Após a assinatura do Memorando de Entendimento para a implementação desta nova etapa, financiada pelo Governo da República Popular da China, o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, explicou que esta fase corresponde essencialmente à expansão do projecto a novas localidades e ao reforço nas cidades já abrangidas.
No caso da Praia, o governante referiu que o foco passa pelo aumento da cobertura.
“Tem a ver com mais postos, mais câmaras, cobrindo mais ruas, mais avenidas, mais praças, mais espaços públicos de circulação de pessoas”, indicou.
Conforme referiu, o sistema de reconhecimento de matrículas, já existente, será também expandido para novos pontos.
“Cidade Segura é mais do que videovigilância, é comunicação, comando e controlo”, disse.
Questionado sobre o custo do alargamento, Paulo Rocha admitiu não dispor de dados concretos. “O financiador é da República Popular da China. Nós nem sequer fazemos ideia de quanto é o custo, não lhe posso responder em concreto”, declarou.
Sobre os efeitos já registados, o responsável governamental apontou mudanças no funcionamento das forças de segurança, como melhorias no atendimento de chamadas de emergência, no tempo de resposta e na eficácia das intervenções.
“É a modernização na abordagem, é o acompanhamento posterior e a forma também em como a Polícia trabalha os autos, pois são levados ao conhecimento das autoridades judiciais. Com elementos de prova mais concretos e refutáveis até, as imagens não mentem, o que cria maior convicção dentro do nosso sistema judicial e que contribui também para que as decisões judiciais tenham uma base de prova mais robusta”, fundamentou.
Segundo o ministro, há indicadores que sustentam essa evolução, como a redução das ocorrências criminais, o aumento de detenções em flagrante delito e o reforço das apreensões, incluindo armas de fogo.
“Deixamos de estar permanentemente a reagir para passarmos a conseguir surpreender indivíduos ainda antes do cometimento do acto”, afirmou.
Quanto a novas funcionalidades, como o reconhecimento facial, Paulo Rocha esclareceu que não fazem parte desta fase.
China reafirma apoio à terceira fase do Cidade Segura
O Embaixador da República Popular da China em Cabo Verde, Zhang Yang, garantiu que o seu país continuará a apoiar a implementação da terceira fase do projecto Cidade Segura.
Durante a cerimónia de assinatura do memorando de implementação desta nova fase, o diplomata sublinhou o impacto da cooperação sino-cabo-verdiana no reforço da segurança pública, considerando que a China, para promover a segurança e a eficiência de atingir os crimes, tem dado um grande contributo, o que, no seu entender, tem formado a grande amizade entre os dois países.
Zhang Yang afirmou que a implementação da terceira fase do projecto vai reforçar ainda mais a amizade e a cooperação entre os dois países.
1ª e 2ª fase do Cidade Segura
De referir que a primeira fase do projecto Cidade Segura foi assinada em Julho de 2017 e estava orçado em 4,5 milhões de dólares.
A primeira fase, que arrancou em Janeiro de 2018 na cidade da Praia, incluía a criação do Centro de Comando Operacional, em Achada Grande Frente, na Praia, bem como a instalação de sistemas de videovigilância urbana, alerta inteligente e comunicação integrada (voz, SMS e dados).
Também incluiu a implementação do número único de emergência 112. Já a segunda fase do projecto foi lançada em Dezembro de 2019 e expandiu-se a São Vicente, Sal e Boa Vista.
Nesta fase introduziram-se funcionalidades, nomeadamente a análise inteligente de imagens, permitindo estabelecer critérios para despoletar alertas aos agentes encarregues da monitorização e a instalação de um software para o reconhecimento de matrículas, além de câmaras específicas para esse efeito em alguns pontos das cidades.
De acordo com a Polícia Nacional, em 2025, a taxa de criminalidade teve uma diminuição de 11,1%. De entre outros aspectos, a PN atribuiu essa redução, que abrangeu quase todas as ilhas, a estratégias de reforço Policial e a vídeo vigilância.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1272 de 15 de Abril de 2026.
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