"Tal como no passado Cabo Verde saberá ultrapassar as adversidades", diz o Presidente da República

PorAndre Amaral,5 jul 2022 14:55

No discurso que hoje fez na Assembleia Nacional, durante as comemorações oficiais do 5 de Julho, o Presidente da República apelou a "um djunta mon" entre todos os cabo-verdianos para ultrapassar as dificuldades que o país enfrenta. MpD salientou avanços do país enquanto o PAICV aponta os desafios que Cabo Verde enfrenta. Para a UCID não é suficiente dizer que o 5 de Julho “foi o momento histórico”.

No discurso que fez durante a sessão solene comemorativa do 5 de Julho o Presidente da República salientou os desafios e as dificuldades que o país enfrentou desde que se tornou independente, mas também apontou para as dificuldades que Cabo Verde enfrenta hoje em dia.

"Acreditámos em nós mesmos no início dessa aventura como Estado soberano e dono do seu destino" começou por dizer José Maria Neves que destacou ainda "a situação muito diferente" que o país vive hoje quando comparado com os primeiros dias da independência.

Os "cépticos da altura passaram a acreditar em nós e na nossa capacidade de mudar a sorte de uma História, até aí pautada por carestias e tragédias", reforçou o Chefe de Estado.

José Maria Neves aproveitou igualmente para apelar à solidariedade nacional para enfrentar os desafios que Cabo Verde tem hoje pela frente. "Com humildade, realismo e inspirados no percurso que juntos construímos, seremos igualmente capazes de superar as dificuldades do presente", disse apelando de seguida a que se concretize um "djunta mon entre todos, residentes e na diáspora. O momento é de solidariedade e entreajuda".

Salientando que Cabo Verde precisa de ter "audácia, engenho e perserverança"para ultrapassar os actuais desafios que se colocam, o Presidente da República defendeu que é necessário "reflectir sobre as soluções, que resultaram no passado, mas que podem, eventualmente, já não ter a mesma eficácia face a uma nova realidade, pelo que deveremos questionar e analisar novas escolhas para o curto, médio e longo prazos".

Do lado do MpD, João Gomes, líder parlamentar, destacou "a estabilidade política e social e uma democracia que distingue Cabo Verde no contexto das nações". No entanto, frisou o deputado do partido da maioria, é "preciso continuar a proteger, cuidar e aprimorar a democracia".

João Gomes salientou igualmente que Cabo Verde "enfrenta, hoje, novos desafios" em sectores fundamentais como a saúde ou a educação e defendeu que o país tem de vencer as dificuldades que hoje se lhe apresentam como a pobreza extrema, o desemprego, a dependência dos combustíveis, a viabilização da agricultura, melhorar a coesão territorial ou a diversificação da economia.

"Estamos, inequivocamente, num momento de crise. E para situações excepcionais são necessárias soluções excepcionais", afirmou o líder da bancada do MpD que defendeu "as medidas de mitigação e de protecção" implementadas pelo governo com o objectivo de conter "os impactos negativos da crise nas famílias e nas empresas".

O momento, defendeu ainda João Gomes, é "para que nos juntemos, para trabalharmos em conjunto".

Para João Baptista Pereira, líder da bancada do PAICV, nestes "47 anos de independência, construímos um País que deve-nos orgulhar a todos, cabo-verdianas e cabo-verdianos, no País e na diáspora".

No entanto, "apesar dos muitos ganhos de que, hoje, orgulhamos, inúmeros são os desafios que persistem para o nosso País. Desafios sobremaneira agravados pelas consequências catastróficas, e simultâneas, da pandemia, da seca persistente e da guerra na Europa", disse salientando de seguida que cerca "de 181 mil pessoas, ou seja 32% da população, estão afectadas pelas crises de alimentos e de nutrição em Cabo Verde e estão enfrentando insegurança alimentar. Torna-se urgente evitar que o declínio da oferta de alimentos venha provocar situações de fome. Para tanto, políticas públicas devem ser imediatamente adoptadas para dar aos mais vulneráveis possibilidade de acesso aos alimentos necessários, nomeadamente através de medidas geradoras de rendimento, incluindo emprego público".

Para o líder parlamentar do PAICV as crises que Cabo Verde enfrenta são "de proporções gigantescas" e, por isso, defendeu, "só serão enfrentadas com sucesso, se conseguirmos reunir os cabo-verdianos à volta de objetivos consensuais, concebidos e trabalhados através do diálogo, da cooperação e solidariedade nacionais".

Já do lado da UCID coube a António Monteiro discursar. E, para o representante daquela força política, há ainda "um longo caminho pela frente para se fazer cumprir Cabo Verde. A criação de oportunidades para todo os cidadãos cabo-verdianos, sem excepção, deve ser a regra de ouro e o desiderato maior da nossa independência".

"Passados estes 47 anos há muita coisa ainda por se fazer e não valerá a pena comemorar só por comemorar. É preciso darmos um outro significado valioso a esta data. É preciso resolver algumas pendências, purificarmos de alguns pecados que ainda hoje afligem uma parte da sociedade cabo-verdiana que lutou para que o país fosse hoje, independentemente daquilo que gostaríamos, o que ele é".

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Autoria:Andre Amaral,5 jul 2022 14:55

Editado pormaria Fortes  em  12 ago 2022 7:20

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