Em declarações ao Expresso das Ilhas, o superintendente do navio, Neil Alves, explicou que a situação está relacionada com o tempo prolongado que o navio esteve em doca seca.
“O navio está feito para estar no mar. Quando está na água, o peso fica distribuído e não há esforço. Em doca, fica apoiado apenas em alguns pontos, o que cria tensões na estrutura”, referiu.
Após a descida para a água, a equipa técnica começou a detectar uma anomalia. “Passado um dia, começámos a notar entrada de água. Depois de investigar, verificámos que havia um furo no fundo”, relatou.
A fissura na região do fundo, deve ter sido ocasionada pelo picadeiro, berço da doca e peso da zona das popa, durante as manobras de docagem.
De acordo com o responsável, trata-se de uma fractura que não foi identificada de imediato, por se situar numa zona coincidente com os pontos de apoio do navio durante a docagem.
“Só depois de o navio estar algum tempo na água, já sem aquele esforço, é que se percebeu que havia algo que não estava bem”, disse.
A solução passa agora por uma nova subida ao estaleiro para reparar o dano. “É uma algo simples. O navio sobe, tapa-se o furo e volta a descer num prazo de dois a três dias para a conclusão do trabalho”, assegurou.
Neil Alves sublinhou ainda que este tipo de ocorrência pode acontecer em operações desta natureza e garantiu que a situação não deverá comprometer o regresso do navio ao serviço.
“Se tudo correr bem, não vai atrapalhar os planos que temos para o navio retomar as operações o mais rápido possível”, concluiu.
De referir que o navio Dona Tututa deixou a doca no passado dia 16, após a conclusão dos trabalhos de reparação e iniciou a fase de inspecções obrigatórias de classe e de bandeira, um processo considerado essencial para garantir a segurança dos passageiros.
O navio entrou em doca desde Outubro de 2025 para realizar a docagem obrigatória de classe e de bandeira, um processo regulamentado por normas internacionais do setor marítimo e exigido pelas autoridades competentes.
Contudo, permaneceu em doca por um período superior ao inicialmente previsto e ao invés dos 60 dias programados para os trabalhos, a embarcação permaneceu cerca de 120 dias no estaleiro da CABNAVE.
Após a conclusão da docagem, o navio saiu da CABNAVE para realizar testes de navegação acompanhados pela sociedade classificadora, necessários para a validação técnica da embarcação.
Durante esses testes, ocorreu um incidente no tanque de lastro provocado por uma obstrução no sistema de respiração do tanque, situação que terá causado danos estruturais no navio.
No passado mês de Março, a CV Interilhas informou que os elementos técnicos disponíveis indicam que o incidente resultou da não realização, por parte do estaleiro, dos procedimentos técnicos de verificação necessários à saída do navio.
homepage











