Governo de Cabo Verde concede aval de 657,9 milhões de escudos à TACV

PorExpresso das Ilhas, Lusa,2 jan 2026 10:35

• Governo aprova aval de 657,9 milhões de escudos para emissão obrigacionista da TACV na bolsa • Empréstimo tem prazo de 10 anos e visa melhorar sustentabilidade financeira da companhia aérea • TACV registou prejuízo de 6,1 milhões de euros no terceiro trimestre de 2024 • Companhia enfrenta críticas por manter voos internacionais apesar de falhas no serviço doméstico

Resumo criado por IA

O Governo concedeu um aval no valor de 657,9 milhões de escudos à TACV para consolidar dois créditos contraídos junto de instituições financeiras, no âmbito do processo de estabilização da empresa.

A medida prevê a emissão de um "empréstimo obrigacionista no montante de 657,9 milhões de escudos , junto da Bolsa de Valores de Cabo Verde, tendo sido solicitado o aval do Estado como garantia para a sua concretização", segundo resolução aprovada em Conselho de Ministros e publicada no Boletim Oficial na quarta-feira. 

"O prazo global desta operação financeira é de 10 anos, em conformidade com o plano de reembolso e a data de vencimento, nos termos da respectiva ficha técnica admitida pela Bolsa de Valores de Cabo Verde", lê-se no documento.

Na resolução, o Governo sublinha que os transportes aéreos assumem "particular relevância" num país insular como Cabo Verde, sendo a melhoria da conectividade, mobilidade e transportes uma das prioridades definidas tanto no programa da actual legislatura como no Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável II (PEDS II).

O aval insere-se no âmbito do plano de negócios ("Interim Business Plan") 2023–2027 da TACV e visa, igualmente, melhorar a gestão e a sustentabilidade da tesouraria da companhia.

A TACV realizava apenas voos internacionais até ser chamada a assegurar também as ligações domésticas, na sequência do colapso da concessão atribuída à companhia BestFly, em 2024.

Segundo os dados mais recentes, publicados num relatório estatal sobre o sector empresarial do Estado, a TACV registou um resultado líquido negativo de 6,1 milhões de euros no terceiro trimestre de 2024 e figura entre as empresas públicas que apresentam maiores riscos.

Apesar de evidenciar "um desempenho operacional robusto", "uma trajectória sustentada de recuperação" e "um significativo potencial de crescimento", a rentabilidade foi penalizada por "gastos operacionais totais de 1,9 mil milhões de escudos", com destaque para os custos de ‘leasing’, que atingiram 575 milhões de escudos e continuam a representar um peso relevante, refere-se no documento.

Diversas entidades têm defendido que a TACV se concentre na resolução das falhas crónicas nos voos domésticos, segmento no qual detém o monopólio, abandonando as ligações internacionais, em que enfrenta uma concorrência crescente de companhias aéreas ‘low-cost’ europeias.

O Governo tem respondido que é necessário cautela face a uma excessiva dependência de companhias de baixo custo para o transporte aéreo internacional, num arquipélago com uma forte diáspora.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,2 jan 2026 10:35

Editado porFretson Rocha  em  2 jan 2026 20:19

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