​Provedor de Justiça defende deslocalização da Cadeia da Ribeirinha “com a brevidade possível”

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,4 nov 2022 14:14

O Provedor de Justiça, José Carlos Delgado, defende que a deslocalização da Cadeia Central de São Vicente é uma questão de fundo que o Governo deve encarar como prioridade. O estabelecimento prisional está localizado em Ribeirinha, uma das zonas mais populosas da ilha, paredes-meias com uma escola de ensino básico.

A preocupação foi expressa, hoje, em entrevista à Rádio Morabeza pelo provedor, que na quinta-feira realizou uma visita à cadeia, onde reuniu-se com a direcção, visitou as celas e recebeu pelo menos dez reclusos em audiência.

“A questão de fundo é que a cadeia tem que ser deslocalizada, porque está rodeada de casas. É uma cadeia dentro da comunidade e tem uma escola logo ao lado. É um problema que põe em causa a própria segurança da cadeia. É uma questão de fundo que o Governo deve encarar com a brevidade possível”, defende.

A sobrelotação, a questão da saúde dos reclusos e a necessidade de mais meios humanos e de mobilidade são outros problemas que preocupam o provedor.

“A cadeia está cheia. Tem 367 presos. As celas estão sobrelotadas com quatro ou cinco reclusos, o que é um problema. Fazer obras nessa cadeia é difícil por ser já antiga e construída em pedra. As celas não têm sanitários, o que em termos de saúde e higiene é complicado. A cadeia precisa de médicos permanentes, precisa de mais agentes e de veículos celulares para transporte dos presos”, aponta.

José Carlos Delgado diz que ficou chocado com a quantidade de jovens na cadeia, alguns a cumprir pena pela quarta vez. Para além da sobrelotação das celas, o provedor diz ter recebido queixas relativamente à alimentação, por causa de problemas de saúde de alguns presos, assim como a dificuldade no acesso a consultas de especialidade.

“Tem que haver uma melhor articulação com a delegacia de saúde e com o hospital, para que possam ter consultas de especialidade. Temos alguns presos com perturbação mental”, refere.

Outra questão abordada com a direcção do estabelecimento prisional tem que ver com a possibilidade de os familiares terem outras formas de entregar dinheiro aos detidos, nomeadamente através de depósito bancário, para evitar constrangimentos com os horários definidos para o efeito.

O Provedor de Justiça, José Carlos Delgado, iniciou no dia 24 de Outubro uma visita às ilhas de São Nicolau, Sal, São Vicente e Santo Antão para encontros com os órgãos do poder local e serviços desconcentrados do Estado. 

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,4 nov 2022 14:14

Editado porAndre Amaral  em  2 dez 2022 5:20

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