PJ investiga esquema de extorsão sexual online que já fez várias vítimas

PorSheilla Ribeiro,27 mai 2026 14:37

A Polícia Judiciária (PJ) alertou hoje para o aumento de casos de extorsão sexual e burlas praticadas através de perfis falsos nas redes sociais, num esquema que recorre a conversas íntimas, ameaças e chantagem emocional para obter dinheiro das vítimas. As autoridades indicam que os crimes estão a ser investigados pela Brigada Central de Investigação e Combate ao Cibercrime e Terrorismo e apelam à população para redobrar os cuidados nas plataformas digitais.

Segundo a PJ, os criminosos criam perfis falsos, normalmente com fotografias de mulheres e homens jovens e atraentes, alegadamente residentes no estrangeiro e com elevado poder económico, para estabelecer contacto com as vítimas através das redes sociais.

De acordo com a instituição, após o envio de pedidos de amizade ou mensagens privadas, os suspeitos iniciam conversas aparentemente normais, que rapidamente evoluem para conteúdos de natureza íntima e pessoal.

Durante essas interações, enviam fotografias de carácter sensual ou íntimo, retiradas da internet, com o objectivo de criar uma falsa relação de confiança e proximidade.

Depois de conquistarem a confiança da vítima, os burladores solicitam o envio de fotografias ou vídeos íntimos, muitas vezes de conteúdo sexual explícito. É a partir desse momento que se inicia a fase de chantagem.

A PJ explica que, normalmente nos dias seguintes, as vítimas começam a ser contactadas por indivíduos que se fazem passar por familiares do alegado jovem com quem estiveram a conversar, acusando-as de terem mantido conversas íntimas com menores de idade e ameaçando apresentar denúncias às autoridades.

Posteriormente, surgem novos contactos de pessoas que alegam ser polícias, investigadores ou representantes de autoridades estrangeiras, afirmando que a vítima praticou crimes relacionados com pornografia de menores e ameaçando com detenções, envolvimento da Interpol ou de embaixadas cabo-verdianas.

Nalguns casos, os criminosos chegam a alegar que o suposto menor tentou suicidar-se ou encontra-se hospitalizado devido às conversas mantidas, exigindo pagamentos para cobrir despesas médicas, indemnizações ou evitar processos criminais e a divulgação das imagens íntimas.

Para concretizar a burla, os suspeitos solicitam transferências bancárias ou envios de dinheiro através de serviços como Western Union e MoneyGram.

A Polícia Judiciária alerta ainda que os criminosos utilizam as imagens íntimas recebidas para ameaçar as vítimas, afirmando que irão divulgar os conteúdos a familiares, amigos, empregadores ou nas redes sociais caso não sejam efectuados pagamentos.

Segundo a PJ, este tipo de crime explora o medo, a vergonha e a pressão emocional das vítimas, levando muitas pessoas a efectuar pagamentos sucessivos na tentativa de evitar a exposição pública.

Contudo, a instituição esclarece que, na maioria dos casos, mesmo após os pagamentos, as ameaças continuam.

Perante o aumento destas situações, a Polícia Judiciária recomenda cautela com pedidos de amizade de perfis desconhecidos, desconfiança em relação a perfis com fotografias demasiado apelativas e pouca informação pessoal, bem como evitar conversas íntimas e o envio de conteúdos privados a desconhecidos.

A PJ aconselha ainda as vítimas a não efectuarem pagamentos perante ameaças, preservarem mensagens, contactos e comprovativos, e denunciarem imediatamente os casos às autoridades, presencialmente ou através da linha gratuita 134.

“A Polícia Judiciária encontra-se a acompanhar e investigar este tipo de criminalidade, reforçando o apelo à cautela, à proteção da privacidade e à utilizaçáo responsável das redes sociais e plataformas digitais”, lê-se no comunicado.

Foto: depositphotos

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Autoria:Sheilla Ribeiro,27 mai 2026 14:37

Editado porAndre Amaral  em  27 mai 2026 16:19

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