"Cabo Verde está sem Primeiro-Ministro"

PorExpresso das Ilhas, Lusa,16 mar 2018 7:08

Nuías Silva
Nuías Silva

​O PAICV defendeu quinta-feira à tarde que o país vive uma "crise de credibilidade" causada por uma sucessão de "escândalos".

“Cabo Verde está a passar por um período sensível e complexo. A credibilidade do país, um grande activo nos últimos anos, está em crise. Mensalmente, vêm ocorrendo escândalos, envolvendo as mais altas figuras da Governação e tudo isso, perante uma completa ausência do primeiro-ministro que os cabo-verdianos escolheram”, disse o vice-presidente do PAICV, Nuías Silva.

Nuías Silva falava, em conferência de imprensa, na sede do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), na cidade da Praia, para dar conta dos resultados da reunião da Comissão Política Nacional, realizada quarta-feira à noite.

“O primeiro responsável pelos desmandos na governação é o primeiro-ministro, que já demonstrou que apoia e defende a prática de favorecimento das empresas próximas do seu partido e não está minimamente preocupado com os indícios de corrupção que começam a tomar conta do seu Governo”, sublinhou. 

O responsável do PAICV aludia ao envolvimento do vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, num caso de alegado favorecimento a um grupo empresarial de que foi administrador e no qual ainda tem participação accionista. 

“Cabo Verde está, neste momento, sem Primeiro-Ministro. O primeiro-ministro eleito decidiu deixar o cargo”, considerou Nuías Silva, acrescentando que Ulisses Correia e Silva “insiste em esconder-se” e se limita “a aparecer para cortar fitas, abrir palestras e fazer inaugurações”. 

O vice-presidente do PAICV assinalou também que, quase dois anos depois da tomada de posse do Governo do Movimento para a Democracia (MpD), “se constata um sentimento generalizado de desilusão e de falta de esperança”, bem como a “degradação da situação socio-económica e das relações laborais”, com aumento de preços dos bens essenciais e despedimentos. 

O PAICV manifestou-se preocupado com a forma como o Governo está a tratar a reestruturação da companhia aérea pública (TACV) e acusou o executivo de pretender também desmantelar os transportes marítimos. 

“Os TACV foram desmantelados e estão em plena liquidação. O Governo ‘meteu’ 2 mil milhões de escudos na Transportadora Aérea Nacional – que já nem está a voar – e os trabalhadores não conhecem o seu futuro”, disse.

A companhia aérea está em processo de reestruturação para privatização, tendo saído dos voos domésticos, mudado a sua base para ilha do Sal e encerrado as delegações nas ilhas de São Vicente e Santo Antão.

O PAICV exortou o executivo a “actuar com maior rapidez” na execução de “medidas concretas” que respondam às necessidades das famílias, assegurando que irá cumprir o seu papel fiscalizador da acção do Governo. Na conferência de imprensa, Nuías da Silva anunciou que em Abril, a presidente do partido, Janira Hopffer Almada, dará início ao projecto “Ouvir Cabo Verde”, fazendo um périplo pelas ilhas, para “auscultar os cabo-verdianos e conhecer, com maior profundidade, as suas expectativas e anseios”.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,16 mar 2018 7:08

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  16 nov 2018 3:23

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