Janira Hopffer Almada: “Ainda falta tempo” para a eleição do próximo líder parlamentar

PorAndre Amaral,28 abr 2018 7:22

​Presidente do PAICV não abre o jogo sobre se é ou não candidata à sua sucessão à frente da bancada parlamentar. As diferenças de opinião no seio do partido, diz, são naturais e um líder não deve ter “pretensão de unanimidade”. Quanto aos recentes comentários de José Maria Neves, responde que está demasiado ocupada para se preocupar com o tema.

Recentemente o antigo presidente do PAICV, José Maria Neves, afirmou em entrevista à Lusa que o partido lhe tinha pedido para omitir se era ou não candidato às eleições presidenciais de 2016.

“Aquando das eleições de 2011, disse que o Presidente seria reeleito e que, em 2016, seria difícil uma candidatura minha às presidenciais. Porque é que então a partir de determinado momento dava sinais que pareciam contraditórios? Precisamente porque o PAICV pediu-me para não dizer claramente que não era candidato e não quis não colaborar com o partido”, disse José Maria Neves.

Para a actual líder do maior partido da oposição este é um assunto que não merece resposta. “Eu estou concentrada em defender os interesses dos cabo-verdianos. Estou concentrada nas questões que neste momento preocupam as cabo-verdianas e os cabo-verdianos”, declara quando questionada sobre o tema.

Semelhante resposta para a recente picardia entre o seu antecessor no partido e o actual Primeiro-ministro. “Eu estou muito concentrada nos desafios que o país tem e no trabalho de reorganização e dinamização do partido para melhor servir o país. Tenho dossiers muito importantes. A governação tem dado sinais de desgaste e de que não está a preservar os interesses dos cabo-verdianos. É isso que deve merecer a minha atenção”.

Após os três ciclos eleitorais de 2016, o PAICV viveu dias atribulados mas Janira Hopffer Almada garante que hoje o partido está a “trabalhar para conquistar a sociedade”.

No entanto, foram já alguns os episódios que de alguma forma mostraram que a liderança de Janira Hopffer Almada não é consensual. Depois das eleições surgiu o Movimento de Reflexão que defendia alterações profundas no partido e que se opunha, ainda que discretamente, à actual presidente do partido.

Mais tarde, já durante este ano político, ficou visível que a unanimidade não é tónica no maior partido da oposição. Durante a votação do Orçamento do Estado na especialidade, quando se votou a alteração das tabelas aduaneiras protegendo a produção nacional de lacticínios e seus derivados, todos os deputados do PAICV votaram favoravelmente. À excepção de dois. Júlio Correia ausenta-se da sala e Felisberto Vieira abstém-se. “Nós temos de naturalizar essas questões” começa por dizer Janira Hopffer Almada. “O PAICV é um partido democrático. Penso que não seja pretensão de um líder, pelo menos não é a minha, a unanimidade num partido”, acrescenta.

Em Outubro deste ano os dois maiores partidos com assento parlamentar, os únicos que têm grupos parlamentares constituídos, vão passar por um período eleitoral interno com a escolha dos novos líderes parlamentares. E Janira Hopffer Almada não abre o jogo sobre se quer ou não continuar a desempenhar essa função. “Isso, a seu tempo será equacionado. Ainda estamos no mês de Abril, ainda falta tempo. Entretanto, ainda temos desafios muito importantes”, alega mostrando-se convicta de que a “performance do grupo parlamentar nestes dois anos foi boa. Nós estivemos muito actuantes, participamos em muitos debates, propusemos muitos debates, introduzimos interpelações sobre temáticas da actualidade nacional. Apresentamos projectos de lei. Reforçamos as relações institucionais, estivemos presentes e pronunciamo-nos sobre as questões que preocupam os cabo-verdianos. Portanto, penso que o balanço da actuação do grupo parlamentar foi, sem falsa modéstia, positivo”.

Mas, e a decisão? Vai ou não continuar? “Perguntar-me agora qual é a decisão que eu vou tomar… eu tomo as decisões de forma ponderada, ouvindo as pessoas, não só as pessoas do partido, porque o partido tem de ir para além de si próprio e ouvir a sociedade. Como sempre as decisões serão tomadas no momento certo e quando as tomar informarei os meus pares e os órgãos de comunicação social. Qualquer decisão, entretanto, que eu tomar colocarei sempre em primeiro lugar os interesses do país e do PAICV”, conclui.


Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 856 de 25 de Abril de 2018.

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Autoria:Andre Amaral,28 abr 2018 7:22

Editado porAndre Amaral  em  15 nov 2018 3:23

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