"Para países vulneráveis como Cabo Verde e os membros do V20, esta não é apenas uma discussão técnica, mas sim sobre o direito ao desenvolvimento, à estabilidade e esperança. A concessionalidade não é um privilégio, é uma condição de sobrevivência. Países altamente vulneráveis não podem continuar a aceder a financiamento em condições quase comerciais, enquanto enfrentam secas, tempestades e choques externos que não provocaram", escreveu na sua página de rede social Facebook.
O também ministro das Finanças de Cabo Verde falava no diálogo ministerial das reuniões de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que decorrem em Washington até sábado.
Olavo Correia defendeu a criação de um "piso mínimo de concessionalidade" para o financiamento climático e do desenvolvimento sustentável, que tenha em conta a vulnerabilidade dos países e não apenas o rendimento ‘per capita’.
"Sem isso, o financiamento que deveria reforçar a resiliência acaba por agravar a fragilidade", alertou.
O governante considerou ainda que a reestruturação da dívida deve servir o crescimento económico e permitir investimento em adaptação climática, capital humano e infraestruturas resilientes, em vez de prolongar ciclos de ajustamento sem desenvolvimento.
"A dívida deve ser ajustada ao ritmo da transformação económica e ao tempo necessário para investir no futuro", afirmou.
Afirmou também que os países vulneráveis não podem depender apenas de financiamento externo, defendendo a criação de mecanismos para mobilizar recursos internos.
Nesse âmbito, destacou o papel da diáspora cabo-verdiana como parceiro estratégico de investimento, conhecimento e confiança.
O governante defendeu instrumentos como obrigações da diáspora, fundos de resiliência climática e mecanismos de financiamento misto para transformar poupanças em investimento produtivo.
Apontou ainda que o financiamento das instituições de desenvolvimento deve alinhar-se com estratégias nacionais, como os Climate Prosperity Plans, apostando em sectores como energias renováveis, economia azul, turismo resiliente e agricultura inteligente face ao clima.
Olavo Correia defendeu, por fim, um modelo de desenvolvimento resiliente, com menos dependência externa e maior mobilização de recursos internos.
As reuniões de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) decorrem em Washington desde segunda-feira, reunindo ministros das Finanças e da Economia de vários países para analisar os impactos de choques económicos globais, incluindo a energia, a política monetária e os fluxos financeiros internacionais.
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