Cabo Verde recolhe nove metros cúbicos de plástico em contentores para reciclar

PorExpresso das Ilhas, Lusa,3 jun 2020 16:02

O Ministério da Economia Marítima anunciou hoje que recolheu cerca de nove metros cúbicos (m3) de plásticos em contentores em formato de peixe, colocados há um ano na principal praia da ilha de São Vicente.

Ainda segundo a mesma fonte, dois terços dessa quantidade já foi entregue à fábrica de transformação de plásticos em azulejos, no concelho do Paul, Santo Antão, sendo que a outra parte ainda está em São Vicente para ser entregue posteriormente.

“Os contentores em formato de peixe foram colocados com o objectivo de recolher garrafas de plástico, minimizando assim a problemática da poluição por plásticos no oceano e sensibilizar a população para a importância de preservar e cuidar das nossas praias e dos nossos mares”, salientou o Ministério da Economia Marítima.

Do total recolhido de garrafas PET (‘tereftalato de polietileno’), o ministério informou que entre cinco a seis m3 do plástico inteiro foram já entregues à fábrica em Santo Antão, que compactado deu cerca de 50 quilos prontos a serem transformados em azulejos.

Numa iniciativa do Ministério da Economia Marítima, os contentores metálicos em forma de seres marinhos, como peixes e tartarugas, começaram a ser instalados em Junho do ano passado nas principais praias do país, nas ilhas do Sal e de São Vicente.

“Surgiu na ideia de manter as praias limpas e sem plástico”, explicou na altura, em entrevista à agência Lusa, o então secretário de Estado Adjunto para a Economia Marítima, agora ministro da mesma aérea, Paulo Veiga.

De acordo com o Ministério da Economia Marítima, o contentor em formato de peixe tem sido uma iniciativa a nível mundial e praias do Brasil e de Espanha já têm espaços do género para fomentar a reciclagem do plástico.

No caso de Cabo Verde, as garrafas recolhidas seguem de barco para a fábrica de azulejos instalada na ilha de Santo Antão pela Fundação dos Amigos do Paul, na Holanda, presidida por Maria Teresa Segredo, uma emigrante cabo-verdiana naquele país europeu.

A funcionar desde 2017 em Penedo de Janela, no concelho do Paul, a fábrica, pioneira na transformação de plástico em azulejos, ‘livra’ diariamente o ambiente de 25 quilos deste resíduo e, em dois anos, já reciclou 20 toneladas de plástico.

“Essa produção de azulejos é vendida para o mercado nacional e agora está a ser exportada também para a Holanda. Isto mostra que o desperdício não tem que acabar no mar ou nas lixeiras. E depois sempre acaba no mar, prejudicando a vida marinha e entrando na nossa cadeia alimentar”, alertou Paulo Veiga.

O ministério informou, entretanto, que os contentores foram temporariamente retirados, devido à grande quantidade de lixo orgânico que estava sendo depositado, causando alguns constrangimentos, entre eles, o mau cheiro e a separação manual do lixo orgânico das garrafas de plástico.

Na altura da instalação, Paulo Veiga disse que estavam “preparados” para isso e que a ideia é “sensibilizar a população e ajudar a fábrica de azulejo a ter o plástico necessário”.

Em Cabo Verde, segundo o director nacional do Ambiente, Alexandre Rodrigues, os sacos de plástico são o inimigo público número nas lixeiras, mas começa a registar outros problemas como o elevado uso de garrafas PET, tendo em conta que uma parte significativa da população não bebe água canalizada por esta ser dessalinizada, ainda que potável.

Desde 2017 que Cabo Verde tem uma legislação que proibiu o uso de sacos de plástico não degradável, e uma franja da população já utiliza sacos reutilizáveis.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,3 jun 2020 16:02

Editado porSara Almeida  em  19 set 2020 23:21

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