A posição foi expressa hoje, em conferência de imprensa, pelo vice-presidente do partido, João do Carmo, numa reação à visita e à apresentação, na semana passada, do balanço da intervenção do Governo após a passagem da tempestade tropical de 11 de Agosto.
“O PAICV toma nota com surpresa e alguma saudade do bom senso da apresentação colectiva feita por membros do Governo e pelo edil sobre o balanço a meio percurso das intervenções em São Vicente. Uma sessão de duas horas com muitos números e slides bonitos que a imprensa registou recentemente. O PAICV observa com um misto de perplexidade e mágoa este remake dos últimos anos. O Governo trocou a governação pela apresentação em PowerPoint, onde possíveis projectos que dizem respeito à vida colectiva são preparados num laboratório fechado, partilhados apenas com a clique dos afectos e depois lançados como foguetes de festa em ano de eleições”, disse.
Para o partido, os anúncios não reflectem obras efectivas e foram feitos sem envolver a Câmara Municipal, os eleitos locais, a sociedade civil ou os técnicos da ilha.
“O cúmulo do surreal é assistir a anúncios de protocolos entre o Governo e instituições do Governo. É a performance burocrática suprema, em que se anuncia solenemente aquilo que é simplesmente o dever do ofício, como se fosse uma conquista épica. É preciso ter protocolo para a própria administração fazer o seu trabalho? (…) O que São Vicente precisa não são largas e abastadas digressões de ministros com gráficos bonitos. Precisa de acção efectiva, partilhada com eleitos, com as comunidades, transparente e avaliável. Precisa de menos estilhaços de propaganda e mais alicerces de obra”, considerou.
O PAICV critica ainda o timing dos anúncios, apontando que muitos projectos foram divulgados em ano eleitoral e que, até ao momento, não há sinais de resultados concretos.
Noutra frente, João do Carmo alerta que, seis meses após a tempestade Erin, muitos empresários e agricultores da ilha ainda não receberam as compensações adequadas do Estado e reforça a necessidade de acção concreta em vez de “teatro político”.
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