Segundo Francisco Carvalho, a entrega dos documentos representa apenas o início de um processo que prosseguirá no Parlamento, onde o Programa do Governo será debatido antes de ser amplamente apresentado aos cabo-verdianos.
"É o programa para construirmos o Cabo Verde para Todos, um projecto que tem sido o sonho de muitos cabo-verdianos. Agora será discutido no Parlamento e, depois disso, continuaremos a apresentá-lo e a debatê-lo com a sociedade para que possa ser implementado", afirmou.
Questionado sobre o cumprimento das promessas eleitorais, nomeadamente em sectores como os transportes, o primeiro-ministro assegurou que o novo Executivo pretende pautar-se pela coerência entre o discurso político e a acção governativa.
"Quero tranquilizar os cabo-verdianos. Sempre procurei ser um homem de palavra. Aquilo que dissemos durante a campanha será concretizado. O que prometemos aos cabo-verdianos será materializado", garantiu.
Francisco Carvalho defendeu ainda uma mudança na forma de comunicar a acção governativa, afirmando que o Governo privilegiará a execução em detrimento dos anúncios.
"Nós não queremos governar através de anúncios. Queremos governar através da implementação das medidas. Durante muitos anos habituámo-nos a anunciar obras e a lançar primeiras pedras. O que queremos é inaugurar obras e concretizar medidas", afirmou.
Sobre as primeiras decisões do Executivo, explicou que as medidas já estão definidas, mas recusou antecipar anúncios antes da sua execução.
"Medidas não se anunciam. Implementam-se. As notícias devem surgir quando estiverem efectivamente no terreno e a produzir resultados", sustentou.
No plano da gestão das contas públicas, o chefe do Governo revelou que o Executivo está a efectuar uma avaliação detalhada da situação financeira do Estado e admitiu ter encontrado margem para reduzir despesas.
"Quando estávamos na oposição tínhamos uma percepção diferente. Agora, no Governo, estamos a identificar gorduras. Encontrámos gorduras, muitas gorduras", afirmou, acrescentando que os cortes serão apresentados apenas quando as decisões estiverem concluídas.
Questionado sobre a eventual necessidade de um Orçamento Rectificativo, Francisco Carvalho disse que ainda não existe uma decisão tomada.
"É uma matéria altamente técnica e muito delicada. Antes de decidir temos de avaliar o estado de execução do actual orçamento e perceber qual é o nível de despesa já realizado. Só depois dessa análise será possível concluir se haverá necessidade de um Orçamento Rectificativo", explicou.
Durante a declaração aos jornalistas, o primeiro-ministro foi também questionado sobre a situação na Venezuela, na sequência da tragédia que atingiu aquele país.
Francisco Carvalho recordou que o Governo já emitiu um comunicado oficial e reiterou a solidariedade de Cabo Verde para com o povo venezuelano.
"O Governo de Cabo Verde e todos os cabo-verdianos solidarizam-se com o povo da Venezuela, que atravessa um momento extremamente difícil, doloroso e penoso. São situações que exigem solidariedade entre os povos", afirmou.
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