Eurico Monteiro assume presidência interina do MpD

PorAndré Amaral,10 jun 2026 14:22

O Movimento para a Democracia (MpD) tem novo rosto no comando, ainda que de forma transitória. Eurico Monteiro foi designado presidente interino do partido após uma reunião online entre os membros da Comissão Política Nacional e da Direcção Nacional do MpD. A designação foi tornada pública através de um comunicado oficial do partido e surge num momento de profunda reflexão interna, depois da derrota sofrida nas eleições legislativas de 17 de Maio.

O nome de Eurico Monteiro foi proposto pelo presidente cessante Ulisses Correia e Silva, com o aval da Comissão Política e da Direcção Nacional do MpD. Confrontado com a proposta, o novo presidente interino não hesitou. Em declarações à TCV, afirmou ter-se sentido honrado com a confiança depositada nele, sublinhando que "não quis recusar servir o partido neste momento delicado". A sua missão, claramente delimitada no tempo, passa por conduzir o MpD até à realização da eleição do novo presidente, marcada para 6 de Setembro próximo.

Estabilidade e renovação como prioridades

Eurico Monteiro assume as funções com um propósito central: garantir normalidade e imparcialidade na gestão do partido durante os próximos meses. Nas suas próprias palavras, cabe ao presidente interino assegurar "um quadro de estabilidade, normalidade, isenção e imparcialidade" que permita ao MpD sair das eleições internas mais unido e motivado para os desafios que se avizinham (as eleições presidenciais, marcadas para 15 de Novembro, e as eleições autárquicas de 2028).

O comunicado do partido, citado pela Inforpress, não deixa margem para ambiguidades quanto ao espírito do momento: "Este é um momento de responsabilidade, serenidade e compromisso com a unidade interna, a estabilidade institucional e a democracia partidária."

Na mesma reunião online que ratificou a sua liderança interina, foi igualmente aprovada a realização da Convenção Nacional do MpD para os dias 25, 26 e 27 de Setembro, encontro que deverá reunir delegados de diferentes estruturas do partido para debater orientações políticas e proceder às deliberações previstas nos estatutos da organização.

Quatro candidatos, uma vitalidade renovada

O MpD chega a este momento de transição com quatro nomes já posicionados para disputar a liderança do partido: o deputado Orlando Dias, eleito pelo círculo eleitoral de África; o ex-líder parlamentar Paulo Veiga, que confirmou a sua candidatura na sequência do anúncio de demissão de Ulisses Correia e Silva; o actual presidente da Câmara Municipal de São Miguel, Herménio Fernandes e Luís Filipe Tavares, antigo ministro do governo de Ulisses Correia e Silva.

Para Eurico Monteiro, este cenário é um sinal positivo. Em entrevista à TCV, o presidente interino considerou que o facto de já existirem três candidatos publicamente declarados "demonstra a vitalidade e sobretudo a crença" no projecto do partido. "Qualquer um desses candidatos representa muito para o MpD, representa vivacidade, representa também uma esperança", afirmou, acrescentando que os militantes podem estar confiantes de que haverá sempre gente disponível e capaz para ajudar a construir um futuro melhor.

Questionado sobre uma eventual candidatura sua à presidência efectiva do partido, Eurico Monteiro foi categórico: "Nunca manifestei o propósito e a intenção de me candidatar à presidência do MpD." E explicou a razão: "Vivemos um tempo de renovação. A gente sente essa necessidade de renovar, de dar voz a outras vozes, de dar cara também a outros rostos e haver a necessidade de um certo rejuvenescimento". De resto, o estatuto de presidente interino impede-o formalmente de concorrer ao cargo.

Um partido que precisa de se rever

As eleições legislativas de 17 de Maio deixaram marcas. O PAICV conquistou 37 dos 72 deputados à Assembleia Nacional, contra os 33 obtidos pelo MpD, uma derrota que levou Ulisses Correia e Silva a anunciar a sua demissão da liderança. Eurico Monteiro reconhece que o partido tem caminho a fazer e não foge à análise crítica.

Um dos trabalhos que a presidência interina terá de desenvolver passa exactamente por estudar os resultados de 17 de Maio, compreender as suas causas e tirar lições. O presidente interino considera que o MpD tem vindo a perder eleitorado para a abstenção, e que é urgente perceber porquê. Na entrevista à TCV, foi directo ao afirmar que o partido "precisa seguramente de melhorar, tanto no que diz respeito à associação política global partidária, mas também com um cuidado redobrado com as políticas públicas da governação."

Ouvindo os militantes ao longo dos últimos meses, e o próprio reconhece que o MpD tem "militantes muito, muito, muito críticos", uma conclusão emerge com clareza: é necessária "uma relação de maior cumplicidade, de maior proximidade entre a direcção e os militantes, as estruturas de base." Só assim, defende, o partido poderá revigorar-se e motivar-se para os próximos embates eleitorais.

Presidenciais no horizonte

Para além da gestão interna, Eurico Monteiro terá também de orientar o partido na sua posição face às eleições presidenciais de 15 de Novembro. O presidente interino espera que da esfera política do MpD saia um candidato forte para o Palácio do Plateau. "A candidatura presidencial é pessoal, mas os partidos políticos sempre apoiam um candidato proveniente da sua esfera política", sublinhou à TCV.

Nos próximos quatro meses, o MpD terá, portanto, de gerir em simultâneo a escolha do seu novo líder, a realização da sua Convenção Nacional e o posicionamento estratégico face a duas eleições de grande importância para o futuro do país.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1280 de 10 de Junho de 2026.

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Autoria:André Amaral,10 jun 2026 14:22

Editado porClaudia Sofia Mota  em  12 jun 2026 23:21

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