​"A Peste Branca” estreia hoje no palco 1 do Mindelact

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,7 nov 2022 14:12

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A peça “A Peste Branca”, do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, estreia hoje no Palco 1 da 28ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact), que decorre desde a última sexta-feira. O espectáculo marca o regresso do actor Manuel Estevão aos palcos cabo-verdianos, para celebrar 50 anos de carreira.

A peça é uma adaptação livre de Caplan Neves da obra "Ensaio sobre a Lucidez", de José Saramago, e tem encenação de João Branco. Dez pessoas estarão em palco para apresentar o espectáculo, com duração de quase 90 minutos.

O enredo passa-se numa cidade em que, durante uma eleição, 83% da população votou em branco. Fruto desse resultado, o governo decide iniciar uma investigação policial, que rapidamente se torna num pesadelo para todos, opressores e oprimidos.

Em conferência de imprensa proferida hoje, no Centro Cultural do Mindelo, João Branco falou de um espectáculo provocador, que induz à reflexão sobre o próprio sistema democrático.

“Eu acredito que as pessoas vão sair do espectáculo reflectindo, precisamente, sobre a nossa condição de país democrático, que legitimidade é que os governantes e os políticos têm quando a maioria da população decide manifestar-se sem ser favoravelmente a nenhuma das opções. É muito interessante e acho que vai provocar algo que gosto muito que aconteça depois dos espectáculos: que as pessoas saiam dos espectáculos a debater”, disse.

O espectáculo conta com a participação de João Estevão, emigrado há cerca de 10 anos em Portugal e que regressa ao país, onde desenvolveu a maior parte da sua carreira, para celebrar meio século de palco.

“Eu, enquanto actor, sinto-me perfeitamente inserido neste elenco e na história da peça. Há pormenores com que me identifico. É um grande privilégio estar aqui", comentou João Estevão.

“Amêsa ou a Canção do Desespero” exibido no palco 2

Também hoje, mas no palco 2, o grupo Elinga Teatro, de Angola, apresenta “Amêsa ou a Canção do Desespero”, um monólogo para duas actrizes. O autor, José Mena Abrantes, referiu aos jornalistas que escreveu a peça há mais de 30 anos, num momento crucial na vida política em Angola, que foi o fim da primeira fase da guerra civíl e primeiras eleições, em 1992.

“Apesar de ser uma obra que poderia ser considerada datada, porque foi escrita há 30 anos, ela estranhamente mantém uma certa actualidade em relação ao processo político actual no país. Não é propriamente uma obra de propaganda política. É uma obra em que a política é abordada pelo viés poética”, afirmou.

Olivier Sagazan pela primeira vez no Mindelact

A conferência de imprensa de hoje contou também com a presença do artista francês, Olivier Sagazan que, pela primeira vez no Mindelact, apresenta terça-feira a peça Transfiguration [Transfiguração], no palco 1.

“Há qualquer coisa de universal nesta performance. Esta transfiguração é uma viagem ao interior do corpo, uma viagem ao interior do coração. Independentemente do local onde acontece, as pessoas reconhecem-se, identificam-se. Nesta performance, o Olivier se transfigura simultaneamente”, explica.

Também hoje começa o Ciclo Internacional de Contadores de Estórias nas escolas e no pátio do Centro Cultural do Mindelo.

A programação do festival, que conta com mais de 40 espetáculos, está distribuída pelo palco 1, no Centro Cultural do Mindelo, e palco 2, na Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM), ambos em São Vicente, além de espaços alternativos, oficinas e mostras de performances, a par de espetáculos na cidade da Praia.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,7 nov 2022 14:12

Editado porAndre Amaral  em  2 dez 2022 5:20

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