Ana, moradora de Achada São Filipe, relata que há quase um mês que a água não chega a sua casa com força suficiente para encher o reservatório, o que a impossibilita de usar as torneiras ou dar descargas.
“Não é a primeira vez que isso acontece. A situação tem-se repetido com frequência, deixando os moradores sem solução a longo prazo”, queixa-se.
Em Ponta D’Água, Maria reitera que a falta de água é um problema que persiste há pelo menos um mês.
“Nesse um mês, a água que chega às nossas torneiras não tem força para ir ao reservatório. Tenho que acordar muito cedo, às vezes até de madrugada, para garantir que tenho água. Se houver água na torneira do andar de baixo, tenho que me levantar para encher todos os barris e garrafões, porque, caso contrário, fico sem água”, lamenta.
“Sem água, não posso limpar a casa em condições e tenho que reduzir o número de banhos. Quase tudo o que fazemos em casa requer água”, diz Maria.
Outro bairro com o mesmo problema é Achadinha. Lígia, moradora deste bairro, conta que já chegaram a ficar 15 dias seguidos sem um pingo de água nas torneiras.
“Ontem, por acaso, a água veio, mas já estávamos 15 dias sem água”.
Segundo a mulher, a solução tem sido comprar água. “Eu, por acaso, não compro, porque somos apenas três em casa e consigo gerir melhor, mas a minha irmã, que tem um filho doente, é obrigada a comprar, mesmo tendo água canalizada em casa”, exemplifica.
Lígia acrescenta que, quando a água chega, muitas vezes é em quantidade insuficiente. “O vizinho sempre arranja um garrafão ou dois, mas não é suficiente. Com dois garrafões de água, não consigo lavar a roupa nem limpar em condições”, lamenta.
Esta entrevistada afirma que a situação já dura há mais de um mês que há vizinhos cujas torneiras só recebem ar, mas a conta de água chega todos os meses.
O Expresso das Ilhas tentou ouvir a empresa Águas de Santiago, mas esta não respondeu. Entretanto, na segunda-feira, 1, a mesma publicou na sua página do Facebook um comunicado onde informa que está a realizar a lavagem dos reservatórios de abastecimento de água, com o intuito de assegurar a qualidade e segurança no fornecimento.
O processo teve início na quarta-feira, 26, com a lavagem do reservatório que abastece, de forma geral, a cidade da Praia.
De referir que em Janeiro deste ano, após um problema generalizado de abastecimento de água na capital, o Governo anunciou que a aprovação de um pacote de medidas, no valor de 583 mil contos, para melhorar a capacidade de manutenção e produção de água pela Electra, bem como a eficiência na distribuição e nos serviços de saneamento na cidade da Praia e em toda a Ilha de Santiago.
O investimento, considerado urgente, visa reduzir riscos de avarias que impactam negativamente famílias e empresas, com intervenções previstas para estações de dessalinização na Praia, Santa Cruz, São Miguel e Ribeira da Barca.