​“Se a moda pega, senhor Primeiro-Ministro, estamos tramados”

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,19 jul 2018 13:16

A União dos Sindicatos de São Vicente alerta para o perigo de silenciamento das organizações sindicais nacionais. Em causa, a suspensão, sem vencimento, de agentes e delegados sindicais, tendo o presidente do Sindicato Nacional da Polícia sido notificado da sua aposentação compulsiva, na sequência da greve de Dezembro de 2017.

Dirigindo-se directamente ao primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, o presidente da União dos Sindicatos de São Vicente, em conferência de imprensa hoje no Mindelo, lembra que não há democracia sem organizações sindicais.

“Se a moda pega, senhor Primeiro-Ministro, então estamos tramados. Os sindicalistas estão tramados, a organização sindical está tramada e a democracia está tramada. Isto é gravíssimo. Começa pelos dirigentes sindicais da administração pública que dependem do Estado, depois terá efeitos no privado. Os delegados sindicais no sector privado também poderão vir a ser despedidos”, alerta.

“Portanto, devemos analisar bem determinadas situações porque a liberdade sindical é um bem da democracia e devemos todos trabalhar no sentido da sua preservação", defende.

Sobre os processos disciplinares instaurados aos agentes da Polícia Nacional, Eduardo Fortes condena de forma “veemente” a atitude do Governo que, segundo diz, fragilizam as organizações sindicais, amedrontam dirigentes e delegados sindicais e desincentivam aqueles que queiram abraçar a nobre causa sindical.

O responsável lembra que o direito à greve está constitucionalmente consagrado e regulamentado no Código Laboral.

“O desrespeito desse direito, para além de ser um atentado a Constituição da República e ao Código Laboral, de igual modo uma violação as normas fundamentais da Organização Internacional do Trabalho”, realça.

A organização sindical da ilha do Monte Cara manifesta apoio e solidariedade ao Sindicato Nacional da Polícia e a todos os agentes da Polícia Nacional face às medidas consideradas abusivas e unilaterais. Eduardo Fortes pede a intervenção do Presidente da República.

Sobre os processos disciplinares, o SINAPOL já entregou no Supremo Tribunal de Justiça um recurso a pedir a sua anulação. Entretanto, marcou uma nova greve, desta vez de seis dias, de 26 a 31 de Julho.

Entre outros pontos, os agentes reclamam a actualização dos salários e a redução da carga horária para 41 horas semanais com efeitos a partir de 01 de Janeiro de 2019.

Também o STIF, SISCAP, SICOTHUR, SLTSA e STM já manifestaram solidariedade e manifestaram apoio ao SINAPOL em qualquer forma de luta que adopte. 

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,19 jul 2018 13:16

Editado porChissana Magalhães  em  24 set 2018 3:22

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