico). Outro projecto que temos em andamento e que conta com financiamento da Cooperação Luxemburguesa vai instalar mais 804 kWp em 61 edifícios públicos.

Há também a ambição de dotar o país de iluminação pública LED. Quando estará concluído e que economia vai gerar em termos de consumo de electricidade?

Após a experiência bem-sucedida de substituição de lâmpadas na cidade Praia e em S. Maria no Sal, está sendo preparado um novo pacote orçado em cerca de 8 milhões de Euros para a substituição massiva das lâmpadas convencionais de vapor de mercúrio e vapor de sódio para lâmpadas LED permitindo uma redução do consumo de energia na Iluminação pública à volta de 40%.

Qual a taxa total de penetração de energias renováveis em Cabo Verde? Vamos conseguir atingir a meta de 30% em 2025 como consta do plano para o sector director do sector eléctrico?

Os dados de 2023 ainda estão sendo objecto de validação final, mas apontam para uma taxa de 18,5%. Os projectos em fase de implementação totalizando cerca de 53 MW representam um aumento da capacidade instalada superior à existente hoje no país o que vai permitir ultrapassar a meta prevista.

Tem-se falado muito na energia solar. E quanto à energia eólica? Que projectos há e em que ilhas há maior potencial?

O plano director de electricidade prevê um mix optimizado de energia solar e eólica. Dos 250 MW de capacidade previstos cerca de 90 MW serão de capacidade eólica e 160 MW solar. Contudo face ao maior factor de capacidade dos parques eólicos a maior parte de energia renovável injectada nas redes será de origem eólica, mas a execução destes projetos é mais complexa. Do leque actualmente em implementação destacamos de imediato a expansão do parque eólico de Achada S. Filipe que vai passar de 9,5 MW para 23 MW até o final de 2025. Novas capacidades serão implementadas em todas as ilhas, sendo a ilha com melhor potencial a ilha de S. Vicente.

E que outros projectos fora destes financiamentos estão na calha para assegurar a transição energética no país?

Temos em andamento projectos para a implementação das primeiras capacidades de armazenamento de energia por baterias de lítio para todas as ilhas, seja por via de empresas de prestação de serviços de armazenamento de energia independentes como é o caso das ilhas de Santiago, Sal, S. Vicente, Boavista e projectos financiados com recurso a financiamento público nas outras ilhas nomeadamente as incluídas no actual pacote de financiamento acordado com o Banco Mundial. Será feita uma aposta forte também em projectos de eficiência energética nos próximos pacotes em estruturação.

E como está o mercado da microgeração? Não temem uma desregulação do mercado com consequentes problemas para a Electra?

O desenvolvimento da geração distribuída e da auto-produção para consumo próprio são partes integrantes da estratégia e o planeamento da evolução do sistema elétrico é feito levando estas vertentes em devida consideração. Pelo que não vemos isso como um problema. Trata-se de uma área onde temos registado um grande dinamismo em termos de investimento privado que tem conseguido tirar proveito dos sistemas de incentivos e regulamentação desenvolvidos para o efeito.

A Mobilidade Eléctrica tem sido uma aposta forte do governo. Que balanço se pode fazer?

O projecto está conseguindo avanços importantes tanto em termos do aumento do número de veículos eléctricos em circulação como no desenvolvimento da Rede Nacional de Carregamento Público. Temos feito também uma aposta importante no domínio da formação e capacitação. Entretanto, a componente de transporte público tem enfrentado mais dificuldades em avançar face aos elevados custos das viaturas para esse segmento. Mas consideramos que o balanço é positivo.

Quantos veículos eléctricos (carros e motos) há a circular no país?

Segundo dados recentes da DGTR (Direcção Geral dos Transportes Rodoviários) no final de 2023 tínhamos já a circular no país mais de 280 Viaturas Elétricas, excluindo os motociclos. O programa de incentivos já pré-aprovou 240 pedidos de incentivos, destes já foi desembolsado o pagamento de 104 veículos.

O programa de incentivos de aquisição de viaturas eléctricas é para continuar?

O prazo inicial de execução do PROMEC financiado pelo “Mitigation Action Facility” vai até Junho de 2025. Estamos a solicitar uma extensão para pelo menos até Dezembro do referido ano. Defendemos que o programa deve ser continuado por mais um período de 2 a 3 anos, mas isso vai depender da possibilidade de mobilização de fundos adicionais para manter a disponibilização dos incentivos.

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Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1161 de 28 de Fevereiro de 2024. 

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Autoria:André Amaral,3 mar 2024 17:21

Editado porEdisângela Tavares  em  16 abr 2024 14:20

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