Herménio Fernandes, candidato à presidência do MpD - “O MpD atravessa uma fase exigente”

PorAndré Amaral,13 jun 2026 9:32

Herménio Fernandes defende que o MpD precisa de se reorganizar após os últimos resultados eleitorais e apresenta-se como candidato à liderança do partido com uma mensagem centrada na unidade interna, na mobilização das bases e na preparação das próximas batalhas eleitorais.

O que é que o leva a avançar para as eleições para a presidência do MpD?

Avanço porque acredito que este é um momento em que todos os militantes devem assumir as suas responsabilidades perante o partido. O MpD atravessa uma fase exigente. Depois dos últimos resultados eleitorais, temos de ter humildade para refletir, coragem para corrigir e capacidade para voltar a mobilizar. Não podemos ficar presos ao passado. Temos de olhar em frente, unir o partido e preparar uma nova etapa. Ao longo da minha vida política e autárquica procurei sempre estar próximo das pessoas, ouvir as comunidades e construir soluções concretas. Foi assim no poder local. Foi assim no trabalho com os municípios. É com esse mesmo espírito que apresento esta candidatura. Quero ajudar a recuperar a essência do MpD: um movimento popular, aberto, próximo dos seus membros, dos seus simpatizantes, dos seus eleitores e das comunidades cabo-verdianas, no país e na diáspora. A minha candidatura assume, por isso, um compromisso claro: devolver Voz, Iniciativa e Poder aos membros e às estruturas do partido, reforçar a participação dos militantes, valorizar as estruturas concelhias e regionais e preparar o MpD para voltar a merecer a confiança dos cabo-verdianos. Avanço para unir, mobilizar e ajudar a abrir um novo ciclo de confiança, competência e vitória para o MpD.

Uma das críticas que era feita à anterior direcção do MpD, principalmente por um dos seus adversários, era que o partido se tinha afastado das suas bases. Concorda com essa ideia?

Mais do que olhar para o passado, prefiro olhar para o futuro. O MpD tem uma história de serviço a Cabo Verde e há um legado que deve ser respeitado. Mas os últimos resultados eleitorais deixam sinais que não podemos ignorar. Quando um partido perde eleições, deve ter humildade para ouvir, avaliar e corrigir. O que tenho sentido nas conversas que tenho feito com militantes e estruturas, em várias ilhas e comunidades, é que existe uma forte vontade de participação. Os militantes querem contribuir. As estruturas querem ser ouvidas. As Assembleias Concelhias e Regionais querem ter um papel mais ativo na vida do partido. O desafio não é encontrar culpados. O desafio é criar condições para que os militantes, as Assembleias Concelhias, as Assembleias Regionais e também a diáspora participem mais, proponham mais e decidam mais. O MpD é, antes de tudo, um movimento popular. Nasceu do povo, com o povo e para o povo. Não pode ser um partido fechado, burocrático ou distante das suas estruturas locais. Deve ser um partido aberto aos seus membros, aos seus simpatizantes, à sociedade civil e às comunidades cabo-verdianas, no país e fora dele. Por isso, a minha proposta é clara: reorganizar, mobilizar e reconstruir o partido, devolvendo às Assembleias Concelhias e Regionais Voz, Iniciativa e Poder. Um partido forte começa nas suas estruturas locais. E é com estruturas fortes, valorizadas e mobilizadas que o MpD estará preparado para voltar a vencer e voltar a merecer a confiança dos cabo-verdianos.

Já tem toda a sua equipa formada para a direcção do partido?

Neste momento, mais do que apresentar uma lista fechada, estou a ouvir os membros do partido, as estruturas, os militantes, os autarcas, os jovens e também a nossa diáspora. Tenho vindo a trabalhar e a conversar com militantes e dirigentes de diferentes gerações, sensibilidades e ilhas, porque quero que este caminho seja construído com abertura, serenidade e sentido de responsabilidade. A equipa continuará a ser formada com base em critérios claros: competência, capacidade de trabalho, compromisso com o MpD, ligação às estruturas concelhias e regionais, representatividade territorial e, sobretudo, vontade de ajudar o partido a voltar a vencer. Mais importante do que os nomes é o projecto que queremos construir e a capacidade de unir o partido em torno desse projecto. Esta candidatura não é de uma pessoa isolada, nem de uma facção. É uma candidatura para unir, mobilizar e preparar uma nova etapa. Queremos construir uma direcção forte, plural, competente e próxima dos militantes e das estruturas locais. Uma direcção capaz de organizar o partido, liderar uma oposição firme e responsável, preparar as próximas autárquicas e construir uma alternativa sólida para Cabo Verde.

Qual é a grande mensagem que quer passar aos militantes do MpD?

A minha mensagem é simples: união, confiança e futuro. O MpD precisa de todos. Precisamos de levantar a cabeça, unir o partido, recuperar a confiança e voltar a acreditar na nossa capacidade de vencer. O MpD tem uma história de que se pode orgulhar. Tem valores, tem militantes, tem energia e, sobretudo, tem ideias para o futuro de Cabo Verde. Este não é apenas um momento de decisão interna. É um momento que terá impacto no futuro do país, porque Cabo Verde precisa de uma oposição forte, responsável, mobilizadora e preparada para voltar a apresentar soluções aos cabo-verdianos. Quero um partido próximo dos seus militantes, aberto à sociedade, ligado à diáspora e capaz de cumprir, com firmeza e responsabilidade, o seu papel de oposição e de alternativa para Cabo Verde. Mas esse futuro só será construído se voltarmos a valorizar as nossas estruturas locais, ouvir os nossos militantes e dar força às Assembleias Concelhias e Regionais. Quero garantir aos militantes uma liderança forte, próxima e mobilizadora. Uma liderança capaz de unir o partido, devolver Voz, Iniciativa e Poder às nossas estruturas e preparar o MpD para os próximos desafios. Essa liderança não se esgota na vida interna do partido. O próximo presidente do MpD terá também a responsabilidade de liderar uma oposição firme, séria e responsável: uma oposição que fiscaliza, que propõe, que mobiliza e que mostra aos cabo-verdianos que Cabo Verde pode ser muito mais do que aquilo que o atual ciclo político oferece. Acredito profundamente no potencial de Cabo Verde, na força das nossas ilhas, dos nossos municípios, da nossa juventude, da nossa diáspora e das nossas comunidades. O MpD tem de voltar a ser o partido que acredita nessa ambição nacional e que prepara o país para um futuro com mais oportunidades, mais desenvolvimento e mais confiança. Temos de preparar o partido para ganhar as eleições autárquicas de 2028 e para voltar a merecer a confiança de Cabo Verde no ciclo político nacional seguinte. Aos militantes, digo: este é o momento de voltarmos a acreditar, de nos unirmos e de construirmos juntos uma nova etapa. Se soubermos unir o partido, estaremos em condições de voltar a conquistar a confiança dos cabo-verdianos. É por isso que digo: unir o partido para conquistar Cabo Verde.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1280 de 10 de Junho de 2026.

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Autoria:André Amaral,13 jun 2026 9:32

Editado porAntónio Monteiro  em  13 jun 2026 10:26

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