Em conferência de imprensa realizada hoje, junto dos oito profissionais, em frente ao cemitério, o coordenador local do sindicato da Indústria Geral Alimentação Construção Civil e Afins (SIACSA), Heidy Ganeto, explicou que as propostas apresentadas no ano passado continuam sem resposta.
“Enviámos uma proposta à Câmara Municipal, no ano passado, relativamente a um reajuste salarial e à aplicação de um subsídio. Também pedimos melhores condições de trabalho e respeito para com os coveiros. Neste momento, os coveiros auferem o salário mínimo da função pública, de 19 mil escudos. A proposta que apresentámos é de 25 mil escudos, bem como a aplicação de um subsídio de risco de cinco mil escudos, pela natureza do trabalho e pelos riscos que enfrentam. Nas reuniões que mantivemos com a Câmara Municipal, não mostraram vontade, pelo menos, de analisar a proposta”, diz.
O responsável sindical afirma que a comunicação feita hoje à imprensa constitui um ultimato à Câmara Municipal de São Vicente. Heidy Ganeto acrescenta que, se durante o mês de abril não houver qualquer resposta às propostas apresentadas, o próximo passo será avançar para uma paralisação. Outra das questões levantadas prende-se com a não inscrição de três dos oito coveiros no INPS e com a ausência de seguro de acidentes de trabalho.
“É uma situação gravíssima. Temos coveiros que, durante a abertura de covas, acabaram por sofrer alguns ferimentos. Há pessoas sem INPS. Quando vão ao médico, compram medicamentos ou estão de baixa médica, ficam sem apoio, porque não têm segurança social. São situações que já denunciámos à Inspeção-Geral do Trabalho, mas dizem que o seu estatuto não lhes permite fiscalizar câmaras municipais”, refere.
Danielson Fortes trabalha como coveiro há seis anos. Considera que as condições de trabalho e o salário de 19 mil escudos não compensam o risco, a carga nem a natureza do trabalho realizado.
“Gostaria que a câmara reconhecesse o nosso trabalho como arriscado. Trabalhamos com cadáveres e, de vez em quando, temos emergências. Mesmo quando já estamos deitados, somos chamados para fazer o trabalho, sem qualquer benefício. E, depois, muitas vezes essas emergências envolvem corpos em decomposição e os bombeiros chegam com máscara de oxigénio, enquanto nós não temos. Onde está o salário que compensa fazer este tipo de trabalho?”, questiona.
Apesar das reivindicações e do aviso de possível paralisação, o SIACSA garante que continua aberto ao diálogo e espera que a Câmara Municipal de São Vicente responda às propostas apresentadas.
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