Jorge Figueiredo convocou a imprensa nacional, nesta segunda-feira, para prestar esclarecimentos sobre os factos, na sequência da notícia publicada em 1 de Fevereiro de 2026 pela imprensa internacional, sob o título “Famílias de turistas britânicos mortos por infecção em Cabo Verde recorrem à Justiça”.
Conforme as notícias veiculadas, as famílias de quatro cidadãos britânicos que morreram, nos últimos meses, de infecções gastrointestinais agudas contraídas durante férias na ilha do Sal pretendem processar o operador de viagens TUI, por ter vendido pacotes turísticos para unidades hoteleiras cujas falhas de higiene estarão na origem das infecções.
Para o ministro, a abordagem adoptada pela imprensa internacional “é grave, desproporcional e susceptível de induzir percepções alarmistas injustificadas” sobre o Serviço Nacional de Saúde e sobre Cabo Verde.
Acrescentou que, sendo a acusação dirigida a uma cadeia hoteleira privada, esta se encontra obrigada ao cumprimento integral das normas sanitárias nacionais.
“O Ministério da Saúde não aceita que alegações individuais, apresentadas em instâncias estrangeiras, sejam generalizadas ou instrumentalizadas para colocar em causa o sistema de saúde nacional e a boa imagem do país”, frisou.
Conforme referiu, do ponto de vista epidemiológico, os dados oficiais das autoridades competentes do Reino Unido indicam que as doenças infecciosas gastrointestinais, incluindo as associadas à Shigella, não figuram entre as causas relevantes de mortalidade.
“Trata-se de um evento raro, de baixa letalidade, cujos óbitos se concentram predominantemente em indivíduos com vulnerabilidade clínica (UK Health Security Agency – UKHSA, 2024)”, salientou.
O responsável pela pasta da Saúde afirmou que os relatórios de vigilância britânicos não identificam Cabo Verde como origem relevante de casos importados recentes, frisando que, do ponto de vista técnico, a “mera coincidência” temporal entre viagem e doença não constitui prova de causalidade.
Para Jorge Figueiredo, a determinação do nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental estruturada e análise epidemiológica comparativa – elementos que não decorrem de alegações mediáticas nem de processos judiciais ainda em curso.
Acompanhamento da situação
O governante alegou que o seu ministério tem vindo a acompanhar a situação com a devida atenção e, desde finais de 2025, accionou os serviços competentes para averiguação técnica. Esses serviços envolvem a Rede Nacional de Laboratórios, os serviços de vigilância e segurança alimentar, a ERIS e a Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE), assegurando um acompanhamento e uma avaliação rigorosos das condições sanitárias e operacionais.
“Nós, regularmente, através da IGAE, da Direcção Nacional de Saúde e das Delegacias de Saúde, realizamos a inspecção individualizada de todos os trabalhadores do sector que, pelo menos de seis em seis meses, são investigados e analisados em todos os aspectos, para poderem trabalhar num sistema económico como o nosso”, sustentou.
Relativamente a episódios eventuais, conforme referiu, por se estarem a desenvolver actividades económicas em torno dos alimentos e da sua conservação, “episodicamente podem ocorrer crises que resultam de infecções por intoxicação alimentar”.
O governante explicou que, logo que foram detectadas alterações, ainda que não na ilha do Sal, mas na Boa Vista, foram imediatamente accionadas todas as instituições competentes para, em conjunto, acompanhar a situação.
Segundo disse, desde finais de 2025 têm sido realizados encontros semanais, tanto na Boa Vista como no Sal, com vista a monitorizar a evolução do processo e a recomendar a adopção de medidas por parte do sector privado.
“Nós temos um programa de vigilância sanitária que está em contacto com todo o Sistema Nacional de Saúde, com todas as delegacias, e, como sabe, todos os casos, incluindo os de diarreia, são notificados obrigatoriamente. Portanto, os delegados de saúde sabem, a cada momento, qual é a situação”, assegurou.
Turismo vs. Saúde
O ministro da Saúde afirmou que Cabo Verde tem vindo a desenvolver actividades económicas importantes relacionadas com o próprio desenvolvimento turístico, constituindo-se, do ponto de vista legal e infra-estrutural, de forma a atrair o investimento externo e a melhorar as visitas turísticas.
“Isto tem vindo a acontecer e temos visto um aumento, pelo menos anual, de mais de 10% das nossas visitas. Isto só é possível porque, efectivamente, as pessoas confiam no local, no destino turístico”, garantiu.
Segundo o governante, Cabo Verde dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica sólido, reconhecido por parceiros internacionais, com ganhos acumulados no controlo de doenças transmissíveis, na melhoria do saneamento, no reforço da segurança alimentar e no fortalecimento institucional.
Para Jorge Figueiredo, estes progressos posicionam o país entre os mais seguros do continente africano em matéria sanitária e reforçam a confiança de investidores e visitantes.
Jorge Figueiredo informou ainda que o Ministério da Saúde vai exigir que alguns órgãos de comunicação social internacionais publiquem informações completas e adicionais sobre as acções desenvolvidas, com o objectivo de repor a verdade dos factos.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1262 de 04 de Fevereiro de 2026.
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