Presidente da República apoia reforma da UA

PorAndré Amaral*,24 fev 2024 8:22

José Maria Neves participou na 37ª Cimeira da União Africana onde defendeu a reforma da instituição e anunciou o apoio à candidatura de Angola à presidência da UA.

Em Adis Abeba, capital da Etiópia e sede da União Africana (UA), o Presidente da República defendeu a reforma desta instituição pan-africana.

No encontro que teve início no sábado, José Maria Neves pediu uma redistribuição do trabalho e estabelecimento de um sistema de governação multinível em África, com responsabilidades bem definidas, ao nível da União Africana, ao nível das organizações sub-regionais e dos Estados para se evitarem as sobreposições e as interpretações diferenciadas, relativamente aos problemas existentes.

“Claro que tudo isto deve ser feito em estreita articulação com os Estados, as organizações sub-regionais e a União Africana”, reforçou, sublinhando que as questões de segurança devem ficar com a União Africana e as organizações sub-regionais ocupar-se da integração económica.

O Presidente da República realçou igualmente que no caso da crise política do Senegal quem deve acompanhar a situação deve ser a União Africana e considerou que a participação de África no G20, de que já é membro, exige uma “profunda adequação organizacional”.

No caso da apresentação de candidatura da Angola para a presidência rotativa da União Africana, em 2025, confirmou o apoio de Cabo Verde.

“Apoiamos e vemos com bons olhos, Angola é uma grande potência em África e tem uma experiência positiva na busca da paz, podendo dar um contributo importante no processo de pacificação em África”, afirmou José Maria Neves em entrevista à Radio France Internacional (RFI).

Quanto aos conflitos existentes no continente, o Presidente da República defendeu que se devem fazer esforços no sentido de revalorizar, estrategicamente, a CEDEAO, apontando que talvez isso possa acontecer com a reforma da União Africana.

Apoio à candidatura angolana e encontro com homólogo do Quénia

Durante a cimeira, o Chefe de Estado anunciou que Cabo Verde vai apoiar a candidatura de Angola à presidência rotativa da organização pan-africana, em 2025.

José Maria Neves, em declarações à RFI disse que vê esta candidatura com «bons olhos», sublinhado que Angola pode contribuir para o processo de pacificação do continente africano.

“Designadamente nos Grandes Lagos onde Angola está a desempenhar um papel importante”, detalhou.

O chefe de Estado destaca que “Angola está num processo de modernização da sua economia e sociedade e poderá ser uma referência muito positiva no continente africano”.

Ainda durante a cimeira, José Maria Neves teve um encontro com William Ruto, o seu homólogo queniano a quem fez o convite, tal como ao presidente da Guiné-Equatorial, para se tornar co-champion para a Preservação do Património Natural e Cultural de África, em representação da África Oriental. Um convite que foi “prontamente aceite”, como escreveu José Maria Neves na sua página no Facebook.

José Maria Neves adiantou ter falado com o Presidente William Ruto, que foi nomeado, no sábado, Champion para a reforma institucional da União Africana, sucedendo ao Presidente Paul Kagame, do Ruanda, sobre a reforma do sistema de governança em África, indicando que o seu homólogo queniano sublinhou a vontade de compartilhar com ele “visões e experiências sobre esse importante dossier”.

“Combinamos, ainda, trocar visitas de Estado, em datas a fixar, para o reforço das relações de amizade e de cooperação entre os nossos dois países”, concluiu o chefe de Estado.

Conflitos continentais e globais

Nesta cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Africana, que terminou no domingo, mais de trinta líderes debateram as crises que se vivem no continente, abalado por golpes de Estado, mudanças inconstitucionais e também os conflitos globais.

De acordo com a RFI, a saída do Mali, Burkina Faso e Níger da CEDEAO, a crise política no Senegal e a falta de fundos para o sistema de Paz e Segurança da União Africana marcaram a agenda dos líderes africanos.

Além dos problemas regionais, também os conflitos globais foram debatidos durante a 37ª cimeira da organização pan-africana.

O Presidente da Comissão da UA, no discurso de abertura da 44ª sessão do Conselho Executivo da UA, lembrou que a União Africana, desde o início do conflito no Médio Oriente, defendeu o fim das hostilidades, a libertação dos reféns e prisioneiros e a solução de dois Estados. A União Africana recusou o pedido de Israel para assistir a esta cimeira como Estado observador.

De acordo com a RFI, as implicações da guerra da Ucrânia e dos ataques no Mar Vermelho, os conflitos no Sudão, a ameaça jihadista na Somália, a Líbia dividida a exposição do Sahel ao terrorismo e a tensão na RDC estiveram igualmente na ordem dos debates.

A mesma fonte indicou que a entrada da União Africana no G2O e a presença do Presidente brasileiro, Lula da Silva, convidado de honra desta cimeira e que preside actualmente o G20, darão espaço aos chefes de Estado para definirem a política africana nesta organização.

*com agências

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1160 de 21 de Fevereiro de 2024.

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Autoria:André Amaral*,24 fev 2024 8:22

Editado pormaria Fortes  em  16 abr 2024 23:28

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