Governo guineense agradece a militares por não interferirem na crise

PorExpresso das Ilhas, Lusa,31 out 2019 16:27

Aristides Gomes
Aristides Gomes

​O Governo da Guiné-Bissau, liderado por Aristides Gomes, agradeceu hoje aos militares do país por não se imiscuírem na crise política que o país atravessa, bem como aos guineenses e à comunidade internacional pela solidariedade manifestada.

Num comunicado divulgado à imprensa depois de uma reunião do Conselho de Ministros, o Governo felicita a "postura republicana e responsável" das forças de Defesa e Segurança, "expressa publicamente pelo chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas" na quarta-feira, e "apela a que mantenham a atitude de distanciamento do jogo político".

Fontes militares e da polícia contactadas pela Lusa já tinham afirmado a garantia dada pelo general Biagué N'Tan durante uma reunião na quarta-feira, que juntou os comandos das Forças Armadas, da Guarda Nacional, da Polícia de Ordem Pública e da Polícia Judiciária, bem como da Ecomib, força de interposição da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e das Nações Unidas.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, candidato às eleições presidenciais e cujo mandato terminou a 23 de Junho, demitiu na segunda-feira o Governo liderado por Aristides Gomes e nomeou Faustino Imbali como primeiro-ministro da Guiné-Bissau.

A União Africana, a União Europeia, a CEDEAO, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e as Nações Unidas já condenaram a decisão do Presidente José Mário Vaz e disseram que apenas reconhecem o Governo saído das eleições legislativas de 10 de Março, que continua em funções.

A Guiné-Bissau tem presidenciais marcadas para 24 de Novembro e a segunda volta, caso seja necessária, vai decorrer a 29 de Dezembro.

No comunicado, o Governo agradeceu ao "povo da Guiné-Bissau (no país e na diáspora) pela solidariedade manifestada ao Governo legítimo" do país e agradeceu os posicionamentos de várias organizações da sociedade civil.

O Governo de Aristides Gomes - do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das eleições legislativas de Março - agradece o "posicionamento firme" da comunidade internacional, nomeadamente Nações Unidas, União Africana, União Europeia, CEDEAO e CPLP ao condenar a "tentativa de impedir a realização de presidenciais e reiterar o apoio" ao actual Executivo.

O Governo guineense salienta também que as instituições do Estado estão a funcionar "normalmente" e que os salários da função pública do mês de Outubro já estão a ser pagos.

"A auditoria requerida à CEDEAO aos ficheiros eleitorais utilizados nas eleições legislativas de 10 de Março já está no país e a trabalhar com os órgãos eleitorais", salienta.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,31 out 2019 16:27

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  5 dez 2019 23:21

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